Economia

IMBRÓGLIO

Prefeitura adia IPTU, mas deve enfrentar batalha jurídica

OAB-MS considera a prorrogação insuficiente e aponta ilegalidades no aumento da taxa

Continue lendo...

Em mais um capítulo do imbróglio que envolve o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Campo Grande, a prefeita Adriane Lopes (PP) acolheu o pedido de prorrogação para o pagamento à vista até o dia 12 de fevereiro.

Mesmo assim, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) ainda vai à Justiça contra o aumento verificado pelos contribuintes no carnê do imposto deste ano.

Conforme apurou o Correio do Estado, o mandado de segurança coletivo, que será ajuizado pela Comissão de Direito Tributário da OAB-MS, já está pronto e deve ser ajuizado na manhã de hoje.

Na tarde de ontem, a prefeitura publicou o decreto prorrogando o prazo para pagamento do IPTU com 10% de desconto à vista para 12 de fevereiro, conforme publicação no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), medida que já havia sido antecipada pelo Correio do Estado na edição de ontem.

Nos bastidores, a informação é de que a gestão da prefeita Adriane Lopes acenou apenas com a prorrogação do prazo para a cobrança do IPTU, mas sem qualquer revisão do aumento do imposto, classificado como abusivo não apenas pelo fato de, em alguns casos, o valor cobrado ter quadruplicado, mas também por não ter cumprido ritos legais que antecedem a cobrança.

A OAB-MS está ancorando seu mandado de segurança na violação desses ritos, como a não publicação em diário oficial das alterações nas plantas de alguns imóveis (e da eventual alteração de alíquota), além da mudança do Perfil Socioeconômico Imobiliário (Psei) para majorar o valor cobrado pelo imposto.

Ainda conforme apurou o Correio do Estado, a prefeita nem sequer abriu a possibilidade de retomar o desconto de 20% para pagamento à vista do tributo, prática das últimas duas décadas, encerrada neste exercício.

Além disso, Adriane não deu nenhum sinal no sentido de revisar os critérios adotados no novo Psei, que fez com que o IPTU, em razão da valorização do imóvel, e a taxa do lixo disparassem para moradores de bairros de Campo Grande.

“A OAB-MS reafirma que não concorda com a mera prorrogação do prazo para pagamento do IPTU à vista, com desconto, e irá prosseguir com a ação civil pública contra a cobrança”, disse ao Correio do Estado o presidente da OAB-MS, Bitto Pereira.

REUNIÃO

Ainda durante a reunião de ontem, a prefeitura pediu ao secretário-geral da OAB-MS, Luís Renê Gonçalves do Amaral, que a instituição elaborasse uma lista com os pontos a serem questionados na cobrança do imposto, para que posteriormente fossem respondidos.

A diretoria da OAB-MS exige que a prefeitura apresente documentos que fundamentem a mudança na cobrança do imposto, exigência que o Município não garantiu que fará, nem mesmo na resposta extrajudicial proposta na reunião.

Além de representantes da OAB-MS, vereadores que participam da comissão que analisa o aumento do IPTU acreditam que a administração de Adriane Lopes quer ganhar tempo com a prorrogação, sem dar qualquer aceno de que os valores cobrados serão revistos.

Na Câmara Municipal, os vereadores estão divididos quanto à convocação de uma sessão extraordinária para rever o decreto do ano passado, que estabeleceu os critérios para a cobrança do IPTU deste ano. Até o início da semana, essa possibilidade era quase unânime.

Após as reuniões desta terça-feira e de ontem, vereadores alinhados ao Município tentam fazer com que os colegas que defendem a suspensão da cobrança mudem de ideia.

Como adiantou o Correio do Estado, a decisão atende a parte dos critérios que foram colocados na mesa, entre eles a prorrogação do vencimento. Entretanto, a solicitação de restabelecimento do desconto de 20% para pagamentos à vista não foi acatada.

“Vamos prorrogar o pagamento com desconto à vista para a data de até 12 de fevereiro. Então, o cidadão vai ter o mês de janeiro inteiro e mais 12 dias no mês de fevereiro para realizar o seu pagamento à vista, com desconto de 10%”, disse o titular da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulysses da Silva Rocha.

O secretário afirmou que, em nenhum momento, o Executivo municipal cometeu irregularidades e frisou que a cobrança passou por uma correção pela inflação, levando em conta a mudança na alíquota dos imóveis territoriais que preenchem determinadas categorias.

“Não houve aumento de tributo, houve a correção pela inflação. Houve a mudança de alíquota na questão dos imóveis territoriais que preenchem aquelas características que importam, se existe asfalto, se existe posto de saúde, se existe escola, para que esses imóveis tenham uma alíquota diferenciada. Isso é aplicado no País inteiro”.

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) também entrou no debate e exigiu esclarecimentos formais sobre os critérios adotados no reajuste do imposto e da taxa de coleta de lixo.

Em ofício encaminhado ao Executivo, o conselheiro Osmar Jeronymo determinou que a administração apresente, no prazo de cinco dias úteis, uma série de informações técnicas e legais que embasaram o reajuste aplicado ao IPTU deste ano.

O TCE-MS quer saber qual foi a base legal utilizada, quais índices e parâmetros técnicos foram considerados.

Colaboraram Eduardo Miranda e Laura Brasil

Assine o Correio do Estado

ESCOAMENTO

Movimentação de cargas na hidrovia do Rio Paraguai quase triplica em 2025

Minério de ferro está na liderança na mercadoria transportada do País e cenário é semelhante para MS

02/03/2026 08h00

Rodolfo César

Continue Lendo...

O minério de ferro fechou o 16º ano seguido como a principal mercadoria exportada por peso bruto, conforme balanço divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) neste mês.

