Esportes

Copa do Mundo

Partida do Brasil é adeus de estádio que foi a menina dos olhos do Qatar

O 974 será 100% desmantelado a partir de 19 de dezembro, dia seguinte ao término da competição

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Quem acessa o estádio 974 pela estação de metrô Ras Abu Aboud enxerga a mensagem de boas-vindas pintada em um contêiner.

É a 974ª estrutura metálica usada na construção do estádio 974, a arena que representa toda a mensagem que o Qatar deseja passar ao sediar a Copa do Mundo deste ano.

Ele recebeu sete partidas do torneio. A última foi nesta segunda-feira (5), a vitória por 4 a 1 do Brasil sobre a Coreia do Sul, pelas oitavas de final.

Não foi apenas a despedida do torneio. Foi o derradeiro jogo no local. Única do Mundial que não teve divulgado o custo de construção, a arena será 100% desmantelada a partir de 19 de dezembro, dia seguinte ao término da competição.

É o primeiro estádio desmontável usado na Copa do Mundo.

Para ajudar no marketing do evento, foi divulgada a utilização de 974 contêineres na estrutura. Trata-se do código de discagem direta internacional do Qatar. Desenhado pelo estúdio espanhol Fenwick Irribarren, o estádio tentava passar mensagem de sustentabilidade, modernidade, uso inteligente dos recursos e colaboração com países em desenvolvimento.

Todos os estádios construídos ou reformados no Qatar tentam passar, na teoria, uma mensagem. Seja referência à cultura ou à história do país. Alguns resultaram em polêmica involuntária. O Al Janoub, em que o teto simula um véu, causou desconforto na organização da Copa porque começou a ser comparado nas redes sociais com a genitália feminina.

O 974 era, para o Supremo Comitê da Entrega e Legado, responsável por realizar o Mundial, a menina dos olhos.

Reprodução: Twitter

Os contêineres remetem ao porto próximo. O arrojo do desenho é a modernidade do projeto Qatar 2030, um plano para transformar a nação em um polo turístico, mais influente na geopolítica mundial, e acabar com a imagem de território que apenas extrai petróleo e gás natural.

Na onda da sustentabilidade, o país procura mostrar com o 974 que colabora com o meio ambiente. Edifícios e grandes estruturas são responsáveis por 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

As peças da arena desmontável serão usadas em uma obra de infraestrutura (talvez até um novo estádio) a ser realizada em outro local. Uma das possibilidades é o Uruguai, caso avance a ideia de o país sul-americano se candidatar para abrigar a Copa de 2030. Outra é um país africano.

Todo esse esforço e o gasto de milhões foram por marketing, imagem, geopolítica e para receber sete partidas.

Apesar do pouco uso, a arena causou furor durante a Copa. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentou reclamação à Fifa (Fededação Internacional de Futebol) por causa do gramado. A entidade concordou que o campo deixou a desejar.

A seleção de Tite não foi a única.

"O campo está muito irregular. A bola fica rápida demais, quica e escapa", queixou-se o volante argentino Alexis Mac Allister.

Diferentemente dos outros sete estádios usados no Mundial, o 974 não tinha nenhum sistema de refrigeração artificial. Chegou-se à conclusão de que não faria sentido em uma obra a ser desmontada em tão pouco tempo.

A única arena que será preservada integralmente após a competição será o Khalifa International Stadium.
Com uma liga nacional incipiente, o Qatar começou a construção das estruturas para a Copa já com destino certo para os estádios.

Há o que vai se transformar em hotel de luxo (Al Bayt). Outro será reformulado em área com campos menores, clínicas esportivas e diferentes escolas (Lusail). O Cidade da Edução será doado à Universidade do Qatar e usado pela seleção feminina.

Al Janoub ficará como sede do Al Wakrah, time da liga local. O mesmo vale para o Al Rayyan, que será administrado por equipe de mesmo nome. O Al Thumama passará a ser composto por escolas e clínicas esportivas.

Todos, menos o Khalifa, terão a capacidade reduzida ao menos à metade.

BRASILEIRÃO

Corinthians briga por G-5 do Brasileiro com o Cruzeiro antes de decisão na Libertadores

Partida acontece na Neo Química Arena neste domingo, às 18h30 (horário de MS)

16/08/2026 08h00

Goleiro do Corinthians, Hugo Souza

Goleiro do Corinthians, Hugo Souza Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

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O Corinthians tem se saído bem dentro de campo, mesmo com o turbilhão político nos bastidores, e terá a chance de entrar no G-5 do Brasileirão, se vencer o Cruzeiro na Neo Química Arena, às 19h30 deste domingo. A atenção, contudo, está dividida com a disputa das oitavas da Libertadores, com o Rosario Central, cuja rodada de volta está marcada para as 21h30 de quinta-feira, após empate sem gols na Argentina.

O resultado do meio da semana foi importante para que o crescimento da crise vivida no Parque São Jorge fosse contida. Ainda há, entretanto, muita insatisfação da torcida quanto à decisão tomada pelo presidente Osmar Stábile de não renovar o contrato do atacante holandês Memphis Depay.

