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TRÂMITES

Venda de fábrica de fertilizantes de Três Lagoas deve ser concluída em novembro

Petrobras reiniciou o processo de comercialização da subsidiária, localizada em Três Lagoas, no início deste ano
05/10/2020 10:00 - Súzan Benites


Em fevereiro, a Petrobras anunciou a retomada no processo de venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), localizada em Três Lagoas. 

A novela da negociação deve ter um fim no próximo mês. De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, o cronograma já está atrasado.  

“A Petrobras tem nos informado, mas sem muitos detalhes. E o cronograma correto já está atrasado do inicialmente previsto, que até o final de setembro a gente já tivesse a proposta vinculante, mas dentro do cronograma a ideia é que até o mês de novembro seja concluída”, disse Verruck ao Correio do Estado.

O secretário ainda avalia que o processo segue em trâmites normais. 

“A informação que a Petrobras tem nos passado é que continua dentro do cronograma para que até o final do mês de outubro eles consigam fazer a análise de proposta, para que em novembro possam anunciar, se assim a tiver, a empresa vencedora do certame”, destacou Verruck.

Tentativa frustrada de venda começou em 2018

A venda da fábrica tem sido uma novela. As obras foram paralisadas em dezembro de 2014, com 83% já concluídas, por ilegalidades apontadas pela Operação Lava Jato.  

Em 2018, a subsidiária da Petrobras foi colocada em processo de venda, junto da Araucária Nitrogenados (Ansa), na Região Metropolitana de Curitiba. 

Conforme informado ao Correio do Estado, na época, a comercialização em conjunto dificultou a concretização do negócio.  

Em agosto do ano passado a gigante russa de fertilizantes Acron selou acordo para a compra da empresa. 

Com a concretização da compra das ações pelos russos, as obras do empreendimento estavam programadas para começar em 2020.  

Conforme o cronograma divulgado pelo governo do Estado, a finalização das tratativas deveria ter sido concluída em agosto, posteriormente em outubro e findou com o anúncio da Petrobras, no dia 26 de novembro, de que o negócio não foi concluído.  

O principal motivo para que o contrato não fosse firmado foi a crise boliviana que culminou na queda do ex-presidente Evo Morales. 

Além de ser o fornecedor oficial do gás natural – matéria-prima para o funcionamento da fábrica –, a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) era sócia com 12% do negócio, com opção de ampliar a participação para 30%.

Segundo o titular da Semagro a crise na Bolívia foi o grande entrave para o fechamento do negócio, mas o fato de a venda ser em conjunto e a matéria-prima não ser fornecida pela Petrobras também influenciaram no interrompimento das negociações.

Novas tratativas  foram iniciadas em fevereiro

Em nova oportunidade, anunciada em fevereiro, a venda da unidade é realizada de forma individual, e não de forma conjunta. 

A expectativa é que desta maneira mais compradores entrem na briga. O preço não foi divulgado pela Petrobras, mas o potencial comprador, depois de se enquadrar em todos os critérios de compliance (não estar inscrito em cadastros negativos nacionais e internacionais e nem envolvimento com corrupção) deverá ter capital superior a US$ 600 milhões (R$ 3,39 bilhões).

No início do ano, o secretário Jaime Verruck disse ao Correio do Estado que a venda casada das duas fábricas de fertilizantes teria atrapalhado o negócio.

 “Quando não saiu a venda da UFN3, sempre falei que a Ansa foi o que atrapalhou. Ninguém quer comprar uma empresa boa e uma ruim. O volume que ela produz [de ureia] perto do volume importado é muito pequeno”, disse o secretário na ocasião.  

Fornecimento de gás pode estar incluído

O Bradesco BBI será o responsável pela operação envolvendo a venda da UFN3, subsidiária que é 100% da Petrobras. 

Conforme o sumário executivo entregue ao mercado, a estatal destaca que a conclusão da unidade é de responsabilidade do potencial comprador. Conforme a empresa, a planta tem 80% de espaço físico concluído.

Já o contrato de fornecimento de gás natural poderá ser negociado com a Petrobras no âmbito de transação. A UFN3 consumirá, por dia, pelo menos 2,3 milhões de m³ de gás natural. 

A condição aberta pela estatal indica que ela deve continuar no mercado de distribuição no Gasoduto Bolívia-Brasil. Na transação com a Acron, o gás seria fornecido pela YPFB, que compraria de sua matriz na Bolívia.

Segundo o governo do Estado, a empresa russa novamente demonstrou interesse em concluir o negócio na oportunidade.

Subsidiária começou a ser construída em 2011

As obras da UFN3 tiveram início em 2011. Inicialmente, a unidade integrava um consórcio composto por Galvão Engenharia, Sinopec (estatal chinesa) e Petrobras. 

No início da década passada, quando foi lançada, a planta estava orçada em R$ 3,9 bilhões. 

Depois da Operação Lava Jato, em que os responsáveis pela Galvão foram alvo de delações premiadas, e foram envolvidos em denúncias de corrupção, as obras pararam. 

A Petrobras absorveu todo o empreendimento e acabou ficando com a parte das outras integrantes do consórcio.