Economia

VOCAÇÃO

Três Lagoas é o exportador bilionário de Mato Grosso do Sul: US$ 1,08 bilhão em 7 meses

A celulose é o principal produto da pauta, mas existe a participação da soja esmagada e da indústria têxtil, juntando malharia e calçado

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O município de Três Lagoas, localizado na região do Bolsão e na divisa com o Estado de São Paulo, é o maior exportador de Mato Grosso do Sul.

No período de janeiro a julho deste ano, as exportações chegaram US$ 1,08 bilhão. Este número é 9,3% maior que o exportado ano passado, quando o valor ficou em US$ 996,4 milhões.

Apesar variação ser positiva e significativa, a participação nas exportações – que continua bem superior aos demais municípios – caiu um pouco.

Segundo informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), nos primeiros sete meses do ano passado, a participação de Três Lagoas nas exportações era de 34,5%. Este ano, a participação caiu para 31,9%.

 

Fernando Jurado, presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas (ACITL), destaca que Três Lagoas não é somente a capital mundial da celulose.

De acordo com o empresário, Três Lagoas já exporta soja esmagada e, mais recentemente, passou a comercializar – para o mercado externo - malharia e calçados, deixando nítido que há uma indústria têxtil em franca expansão.

“A verdade é que a cidade exporta produtos industrializados. A tendência é de elevação das exportações nos próximos meses e anos. Estamos trabalhando muito para isso”, disse Fernando Jurado.

A celulose foi responsável por US$ 865 milhões em exportações no período entre janeiro e julho deste ano. Outros US$ 224 milhões vêm da soja e indústria têxtil.

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câmbio

Dólar tem ligeira queda com acordo EUA-Irã no radar, mas segue na casa dos R$ 5

Depois de tocar mínima a R$ 4,9833, a moeda norte-americana recuperou parte do fôlego na última hora de negócios, em sintonia com o ambiente externo, e encerrou o dia cotada a R$ 5,0012, em baixa de 0,04%

21/05/2026 22h00

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O dólar perdeu força ao longo da tarde desta quinta-feira, 21, com a diminuição da aversão global ao risco, após informações de que Estados Unidos e Irã estariam perto de um acordo de paz, e flertou com o fechamento abaixo da marca de R$ 5,00 pela primeira vez em dois pregões.

Depois de tocar mínima a R$ 4,9833, a moeda norte-americana recuperou parte do fôlego na última hora de negócios, em sintonia com o ambiente externo, e encerrou o dia cotada a R$ 5,0012, em baixa de 0,04%. A divisa apresenta queda de 1,31% na semana, mas ainda sobe 0,98% em maio, após desvalorização de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,89%.

Segundo relato da Al Arabiya, plataforma de notícias sediada nos Emirados Árabes Unidos, EUA e Irã teriam alcançado uma versão final de um entendimento preliminar mediado pelo Paquistão. Com anúncio previsto para as próximas horas, o documento traria um cessar-fogo imediato e abrangente, com liberação do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

"O alívio externo, principalmente nos juros longos americanos, ajudou a conter a força global do dólar e permitiu ao real sustentar oscilações próximas ao patamar de R$ 5,00", afirma o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, ressaltando que as informações veiculadas até o momento são "insuficientes" para justificar uma melhora maior do apetite ao risco.

Pela manhã, dados fortes de atividade nos EUA e informações desencontradas sobre as tratativas de paz deprimiram o apetite por divisas emergentes. O mercado de câmbio abriu em tom negativo com a notícia de que o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, teria barrado a retirada de urânio enriquecido do país, opondo-se a uma das principais exigências americanas para encerrar a guerra. Autoridades iranianas refutaram as informações, enquanto Trump disse que os Estados Unidos vão receber os estoques de urânio enriquecido do Irã.

O vaivém das notícias sobre as tratativas de paz manteve o petróleo em alta de cerca de 3% pela manhã. A troca de sinal veio à tarde, na esteira dos relatos sobre um acordo iminente entre as partes. O contrato do barril do Brent para julho - referência de preços para a Petrobras - fechou em baixa de 2,32%, a US$ 102,58. As cotações reduziram bastante as perdas no pregão eletrônico, diante da ausência de detalhes sobre o eventual acordo.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ressalta que investidores se assustaram com a alta dos juros globais nos últimos dias e promoveram uma realização de lucros com divisas emergentes. Houve também o solavanco provocado pelo "Flávio Day 2.0", que turbinou os efeitos do cenário externo adverso sobre a moeda brasileira.

"Se tivermos um acordo de paz, podemos ver o dólar voltar ao patamar de R$ 4,80. A perspectiva de regularização dos fluxos globais de petróleo traz alívio no risco de inflação que estava assustando muito os mercados", afirma Galhardo, ressaltando que a moeda brasileira tende a se manter atraente com a perspectiva de manutenção de juros elevados nos próximos meses, dada a postura cautelosa do Banco Central na redução da taxa Selic.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em leve alta à tarde, na casa dos 99,100 pontos, após máxima aos 99,515 pontos pela manhã O euro segue na berlinda diante de sinais de perda de força da atividade na região, que é mais exposta ao choque dos preços de energia.

