Cidades

INQUÉRITO POLICIAL

Ex-promotor quer impedir investigação do Ministério Público em quadra de beach tênis

MPMS tentou suspender apresentações musicais e atividades de entretenimento do estabelecimento, mas teve seu pedido indeferido pela Justiça

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A empresa Morena Esporte LTDA entrou com pedido de Habeas Corpus Criminal, na 5ª Vara de Campo Grande, para trancar o inquérito policial da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (DECAT), instaurado para apurar o suposto crime de poluição sonora. O estabelecimento fica na rua João Fernandes Vieira, no bairro Vilas Boas, na Capital. 

Os gestores, Lidiane de Oliveira Vicente e Lúcio Flávio Ferreira da Souza, são representados pelos advogados Tales Graciano Morelli e  Esacheu Cipriano Nascimento, ex-promotor de justiça. Moradores de um condomínio residencial vizinho reclamam constantemente do barulho das bolas de padel, vozes dos jogadores e música do estabelecimento que funciona de segunda à domingo, das 10h às 22h.

A defesa alega que o inquérito é uma tentativa abusiva de investigar fatos que já são objetos de uma ação penal anterior. Eles alegam que a instauração desse IP, movido pelo Ministério  Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), é ilegal e abusa do poder.

De acordo com os advogados, é ilegal porque a evidência que dá suporte à instauração do inquérito foi produzida unilateralmente pelo MPMS, por meio de vistoria técnica da DAEX (Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução), em hipótese de prova irrepetível e sem cadeia de custódia.

O abuso de poder porque a vistoria foi produzida pelo MPMS ao invés da Polícia Judiciária, além da ocultação por parte do órgão ministerial de prova técnica produzida pela Polícia Militar Ambiental (PMA), a qual comprova que não houve crime de poluição sonora. 

Quanto aos fatos que embasaram o IP, a defesa alega que, pelo DAEX ser um órgão interno do MPMS, não possui imparcialidade nem independência técnica necessárias para a produção de provas técnicas em investigações criminais, especialmente quando comparado a órgãos como à Polícia Ambiental, que produziu prova em sentido contrário ao pretendido pelo Ministério Público.

A segunda alegação é que as medições de ruído foram realizadas pelo DAEX nas residências dos vizinhos, sem notificação ou convite aos representantes legais da Morena Esportes para acompanhamento do ato, de modo que não houve meio de questionar a metodologia empregada para a medição e coleta de dados.

O terceiro ponto da defesa trata-se do laudo produzido pelo órgão do MP como “prova” irrepetível, cuja reprodução em juízo, sob o crivo do contraditório, é impossível, o que reforça a necessidade de que tivesse sido produzido pela polícia investigativa competente.

Além disso, a Morena Esportes afirma que o MPMS denunciou o estabelecimento pelo mesmo crime nos autos da ação penal, onde o juízo determinou a realização de Acordo de Não-Persecução Penal (ANPP) após constatar que a proposta anteriormente oferecida pelo MP, de proibir o uso de som mecânico, era desproporcional, pretendendo o órgão ministerial nessa ação até mesmo a completa interdição da empresa.

Quinto ponto: nessa mesma ação penal, o mesmo Ministério Público requisitou a produção de laudos de medição sonora pela PMA, que, em duas oportunidades, constataram não haver irregularidades ou violações aos limites legais estabelecidos para horário e zona de ocupação, bem como que a empresa em nenhuma das vistorias excedeu os níveis de pressão sonora.

Por último, a defesa afirma que na ação penal, o Ministério Público ocultou esses relatórios produzidos pela Polícia Militar Ambiental, e não se conformou com a determinação do juízo para o retorno dos autos para ANPP.

Os advogados entendem que a solicitação de um terceiro laudo e dessa vez por equipe interna do Ministério Público para abertura do inquérito é uma evidência de comportamento persecutório, de parcialidade, pessoalidade e de interesse insistente na incriminação da empresa.

