As tarifas do fornecimento de gás em Mato Grosso do Sul vão sofrer uma leve redução no próximo mês.
A MSGás, companhia fornecedora de gás no Estado, anunciou uma diminuição nos valores do fornecimento do gás natural para segmentos estratégicos do mercado. Essa alteração acontece por causa da diminuição no preço da molécula de gás natural praticado pela Petrobras.
A partir do dia 1º de fevereiro, o valor do gás industrial deve reduzir 2,5%. Já para o Gás Natural Veicular (GNV) a redução deve ser maior, de 5,5%, trazendo benefícios para veículos e frotas. Para o Gás Natural Comprimido (GNC), a queda deve ser de, aproximadamente, 4%.
Segundo a companhia, a redução segue o recuo dos preços do combustível pela Petrobras, seguindo os contratos de suprimentos e a regulação vigente.
Dessa forma, incentiva a “competitividade dos setores atendidos e o desenvolvimento econômico do Estado”, afirmou em nota.
As tarifas não mudam, por enquanto, para quem usa o gás em casa ou no comércio. Os segmentos comercial, residencial e cogeração permanecem com tarifas inalteradas até o momento.
Estes setores operam com o mecanismo de conta gráfica, que é o que permite uma compensação futura das variações de custos, garantindo a previsibilidade e estabilidade nas tarifas para os consumidores.
Queda da importação
A redução das tarifas aparecem em um período difícil economicamente em Mato Grosso do Sul, marcado pela queda na arrecadação por causa da diminuição da importação de gás natural.
Como já noticiou o Correio do Estado, no acumulado de 2025, o total de gás importado pelo Estado registrou retração superior a 30%, enquanto em 2024, a queda foi de 11,1% em relação ao ano anterior.
Essa diminuição foi reconhecida pelo governador Eduardo Riedel, que analisou que a redução do volume de gás importado tem impactado a arrecadação estadual.
“A crise de receita do Estado está vinculada à diminuição do volume de gás importado da Bolívia. Porque esse ICMS é integral de Mato Grosso do Sul. Nós vamos fechar 2025 com R$ 1,2 bilhão de arrecadação a menos pela diminuição do [volume de] gás”, afirmou Riedel em entrevista ao Correio do Estado.
Além do impacto direto, há reflexos indiretos na indústria, que depende do gás como insumo e acaba reduzindo produção e investimentos.
O cenário tende a se agravar nos próximos anos. Conforme já alertou o Correio do Estado, a importação de gás da Bolívia pode ser encerrada até 2030. Para Riedel, a perspectiva exige planejamento.
“Nós já estamos trabalhando em alternativas, conversando com as empresas, conversando sobre o fluxo de gás invertido, se possível for. A MSGás e o secretário Jaime [Verruck] têm buscado discutir com o mercado de gás toda essa situação. E, claro, a rede de gás está consolidada no Estado e em ampliação, e essa rede será utilizada”, disse Riedel sobre a perspectiva do fim do fornecimento do gás boliviano até 2030.
Diante desse contexto, o governo passou a apostar no gás argentino como alternativa estratégica. A possibilidade de importação a partir da Argentina é vista como uma chance de recompor parte das perdas acumuladas ao longo da última década.

