A produção industrial brasileira em dezembro registrou a maior queda desde o fim de 2008, quando estourou a crise financeira global. E essa retração teve como principal destaque negativo o setor automotivo, apontou pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Parte disso já era esperada, já que, no último mês do ano, tradicionalmente, as fábricas colocam os funcionários em férias coletivas e interrompem a atividade, com a proximidade do Natal e do Ano-Novo. No entanto, o fim de 2013, foi particularmente ruim para o ramo de veículos (montadoras e autopeças), em que a retração foi de 17,5%. No segmento, a estratégia de colocar os empregados em casa foi usada por volume maior de empresas e com mais intensidade (com maior número de dias parados), afirma o economista do instituto, André Macedo.
Na comparação com mesmo mês do ano anterior, a produção total da indústria também teve recuo, de 2,3%, assinalando a redução mais intensa desde março de 2013. Isso também se deveu sobretudo aos elos da cadeia de produção de veículos (com retração de 16,5% na atividade). Para Macedo, os elevados índices de inadimplência da população, somados ao comprometimento da renda com dívidas e à seletividade do crédito justificaram uma demanda menos intensa. Com isso, as montadoras, que vinham com forte ritmo de produção, tiveram de reduzir a atividade para equilibrar os estoques.
A situação é difícil, especialmente para as empresas de autopeças, afirma o vice-diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Norberto Perrela. “O deficit (da balança comercial do setor) só aumenta”, cita. De janeiro a novembro de 2013, as importações superaram as exportações do segmento em US$ 9,6 bilhões. Ele assinala que o governo está em vias de regulamentar medida para controlar o volume de peças importadas pelas fabricantes de veículos, o que pode ajudar o segmento nos próximos anos. “O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) está apresentando a sistemática da rastreabilidade (o controle sobre o que é fornecido), a partir daí, teremos visão mais realista do que será o cenário do setor”, afirma.