Decisão do juiz

O Ministério Público propôs o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), impondo que a quadra de esportes não emitisse nenhum tipo de som mecânico e nem tivesse música ao vivo. Os réus não concordaram com os termos, alegando que tal medida impactaria a atividade econômica e a licença estava apta para realização de eventos como estes. Além disso, afirma que as vistorias técnicas da PMA não mostraram qualquer irregularidade ou crime de poluição sonora.

Em resposta à recusa dos investigados, o MPMS esclarece que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que o acordo somente pode ser celebrado quando o órgão ministerial considerar atendidos os requisitos legais, não cabendo ao réu exigir a modificação de cláusulas ou impor condições.

Diante deste imbróglio, o juiz de direito Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª vara criminal de Campo Grande, reconsiderou a decisão e determinou a remessa dos autos à Procuradoria-Geral de Justiça, para que esta reavaliasse a proposta de ANPP, especialmente quanto à adequação e proporcionalidade das condições impostas. Desta forma, a Morena Esportes não precisaria cumprir com as imposições do Ministério Público.

Um outro pedido do MPMS foi solicitado à Justiça, tratando-se da aplicação de medida cautelar de interdição judicial na empresa Morena Esportes. Entre as exigências estavam:

  • a suspensão de apresentações musicais e atividades de entretenimento/ruidosas;
  • proibição de eventos,
  • acompanhamento por órgãos fiscalizatórios,
  • apresentação de plano de adequação,
  • juntada de mídias, entre outras medidas.

O juiz, porém, indeferiu esta solicitação, considerando tal ato "manifestamente excessiva" por parte do MPMS. Ele entende que aprovar esta ação impactaria intensamente o exercício econômico da empresa, e que para isto precisava apoiar-se em provas suficientes, contemporâneas e objetivas, especialmente quando a imputação demanda verificação técnica, como no caso, a verificação dos níveis de pressão sonora e enquadramento normativo aplicável.

Além disso, consta dos autos principais documentos técnicos oficiais elaborados pela PMA, em diligências requisitadas pelo próprio MPE e voltadas justamente à averiguação de poluição sonora, inclusive em pontos indicados por reclamantes e com utilização de sonômetro calibrado e observância de procedimento técnico. Nestas visitas não foram constatados níveis de ruído acima dos limites estabelecidos

Ademais, o alvará e licença especial de funcionamento do empreendimento está apto a funcionar com oferecimento de entretenimento proporcionado por música ao vivo ou não.

Por outro lado, como medida temporária até que seja realizada a audiência de instrução e julgamento no dia 29 de abril, o juiz impôs ao estabelecimento cautela adicional no exercício de atividades que envolvam emissão de ruídos, sobretudo no período noturno.

Nesse sentido, o juiz estabeleceu a restrição de uso de som mecânico e/ou música ao vivo após as 20h. Essa medida preserva a atividade econômica do empreendimento, ao mesmo tempo em que resguarda o ambiente sonoro noturno do condomínio vizinho e demais moradores da região. 

Vistorias técnicas da DAEX e PMA

Em dezembro de 2025, o MPMS, por meio do DAEX, fez uma vistoria técnica no local para inspecionar o volume do som. Com o emprego do sonômetro constataram que a Morena Esporte estava causando poluição sonora, acima do permitido em lei, enquanto realizava as atividades de beach tênis e padel.

Com isso, a promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro solicitou a instauração do Inquérito Policial para apurar a prática criminosa de poluição sonora, contra a empresa.

A equipe técnica realizou as medições e avaliações dos níveis de pressão sonora no interior dos apartamentos da Sra. Selma Marchesi, no condomínio residencial Vilas Boas e outros apartamentos, como da Sra. Madalena Brauner, Marco Antônio de Melo, José Ivan Vila e Gabriela Braga, e também nos corredores do estabelecimento.

A conclusão da vistoria foi que o nível de pressão sonora do som excedeu o valor máximo permitido pela norma (55 dB) em todos os pontos de medição. 

Conclui que a empresa ocasionava poluição sonora em decorrência das atividades desenvolvidas (jogos de Beach Tennis e Padel).

