A safra de 2025/2026 de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul moeu 52 milhões de toneladas, o que pode fazer com que a produção de etanol chegue a 5 bilhões de litros, o maior número já registrado no Estado.
Mato Grosso do Sul já responde por 13,5% da produção nacional de etanol, especialmente o etanol de milho, que corresponde a 44% de todo o total produzido. Isso coloca o Estado como o 4º maior produtor de etanol do País e o 2º maior produtor de etanol de milho.
Os dados foram apresentados durante a 4ª Expocanas, evento voltado à exposição de tecnologia da cultura da cana-de-açúcar, realizado em Maracaju nesta quinta-feira (26).
Com a alta produção do combustível, Mato Grosso do Sul já ocupa a 4ª posição como maior exportador de bioeletricidade do Brasil, sendo visto como um dos principais polos de energia renovável do País.
Além disso, o setor sucroenergético é responsável pela criação direta de mais de 34 mil empregos no Estado.
"A cadeia sucroenergética é uma das bases do nosso crescimento, com forte capacidade de geração de emprego, atração de investimentos e agregação de valor. Quando falamos em bioenergia, estamos falando de um setor que coloca Mato Grosso do Sul na vanguarda da transição energética, com sustentabilidade e competitividade", destacou o secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.
Os resultados da safra são positivos mesmo com um ritmo de recuperação por causa dos fatores climáticos.
"O início da moagem foi mais lento, em função da irregularidade das chuvas, que afetou o avanço da colheita. No meio do ano, a ocorrência de geadas em parte dos canaviais comprometeu o ritmo e o planejamento do corte, uma vez que essas áreas precisaram ser priorizadas. A partir de setembro, a colheita e a moagem avançaram de forma mais consistente e quase metade das usinas entrou em operação em dezembro", contextualizou a Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul).
Acompanhando o ritmo acelerado de crescimento da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Oeste, o açúcar bruto do Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 respondendo por 95,28% das exportações do Estado.
De acordo com o Boletim Casa Rural divulgado em dezembro sobre o setor sucroenergético, divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), somente as exportações de açúcar responderam por um valor de aproximadamente US$ 31,4 milhões. O total das exportações dos produtos sucroenergéticos somou US$ 664,5 milhões.
Usinas de etanol
Durante o evento, foi implantada a primeira planta de biometano da indústria Atvos em Mato Grosso do Sul. O projeto é fruto de um investimento de R$ 350 milhões e terá capacidade estimada de produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra.
O biometano produzido será utilizado para abastecer a própria frota da companhia, substituindo o diesel nas operações. A meta da empresa é converter, pelo menos, 50% dos consumos das unidades em Eldorado, Santa Luzia e Conquista do Portal para o uso do gás renovável.
"Trata-se de um projeto inovador de transição energética para o biometano para 28 milhões de metros cúbicos que vão substituir 25 milhões de litros de diesel ao ano. A empresa vai substituir todos seus caminhões de diesel para biometano. É assim que se faz transição energética. Com inovação, novas tecnologias, desenvolvimento econômico. É o MS fazendo seu eixo de desenvolvimento na transição energética", ressaltou Verruck.
Parte da produção de biometano poderá, futuramente, atender os municípios em volta. Essa prática faz parte das ações voltadas às políticas de descarbonização e a meta de tornar Mato Grosso do Sul um estado de carbono neutro até 2030.
Desde 2023, a Atvos já havia anunciado um plano de investimento de cerca de R$ 3 bilhões para os próximos três anos no Estado voltados para a ampliação agrícola, modernização industrial e expansão da base produtiva, sendo por volta de R$ 1 bilhão direcionado para a modernização da linha de produção e o aumento da produtividade de cana-de-açúcar.
Atualmente, a empresa mantém três polos de produção em Mato Grosso do Sul: a Santa Luzia, a Unidade Eldorado, em Rio Brilhante, e a Unidade Costa Rica, em Costa Rica. Em média, são 4 mil pessoas empregadas diretamente no Estado.