As taxas dos Treasuries de 10 e 30 anos apresentaram leve queda, ao passo que o retorno do papel de 2 anos subiu. Investidores ainda digerem o tom mais duro da ata do Federal Reserve, divulgada na quinta-feira, e aguardam na sexta-feira a posse de Kevin Warsh na presidência do Fed. As apostas em alta de juros pelo BC americano neste ano voltaram ao radar nos últimos dias.

Em relatório, o BTG Pactual ressalta que o real ainda se mantém como principal destaque positivo entre moedas emergentes em 2026, apesar de ter perdido parte do fôlego recentemente. O banco ressalta que a moeda brasileira se mostra mais sensível que seus pares ao vaivém do sentimento global de risco. "O ponto-chave de atenção é que, com ganhos anuais ainda significativos, choques negativos tendem a desencadear uma realização de lucros mais rápida do que em moedas que ficaram para trás", afirma o BTG.

Logística

Governo federal deve aportar R$ 3,6 bilhões na ferrovia Malha Oeste

Ferrovia em MS e SP será leiloada novamente; Rumo, atual concessionária, sucateou estrutura da via

21/05/2026 20h21

Malha Oeste foi sucateada pela Rumo; após licitações fracassadas, terá dinheiro federal

Malha Oeste foi sucateada pela Rumo; após licitações fracassadas, terá dinheiro federal Paulo Ribas

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O Governo federal deve aportar R$ 3,6 bilhões na Ferrovia Malha Oeste para recuperar a linha férrea abandonada pela Rumo.

O recurso só vai ser liberado ao ganhador do leilão, a ser realizado no segundo semestre, caso manifeste interesse em operar o trecho de Corumbá (MS) a Mairinque (SP) ou a Bauru (SP). Caso haja interesse apenas no trecho entre Corumbá e Três Lagoas, não haverá acesso ao dinheiro.

Esta foi a decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que aprovou hoje os estudos técnicos, os documentos jurídicos e o Plano de Outorga da concessão da Malha Oeste ferroviária. Com a aprovação, o projeto será encaminhado ao Ministério dos Transportes para aprovação do Plano de Outorga. Após esse passo, seguirá para análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A diretoria da ANTT decidiu que os R$ 3,6 bilhões dos cofres públicos serão repassados ao concessionário caso ele modernize e opere o trecho de Corumbá a Mairinque ou a Bauru. Já se houver interesse somente no trecho Corumbá–Três Lagoas, não haverá aporte de recursos federais.

O Ramal de Ponta Porã poderá ser incorporado ao objeto da concessão por conta e risco do vencedor do leilão. Os repasses ocorrerão de forma escalonada, com desembolsos anuais de até R$ 500 milhões, mecanismo que busca garantir previsibilidade fiscal e continuidade dos investimentos ao longo do contrato de concessão.

Esse valor representa cerca de 10% dos R$ 35,7 bilhões dos custos estimados pelo Ministério dos Transportes, divulgados em novembro do ano passado, que a concessionária terá de investir em locomotivas, trilhos, vagões e outros bens. A estimativa divulgada era de que deveriam ser aplicados R$ 35,7 bilhões em infraestrutura pelo vencedor do certame.

A pasta também havia divulgado que seriam necessários mais R$ 53,5 bilhões na operacionalização — manutenção e veículos —, totalizando R$ 89,2 bilhões ao longo de 57 anos de concessão para garantir o funcionamento da linha férrea.

Na votação de hoje, o relator do processo, o diretor Lucas Asfor, afirmou que a minuta aprovada tem “previsão de mecanismos voltados ao aumento da atratividade do projeto, incluindo a possibilidade de aportes públicos destinados a investimentos em bens reversíveis (equipamentos), além da adoção de soluções regulatórias que ampliam a viabilidade econômico-financeira do empreendimento e favorecem a competitividade do certame”.

A licitação da Malha Oeste ocorrerá após o Ministério dos Transportes tentar a relicitação com a atual concessionária, a Rumo. Porém, o processo foi barrado pelo TCU em maio do ano passado, ao entender que a proposta daquela época previa a devolução de 1,6 mil quilômetros da ferrovia, com a Rumo ficando com cerca de 500 quilômetros.

O ministro do TCU Aroldo Cedraz, relator do processo, considerou que a proposta não se encaixava como relicitação, já que mudaria toda a concessão, determinando a realização de um novo certame.

Com aproximadamente 1.625 quilômetros de extensão, a Malha Oeste conecta os municípios de Mairinque (SP) e Corumbá (MS). A linha férrea é vista pelo Governo federal como um corredor logístico estratégico para o escoamento de cargas do Centro-Oeste brasileiro e para a integração com países vizinhos, como Bolívia e Paraguai.

Porém, nos últimos anos, a ferrovia foi abandonada pela Rumo, que deixou de fazer o transporte de cargas. A estrutura também prevê conexão com o Porto de Santos e possível integração futura aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo por meio do Ferroanel, como investimento adicional.
 

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