O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), entregou, nesta sexta-feira (24), a licença prévia para instalação da fábrica de celulose da Bracell, que será instalada às margens da BR-267, a aproximadamente nove quilômetros do centro urbano de Bataguassu.
"Em reunião com o vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bracell, Julio Gama, entregamos a Licença Prévia para a instalação da nova fábrica da empresa em Bataguassu. Esta etapa atesta a viabilidade ambiental do empreendimento e permite o avanço do processo de licenciamento", disse Riedel em postagem no Instagram.
Previsão repassada inicialmente era de que a licença de instalação seria concedida até o fim de 2025, mas a própria Brasil retirou da secretaria de Meio Ambiente o pedido para fazer ajustes no projeto. Um novo pedido foi feito neste ano.
Com a autorização agora concedida, ficam autorizadas as obras de implantação da fábrica.
Megafábrica
A fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a pruduzir celulose para fabricação de tecidos , ficará a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera, a cerca de três quilômetros do lago.
Conforme reportagem do Correio do Estado, é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca de 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água.
As obras da fábrica exigirão inestimentos da ordem de US$ 4 bilhões e devem se estender ao longo de 38 meses, sendo quatro para os trabalhos de terraplanagem e 34 para a construção da fábrica propriamente dita.
No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação.
Por ano, conforme o projeto original, a indústria deve processar 12 milhões de metros cúbicos de eucaliptos, que sairão de cerca de 300 mil hectares de reflorestamento. Em torno de um terço deste montante já está em fase de crescimento em municípios como Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e Bataguassu.
Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose
Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, utilizada na confecção de tecidos e outras finalidades, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP).
Conforme a previsão, a celulose deve ser escoada por caminhões, pela MS-395 e a BR-158, margeando o Rio Paraná, até a ferrovia que passa em Aparecida do Taboado. De lá, seguirá por ferrovia até o porto de Santos.
Mas, a empresa também faz estudos para um possível escoamento da celulose por hidrovia. Em Três Lagoas a empresa já anunciou investimento de R$ 100 milhões na instalação de um porto para levar madeira até Lençóis Paulista, onde a empresa já opera uma indústria de celulose. Se este transporte se mostrar viável, existe a possiblidade de outras barcaças descerem até Batagussu.
A indústria de Bataguassu será a quinta do setor em Mato Grosso do Sul. A primeira, da Suzano, entrou em operação dem 2009, em Três Lagoas. Depois, em 2012, foi ativa a unidade do grupo J&F, a Eldorado, também em Três Lagoas.


