Mato Grosso do Sul não deve aderir à greve dos caminhoneiros, se confirmada, motivada pela alta do preço do diesel em todo o País. Mesmo assim, a categoria afirma que há um movimento de indignação com a elevação dos preços.
A disparada do combustível motivada pela Guerra motivou uma ideia de paralisação dos caminhoneiros especialmente do porto de Santos e em Santa Catarina.
A greve estava confirmada para iniciar na terça-feira, mas após um pedido de reunião feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTLL) e os caminhoneiros de todos os portos do País, foi adiada e ainda está incerta.
Nesta quinta-feira (19), uma assembleia foi convocada, com previsão de início às 16 horas (de Brasília), para que os caminhoneiros decidam sobre a paralisação nos próximos dias.
Em conversa com o Correio do Estado, o diretor-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística em Mato Grosso do Sul (Setlog), Cláudio Cavol, afirmou que, embora a greve não chegue no Estado, há uma indignação de todo o segmento com a alta do diesel.
"Sabemos que existe uma guerra, todo mundo está vendo isso, mas ao mesmo tempo sabemos comparar o óleo diesel de países onde o PIB é bem menor que o Brasil, como Paraguai e Bolívia e o diesel está bem mais barato do que aqui, fica meio difícil entendermos a matemática das coisas", comentou.
Cavol também ressaltou que parte desse aumento poderia ser contido com a diminuição da carga tributária do óleo diesel.
"Acredito que seja o momento dos governos reduzirem a carga tributária em cima do óleo diesel, os insumos que o transporte rodoviário de cargas tem é muito pesado, para que isso não seja totalmente repassado ao consumidor que, mais uma vez, irá sofrer com isso".
Na última quarta-feira (18), os Secretários da Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal se reuniram com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para discutir medidas relacionadas ao imposto incidente da importação do diesel.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil vem de fora, fazendo com que o preço acompanhe as oscilações do mercado.
A proposta do Ministério da Fazenda foi de uma redução temporária do ICMS sobre a importação do combustível até o dia 31 de maio. A medida prevê uma renúncia estimada em R$ 3 bilhões por mês, sendo R$ 1,5 bilhão arcado pela União e R$ 1,5 bilhão arcado por cada estado.
A medida está em análise em cada Estado e sua aprovação depende da avaliação dos governadores. O tema deve avançar em debate até o dia 27 deste mês, quando está prevista uma reunião presencial em São Paulo, onde deve ser dada a decisão final.
Medidas federais
Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto presidencial zerando as alíquotas do PIS e do Confins sobre a importação e comercialização do diesel em caráter temporário (até o dia 31 de dezembro deste ano), justificada pela alta do petróleo causada pela guerra no Irã.
Além disso, a própria Petrobrás reajustou o óleo diesel nas refinarias em R$ 0,38 após as medidas do governo. No entanto, em muitos postos do Brasil, inclusive em Mato Grosso do Sul, a redução no valor do combustível não chegou às bombas, com o litro chegando até a R$ 7,80 no Estado.
O aumento do valor do combustível afeta diretamente os custos da atividade de frete, que também aumenta. Com isso, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para reforçar o cumprimento da tabela do piso mínimo do frete.
As medidas foram anunciadas em meio à pressão crescente dos caminhoneiros, descontentes com a alta do diesel e o descumprimento do piso do frete como fatores que inviabilizam o transporte de cargas. De acordo com dados da ANP, o aumento do preço do combustível elevou entre 4,8% e 7% os valores mínimos do frete.