A movimentação portuária em Mato Grosso do Sul traduziu esse contexto nacional e o minério de ferro extraído de Corumbá representou 92% do total transportado, equivalente a 8,8 milhões de toneladas. A movimentação portuária no Estado segue em crescimento, 185,05% em relação a 2024.

Esses indicadores foram registrados mesmo com resistências encontradas na estrutura da navegação da Hidrovia Paraguai.

Ainda com pontos que dificultaram o transporte de cargas ao longo de todo o ano, o crescimento registrado pela Antaq é o maior em cinco anos de dados disponibilizados para pesquisa no Painel Estatístico Aquaviário.

Como o modal aquaviário vem mostrando aumento de carga transportada de forma geral, o diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, pontuou que o modelo estatístico disponível atualmente vem ajudando a fortalecer políticas públicas.

“É mais um recorde no setor aquaviário. Não se trata de um bom momento pontual, mas de uma trajetória de crescimento do setor, que reflete a maturidade institucional do País e da atuação da Antaq. Ao divulgar esses números, a Agência reforça seu papel técnico de fornecer informações úteis e confiáveis para que o setor privado possa planejar e tomar as melhores decisões”, defendeu Dias.

A agência está envolvida diretamente no processo para viabilizar a concessão da hidrovia Paraguai, em conjunto com o Ministério dos Portos e Aeroportos.

Atualmente, essa análise da primeira concessão de hidrovia do Brasil está tramitando no Tribunal de Contas da União (TCU), com suspensão de análise em curso por tempo indeterminado. A proposta desse projeto é garantir um calado operacional de 3 metros em períodos de cheia, enquanto na estiagem ficaria em 2 metros.

O nível de 1,5 m é considerado o mínimo no Rio Paraguai para operacionalização comercial. Na região de Corumbá, esse nível enfrenta diferentes desafios para ser mantido em períodos que podem ir entre setembro a fevereiro. Neste ano, por exemplo, o nível da régua na Marinha, em Ladário, esteve em 1,1 m na terça-feira.

Justamente por conta da escalada de crescimento na movimentação de cabotagem, e isso inclui o transporte aquaviário em Mato Grosso do Sul, e perspectiva de continuidade nesse aumento, o governo federal confirmou em fevereiro que vai antecipar o pedido de licenciamento ambiental no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para tentar sinalizar à iniciativa privada que está empenhada em ampliar o uso na movimentação em torno de um corredor logístico.

“Antecipação do licenciamento ambiental da hidrovia do Rio Paraguai perante o Ibama é uma medida para dar previsibilidade ao projeto e reduzir riscos do leilão ao mesmo tempo no cenário internacional, especialmente com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia. Isso reforça a importância dessa hidrovia como corredor logístico competitivo, capaz de absorver um aumento relevante no fluxo de cargas com menor custo e menor impacto ambiental”, sugeriu o secretário Nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Otto Luiz Burlier, em entrevista concedida ao site especializado BE News, no dia 10 de fevereiro.

TRANSPORTE

Em janeiro deste ano, o Uruguai destacou o volume transportado de minério de ferro com origem em Corumbá e transportado pela LHG Mining, mineradora que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista e que opera no Pantanal.

Dados parciais do país vizinho mostraram que 6,654 milhões de toneladas já tinham sido movimentados em 2025, nos terminais Navios South American Logistics, em Nueva Palmira e Punta del Arenal. O porto Punta de Arenal fica no quilômetro 27 do Rio Uruguai e também é operado pela LHG Mining.

Desse total exportado via Uruguai, 80% da carga foi endereçada para a Ásia, principalmente na China. Também houve destinos para a Europa, informou o site especializado em exportação Altamar News.

Assine o Correio do Estado

feira agropecuária

Expoagro é lançada com expectativa de gerar mais de R$ 500 milhões em negócios

Feira agropecuária terá 80 estandes e shows com Bruno e Marrone, Murilo Huff, entre outros, em maio

01/03/2026 15h31

Expoagro será realizada de 8 a 17 de maio

Expoagro será realizada de 8 a 17 de maio Foto: Álvaro Rezende / Secom-MS

Continue Lendo...

A 60ª edição da Expoagro será realizada de 8 a 17 de maio, no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho, e Dourados. O lançamento oficial do evento ocorreu nesse sábado (28), com participação do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel PP), produtores rurais, autoridades e instituições parceiras.

A expectativa é gerar mais de R$ 500 milhões em negócios, com mais de 150 mil pessoas esperadas nos 10 dias da feira agropecuária, 

“Expoagro é um marco na história de Mato Grosso do Sul, sem dúvida nenhuma, uma das maiores feiras agropecuárias do Estado e representa muito, porque ela traduz toda uma região. Vem gente do Brasil inteiro. Ela reafirma nossos valores culturais, nossa tradição. A Expoagro é mais antiga que o próprio Estado”, afirmou o governador.

O governo é parceiro do evento, com investimento de R$ 1 milhão, em um convênio com o sindicato rural de Dourados.

A Expoagro terá 80 estandes de empresas, instituições financeiras e governamentais. São expositores da área agrícola, incluindo as principais marcas multinacionais de máquinas, implementos agrícolas e insumos rurais.

“Vamos entregar uma exposição a altura do agro douradense e sul-mato-grossense. Estamos com a feira praticamente montada, com a meta de fazer melhor do que antes”, destacou o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino José Ferreira.

Além das exposições e leilões, também há shows com artistas nacionais e regionais. Entre as atrações nacionais confirmadas estão os shows de:

  • Bruno & Marrone (14/05)
  • Clayton & Romário e Felipe & Rodrigo (15/05)
  • Murilo Huff com Natanzinho Lima (16/05)

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).