Economia

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Relator quer limitar juros para o crédito parcelado e espera 'boa vontade' dos bancos

Discussão do projeto que trata sobre os juros deve começar na semana que vem

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No parecer sobre o PL (projeto de lei) que trata do programa Desenrola Brasil e do rotativo do cartão de crédito, o deputado Alencar Santana (PT-SP) estipulou um limite para os juros cobrados tanto para a modalidade mais cara do mercado quanto para o crédito parcelado, linha acionada após 30 dias para financiar a dívida pendente.

A ideia do parlamentar é que, nos dois casos, o montante a ser pago pelo cliente em juros não possa ser maior do que o valor original da dívida. A proposta para o rotativo havia sido antecipada pela Folha de S.Paulo.

Em junho, a taxa média de juros cobrada pelos bancos de pessoas físicas no rotativo do cartão de crédito foi de 437,3% ao ano, segundo dados do Banco Central. Já no crédito parcelado, no mesmo mês, a taxa média foi de 196,1%.

"Se uma pessoa deve R$ 1.000 no máximo, os juros ao longo do tempo poderá ser somente R$ 1.000. Hoje os juros podem chegar em torno de 440%, que é a média que está sendo feita hoje no país", disse Santana. "Estamos reduzindo isso para, no máximo, 100%. É uma redução muito forte como consequência se nada for feito", completou.

Segundo pessoas envolvidas na negociação, havia pressão dos bancos para que o deputado estipulasse um prazo de um ano para a validade dessa limitação de 100% -o que foi ignorado no texto.

"Nós estamos estipulando isso como uma pena, por assim dizer, em nada sendo feito. E vai ficar 100% enquanto nada for feito." Como mostrou a Folha, esse teto só valerá se as instituições financeiras não estabelecerem uma taxa menor em até 90 dias.

"Os emissores de cartão de crédito, como medida de autorregulação, devem submeter à aprovação do Conselho Monetário Nacional, por intermédio do Banco Central do Brasil, limites para os juros e encargos financeiros cobrados sobre o saldo devedor da fatura de cartão de crédito nas modalidades de crédito rotativo e de crédito parcelado", diz o relatório.

"Se os limites referidos não forem aprovados no prazo máximo de 90 dias contados da data da publicação desta lei, o total cobrado a título de juros e encargos financeiros não poderá exceder o valor original da dívida", acrescenta.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou na manhã desta quinta-feira (24) que os parlamentares deverão começar a discussão do projeto na próxima semana.

Segundo ele, caso o relatório de Santana seja "suficiente", a matéria poderá já ser votada na Casa na semana que vem. Nesta quinta, Santana afirmou à imprensa que a intenção do Congresso não é intervir na economia do país estipulando o percentual mensal de juros a ser cobrado, e que muito menos o governo tem essa pretensão.

"Nós esperamos que o setor se autorregule, que o setor apresente uma proposta, que demonstre a sua boa vontade", disse.

"A gente ouviu diversos lados dessa cadeia, desse sistema, em relação ao cartão, todos dizendo que querem colaborar, que querem apresentar uma solução, e também perceberam, entenderam que não dá para continuar dessa maneira", completou.

Apesar de pressões do setor de crédito, o deputado não tratou no relatório de modificações no parcelamento de compras sem juros. Parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que, se esse tema fosse abordado na matéria, não haveria acordo para garantir sua aprovação no Congresso.

"Havia uma pressão de alguns setores para que houvesse uma limitação ou que eventualmente houvesse juros nas parcelas. O parcelamento do preço à vista é uma conquista da sociedade brasileira, ajudou na estabilidade econômica e não tem sentido a gente acabar com isso ou cobrar juros", disse Santana.

Segundo relatos, o setor esperava que o deputado explicitasse em seu texto que o CMN deveria tratar da modalidade do parcelamento para compras sem juros de forma simultânea à questão do rotativo.

Na proposta, o relator também faz menção à portabilidade de crédito, que permite a transferência de uma dívida de uma instituição financeira para outra que ofereça melhores condições de pagamento. Essa medida é vista como uma forma de estimular a competição no sistema financeiro brasileiro, ajudando a reduzir os juros na linha mais cara do mercado.

"Os consumidores têm direito à portabilidade de operações de crédito, inclusive do saldo devedor da fatura de cartão de crédito e de outras dívidas relacionadas ao cartão de crédito", diz o texto.

Quanto ao Desenrola, que teve o seu conteúdo incorporado na matéria após impasse sobre a tramitação de medidas provisórias no Congresso, não houve mudanças na formatação do programa de renegociação de dívidas.

Entre 17 de julho e 18 de agosto, os bancos brasileiros renegociaram 1,5 milhão de contratos, segundo dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). No primeiro mês do Desenrola, foram R$ 9,5 bilhões negociados pela faixa 2 -cidadãos com renda mensal entre R$ 2.640 (dois salários mínimos) e R$ 20 mil, com dívidas negativadas até 31 de dezembro de 2022.

Nesse grupo, a quantidade de parcelas e a taxa de juros são negociadas diretamente com as instituições financeiras. De acordo com a entidade, cerca de 6 milhões de clientes que tinham dívidas bancárias de até R$ 100 tiveram o "nome limpo" por instituições financeiras. Essa é uma contrapartida exigida pelo governo para entrada na próxima etapa do Desenrola.