Recomendaram o adequado isolamento acústico do estabelecimento em questão, bem como a instalação de tela ou rede apropriada, para evitar o impacto das bolas contra a parede de zinco localizada perto do terreno do condomínio, para não comprometer o sossego público nem cause incômodo à vizinhança.

Em outras ocasiões, especificamente no dia 1° de outubro de 2025 e 2 de dezembro, a Polícia Militar Ambiental (PMA) também fez vistorias técnicas com uso do equipamento sonômetro e relatou que nenhuma das medições registrou níveis acima dos limites estabelecidos para a região.

Ressaltou que, apesar das queixas recorrentes relatadas por moradores do residencial vizinho, o barulho não caracterizou crime de poluição sonora durante as medições e, por isso, não foram constatadas irregularidades e violação aos limites legais estabelecidos para o horário e a zona de ocupação.

Uma das moradoras que reclamaram dos sons das quadras de padel e beach tennis, a dona Selma informou que não adiantava a equipe policial se deslocar até o local, pois sempre que as autoridades comparecem in loco, coincidentemente o pessoal do estabelecimento fica em um silêncio total. Ela também afirma que o som do giroflex faz com que os resposáveis pelo local diminuam o barulho antes da polícia chegar.

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Estatística

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

08/09/2026 19h00

Divulgação/Ministério da Saúde

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O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

Greve na Caixa

Funcionários da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em MS nesta quinta

Paralisação começa após trabalhadores rejeitarem proposta de acordo coletivo; em todo o País, 93 bases sindicais aprovaram greve por tempo indeterminado.

08/09/2026 18h29

Agência da Caixa Econômica Federal em Campo Grande; funcionários entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10).

Agência da Caixa Econômica Federal em Campo Grande; funcionários entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10). Foto: Arquivo Correio do Estado.

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Os funcionários da Caixa Econômica Federal que integram a base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, que abrange a Capital e outros 27 municípios, entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10).

A paralisação foi definida após a categoria rejeitar, por ampla maioria, a proposta apresentada pelo banco público para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

Entre as principais reivindicações dos empregados estão melhorias no Saúde Caixa, valorização profissional, melhores condições de trabalho e avanços relacionados à Funcef, fundo de pensão dos funcionários.

A categoria também reivindica mudanças em questões ligadas à remuneração e à carreira, além de medidas de prevenção e combate ao assédio no ambiente de trabalho.

Outro ponto defendido pelos trabalhadores é a preservação de direitos previstos no acordo coletivo. Segundo as entidades representativas, a mobilização busca pressionar a Caixa a apresentar uma proposta que avance nesses pontos e atenda às reivindicações apresentadas durante a negociação.

A decisão foi tomada em assembleia geral virtual realizada nos dias 3 e 4 de setembro. De acordo com o sindicato, 87,5% dos funcionários que participaram da votação rejeitaram a proposta da Caixa, aprofundando o impasse entre os trabalhadores e a instituição financeira.

Diante do resultado, os funcionários aprovaram a retomada das negociações ou a deflagração da greve. Segundo os dados divulgados pela entidade sindical, 47,4% dos votantes apoiaram essa alternativa, com previsão de paralisação das atividades a partir do dia 10 de setembro.

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região publicou nesta terça-feira (8) comunicado oficial informando os usuários dos serviços financeiros e a população em geral sobre a paralisação por prazo indeterminado.

A comunicação foi feita em cumprimento às exigências previstas na Lei nº 7.783/1989, conhecida como Lei de Greve.

Mobilização

Antes do início da greve, os empregados da Caixa foram convocados para uma plenária presencial nesta quarta-feira (9), às 18h, na sede do sindicato, localizada na Rua Barão do Rio Branco, nº 2.652, em Campo Grande.

O encontro terá como objetivo organizar os encaminhamentos para o início da paralisação e definir a estratégia do movimento nas unidades da Caixa abrangidas pela representação sindical.

Em comunicado divulgado no site do sindicato, a presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, Neide Rodrigues, afirmou que, após o resultado da assembleia, os esforços da categoria estão concentrados na organização da greve.

