O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) propôs que o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, crie um consulado no norte da Argentina, região que será cruzada pelo corredor bioceânico que passa por Mato Grosso do Sul.
A instalação de uma representação diplomática brasileira no norte da Argentina, em cidades como San Salvador de Jujuy, poderia favorecer o ambiente de negócios envolvendo empresas brasileiras ao longo da Rota Bioceância, além de prestar auxílio aos cidadãos que devem transitar por este novo corredor.
O pedido foi feito por Eduardo Riedel no fim de agosto, quando endereçou ao Ministério das Relações Exteriores. A cidade, segundo Riedel, ocupa posição estratégica na conexão entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Para o governador de Mato Grosso do Sul, uma representação diplomática permanente em San Salvador de Jujuy poderá contribuir para o acompanhamento dos fluxos de transporte de cargas, o apoio às empresas brasileiras que utilizam a Rota Bioceânica e a otimização de procedimentos relacionados ao comércio e ao trânsito internacional.
No pedido, o governador ainda lembra do potencial aumento de fluxo de viajantes na região andina, sobretudo por causa da incrementação do turismo.
“A distância geográfica superior a 900 quilômetros impõe severas barreiras logísticas e custos elevados para o deslocamento de brasileiros residentes e de turistas que necessitam de serviços regulares ou de assistência emergencial em tempo hábil”, destaca Riedel no ofício endereçado ao ministro Mauro Vieira.
No documento, Eduardo Riedel solicita que o Ministério das Relações Exteriores realize estudos de viabilidade técnica e orçamentária para avaliar a criação da nova repartição consular.
A medida, segundo o governador, contribuiria para fortalecer a integração do Cone Sul sul-americano e a presença brasileira na região.
A Rota
O Corredor Bioceânico tem o objetivo de integrar os quatro países que cruza: Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Entre seus principais objetivos está o de criar um novo caminho para interligar portos do Oceano Pacífico, no Chile, a regiões produtores do Brasil e Paraguai.
São nestes dois últimos países que ocorrem as maiores obras para viabilizar a rota: no Brasil, uma nova alfândega e um contorno em Porto Murtinho estão em obra, além da ponte binacional sobre o Rio Paraguai, entre as cidades de Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
Do lado paraguaio, uma rodovia que atravessa o inóspito Chaco está sendo pavimentada. Ela ligará as fronteiras do Paraguai com o Brasil e do Paraguai com a Argentina.
Os caminhos entre Argentina e Chile já estão estabelecidos, mas podem ter sua capacidade ampliada. A rota facilitaria o acesso a cidades como Iquique e Antofagasta, no Chile.
Além do transporte de cargas, a Rota Bioceânica possui um eixo protocolar que precisa ser simplificado para ampliar a integração regional e efetivamente favorecer comércio, turismo, investimentos, intercâmbio cultural e cooperação entre os países envolvidos. A criação de um Consulado-Geral em Jujuy, proposta pelo governador Eduardo Riedel, está relacionada justamente à importância desses trâmites e a relevância que a região passou a ter nesse novo núcleo integrativo.