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Crescimento

Capital bate recorde no comércio exterior e movimenta US$ 809 milhões em sete meses

Exportações cresceram 41,5% e superávit chegou a US$ 311,4 milhões

08/09/2026 16h30

Campo Grande

Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Campo Grande movimentou US$ 809,07 milhões no comércio exterior entre janeiro e julho de 2026, o maior valor para o período na série histórica acompanhada pelo Governo Federal desde 1997. O resultado foi puxado principalmente pelo avanço das exportações, que chegaram a US$ 560,27 milhões, alta de 41,49% em relação aos US$ 395,99 milhões registrados nos sete primeiros meses de 2025, conforme mostra o Boletim Econômico de agosto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades).

Mais do que o aumento nas vendas para outros países, os números indicam uma mudança de escala na participação da Capital no comércio internacional. O município acumulou superávit de US$ 311,47 milhões até julho, também o maior da série histórica para o período. Na prática, significa que Campo Grande vendeu ao exterior mais do que comprou, ampliando a entrada de recursos relacionados à produção local.

O desempenho ganha peso para a economia do município porque o comércio exterior movimenta uma cadeia que vai além das empresas exportadoras. O aumento da produção destinada ao mercado internacional tende a ampliar a demanda por transporte, armazenagem, serviços, mão de obra e outras atividades ligadas à cadeia produtiva e logística.

As carnes e miudezas comestíveis continuam sendo o principal produto da pauta exportadora de Campo Grande. Apenas em julho, o segmento respondeu por US$ 74,8 milhões em vendas internacionais, crescimento de 40,03% na comparação com julho de 2025.

Também tiveram participação relevante no mês as gorduras e óleos animais ou vegetais, com US$ 11,98 milhões, e as peles e couros, que somaram US$ 3,6 milhões.

No mês de julho, as exportações alcançaram US$ 96,55 milhões, alta de 45,8% em um ano. As importações também cresceram e chegaram a US$ 38,56 milhões, avanço de 114,01%. Mesmo com o aumento das compras externas, o município fechou o mês com saldo positivo de US$ 57,99 milhões.

A China foi o principal destino dos produtos de Campo Grande em julho, com US$ 40,24 milhões em compras. Índia, Estados Unidos, Chile e México também aparecem entre os principais mercados consumidores.

RILA 

Além dos grandes mercados internacionais, Campo Grande também ampliou as relações comerciais com países da América do Sul. Entre janeiro e julho, as transações com Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai movimentaram US$ 227,63 milhões.

O valor representa 28,14% de toda a corrente de comércio da Capital no período e coloca os países da Rota de Integração Latino-Americana (RILA) como uma parcela relevante das relações comerciais do município.

A aproximação com os países vizinhos ganha importância especialmente para setores ligados à logística e à prestação de serviços, em razão da posição estratégica de Campo Grande como ponto de conexão entre diferentes regiões brasileiras e os mercados sul-americanos.

Os dados mostram ainda uma recuperação do comércio exterior de Campo Grande após a retração registrada nos fluxos comerciais em 2024. A partir de 2025, o município voltou a apresentar crescimento, trajetória que se intensificou em 2026.

Com US$ 560,27 milhões exportados até julho, a Capital já atingiu um patamar recorde para o período. O avanço também reforça a diversificação dos mercados alcançados pela produção local e aumenta a relevância do comércio exterior para a economia municipal.

Para o desenvolvimento econômico, o resultado coloca como desafio transformar o crescimento das exportações em maior capacidade produtiva e geração de negócios dentro do município, especialmente em setores ligados à agroindústria, logística, transporte e serviços.

 

Renegociação

Quem tem dívida com a Prefeitura pode negociar com até 90% de desconto em Campo Grande

"Regulariza CG" começa nesta terça-feira e permite que moradores e empresas renegociem débitos municipais; prazo vai até 9 de outubro

08/09/2026 14h15

Reprodução/ Prefeitura de Campo Grande

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Moradores e empresas que têm dívidas com a Prefeitura de Campo Grande podem começar a negociar os débitos nesta terça-feira (8). O programa "Regulariza CG" oferece descontos de até 90% sobre juros, multas e outros acréscimos legais para quem deseja quitar pendências municipais. O prazo para aderir ao programa termina em 9 de outubro.

Podem ser negociados débitos de natureza tributária e não tributária em que o fato gerador tenha ocorrido até 31 de dezembro de 2025. A medida alcança pessoas físicas e empresas que possuem pendências com o Município dentro desse período.

O programa é destinado a contribuintes que possuem débitos com o Município de Campo Grande, sejam eles tributários ou não tributários. Para quem optar pelo pagamento à vista, o desconto varia conforme o ano em que a dívida foi gerada. As pendências originadas até 2018 terão redução de 90% nos acréscimos legais. Para dívidas de 2019 e 2020, o desconto será de 70%, enquanto os débitos entre 2021 e 2025 terão redução de 50%.

Quem já possui uma dívida parcelada também poderá optar pela quitação à vista, com desconto de 30% sobre os juros que ainda seriam cobrados.

Parcelamento

Quem não conseguir quitar o débito de uma só vez também poderá parcelar a dívida. O desconto nos acréscimos legais será de 40% para pagamentos divididos em até seis vezes, de 30% para quem escolher até 12 parcelas e de 25% para débitos parcelados em até 16 vezes. Em qualquer uma das opções, o valor mínimo de cada parcela será de R$ 100.

Dívidas que já foram incluídas em acordos anteriores não poderão ser novamente parceladas pelo Regulariza CG. Nesses casos, a opção prevista pelo programa é o pagamento à vista.

A adesão ao programa pode ser feita pela internet, por meio do sistema de parcelamento da Prefeitura de Campo Grande. Também há atendimento presencial na Central do Cidadão, localizada na Rua Cândido Mariano, 2.655, no Centro. O prazo para aderir ao Regulariza CG termina em 9 de outubro.

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