“Para os funcionários da Caixa, o foco agora é a organização da greve. Convocamos todos a comparecerem ao sindicato no dia 9, às 18h, para estruturarmos o movimento, enquanto informamos a sociedade sobre o nosso movimento”, afirmou.

Movimento se espalha pelo país

A mobilização não está restrita à base de Campo Grande e região. Em todo o País, a proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada em 128 bases sindicais. Em 93 delas, os funcionários decidiram iniciar greve por tempo indeterminado.

O cenário amplia a pressão sobre o banco para a retomada das negociações e apresentação de uma proposta que consiga avançar nos pontos reivindicados pelos trabalhadores.

Questionado pelo Correio do Estado sobre quanto tempo a paralisação poderá durar, o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região afirmou que não é possível estabelecer uma previsão, justamente porque a greve foi aprovada por tempo indeterminado.

Segundo a entidade, a mobilização tem como objetivo pressionar a Caixa por melhores propostas e por avanços nas negociações do acordo coletivo. Dessa forma, a duração do movimento dependerá do andamento das tratativas entre o banco e os representantes dos trabalhadores.

Caixa foi a única a rejeitar a proposta

O resultado entre os empregados da Caixa destoou das votações realizadas para outras instituições financeiras abrangidas pela rodada de negociações.

Entre os bancos privados, a proposta negociada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi aprovada por 72,1% dos votos. No Banco de Brasília (BRB), houve aprovação por unanimidade, enquanto os empregados do Banco do Brasil aprovaram o acordo com 51,7% dos votos.

Na Caixa, por outro lado, 87,5% dos participantes votaram pela rejeição da proposta, fazendo com que a negociação avançasse para a possibilidade de paralisação.

A greve ocorre durante as tratativas para renovação das normas que regem as relações de trabalho da categoria. No caso dos empregados da Caixa, além da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários, há um Acordo Coletivo de Trabalho específico para os funcionários da instituição.

Com a rejeição da proposta apresentada pelo banco, a categoria busca a retomada das negociações. Caso não haja entendimento antes de quinta-feira, a previsão anunciada pelo sindicato é de que a greve seja iniciada sem prazo determinado para terminar.

Impacto nas agências

A paralisação poderá afetar o atendimento presencial nas agências que tiverem adesão dos funcionários, mas a abrangência do movimento ainda dependerá da participação dos trabalhadores.

Ao Correio do Estado, o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região informou que ainda não é possível estimar quantos funcionários da Caixa irão aderir à paralisação.

Segundo a entidade, a adesão à greve é voluntária, cabendo ao sindicato organizar o movimento, prestar apoio aos trabalhadores e cuidar dos procedimentos necessários para a realização da paralisação.

Dessa forma, o número de empregados que efetivamente cruzarão os braços e a quantidade de agências que poderão ter o atendimento afetado só deverão ser conhecidos a partir do início da greve.

O que diz a Caixa

Procurada pelo Correio do Estado, a Caixa Econômica Federal informou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e que segue empenhada na busca por uma solução para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Segundo o banco, as negociações são conduzidas com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade dos serviços prestados à população.

A Caixa, no entanto, não informou se haverá uma nova rodada de negociação antes do início da greve, previsto para quinta-feira (10), nem detalhou quais medidas serão adotadas para minimizar eventuais impactos no atendimento aos clientes durante a paralisação.

Leia na íntegra a nota do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região:

Os empregados da Caixa Econômica Federal da base do Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região iniciam greve por tempo indeterminado a partir de quinta-feira (10/9). A decisão foi tomada em assembleia geral virtual realizada nos dias 3 e 4 de setembro, onde os empregados rejeitaram, com 87,59% dos votos, a proposta do banco público para renovação do do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico e da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria.

Leia na íntegra a nota da Caixa Econômica Federal:

A CAIXA informa que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue empenhada na construção de uma solução para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), pautada pela valorização dos empregados, pela sustentabilidade da instituição e pelo compromisso com a continuidade dos serviços prestados à sociedade.

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