É possível que ocorram manifestações sobre o caso nas arquibancadas, pois será o primeiro jogo em casa após o desfecho da negociação. Até mesmo a casa de Stábile foi alvo de protestos "Fora ratos" e "Acabou a paz" foram algumas das mensagens escritas em faixas colocadas em frente à residência do dirigente

Até mesmo o elenco foi afetado pela situação, uma vez que a renovação estava encaminhada e a reviravolta só chegou aos jogadores - inclusive ao próprio Memphis - quando o clube publicou uma nota nas redes sociais.

"Foi uma frustração, mas, como foge do nosso controle, isso acaba servindo para unir mais os jogadores. Foi um evento triste, mas serviu de motivação para uma entrega maior e, desta forma, conseguir um bom resultado aqui na Argentina", comentou o técnico Fernando Diniz depois do empate com o Rosario Central.

Na mesma coletiva, o treinador deixou em aberto possibilidades sobre como escalar o time contra o Cruzeiro, em seguida a uma viagem internacional, com pouco tempo de descanso. "É pensar bem e procurar fazer o melhor para o Corinthians", disse o treinador

Diniz nem sempre é adepto da cultura de poupar atletas antes de jogos importantes, mas, desta vez, pode mandar a campo um time alternativo. O problema é que tem poucas opções ofensivas em razão da lesão muscular ainda em tratamento de Yuri Alberto e da saída de Memphis. Também continua como baixa o volante André, um dos pilares do meio de campo alvinegro, que se recupera de lesão de grau dois na posterior da coxa direita.

O time alvinegro tem 32 pontos contra 33 do Cruzeiro, e aquele que vencer se garante entre os cinco primeiros colocados do campeonato. Aos corintianos, isso depende também de um tropeço do Bahia, que também tem 33 e joga contra a Chapecoense, às 11 horas deste domingo, na Arena Condá.

Os cruzeirenses vivem situação parecida à do Corinthians, afinal empataram por 1 a 1 com o Flamengo no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores. A diferença é que jogaram em casa, no Mineirão, e vão ter que surpreender os flamenguistas no Maracanã na quarta-feira, às 21h30.

O Cruzeiro tem, portanto, uma sequência de dois jogos como visitante, já que enfrentam o time paulista em Itaquera. Em frente a um cenário em que precisa decidir se poupa alguns jogadores, o técnico Artur Jorge garante que sua equipe não perde as principais características mesmo quando sofre grandes mudanças.

"Identidade não vai mudar nunca. Temos que mudar o 11 inicial algumas vezes. Somos das poucas equipes que fará, a partir do jogo contra o Corinthians, quatro partidas com intervalo de dois dias. Perceba o que isso representa em termos de exigência física para o elenco. O grupo está totalmente identificado com a ideia de jogo para que possamos poupar nossos principais valores contra quem quer que seja", afirmou.

O técnico português não conta com o atacante Kaique Kenji, suspenso por acúmulo de cartões amarelos. Cássio, ídolo do Corinthians, ainda se recupera de grave lesão multiligamentar no joelho esquerdo e continua entregue ao departamento médico, assim como Gabriel Pec, Luis Sinisterra e Villarreal.

Wesley, atacante formado na base do Corinthians e recentemente contratado pelo Cruzeiro após passagem pelo Al-Nasser, da Árabia Saudita, deve reencontrar a torcida alvinegra em Itaquera, agora como adversário. Ele chegou a abrir conversas para voltar a vestir a camisa corintiana, mas as negociações não avançaram porque o clube está impedido de registrar novos jogadores, com três transfer bans ativos.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS X CRUZEIRO

CORINTHIANS - Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Angileri; Allan, Matheus Pereira, André Carrilo e Breno Bidon; Lingard e Gui Negão. Técnico: Fernando Diniz.

CRUZEIRO - Otávio; Fagner (William), Fabrício Bruno, Villalba e Gabriel Rojas; Lucas Romero (Zé Lucas), Gerson (Matheus Henrique) e Matheus Pereira; Arroyo, Kaio Jorge (Lucho Rodriguez) e Wesley.

ÁRBITRO - Davi De Oliveira Lacerda (ES).

HORÁRIO - 19h30.

LOCAL - Neo Química Arena, em São Paulo (SP).

ESPORTE

Nova regra da CBV afeta participação de Tifanny na Superliga de vôlei

Oposta segue liberada para atuar pelo Osasco no Campeonato Paulista

15/08/2026 23h00

Tifanny Abreu, jogadora transgênero do Osasco

Tifanny Abreu, jogadora transgênero do Osasco Divulgação: Osasco São Cristóvão Saúde

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O Osasco São Cristóvão Saúde se manifestou após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciar, na sexta-feira (14), uma nova política de elegibilidade segundo a qual somente atletas do sexo biológico feminino podem disputar as competições femininas da entidade. A oposta Tifanny, primeira atleta trans a disputar a Superliga, em dezembro de 2017, representa o clube paulista desde 2021 e conquistou com a equipe o título da temporada 2024/2025.

Em nota, o Osasco afirmou ter sido "surpreendido" pela decisão da CBV. Segundo o clube, a medida foi tomada "sem qualquer participação ou opinião prévia do clube". O caso foi encaminhado ao departamento jurídico, que "está avaliando a normativa publicada para definição dos próximos passos". O Osasco também declarou "integral apoio a Tifanny".

Quem também se pronunciou foi a Federação Paulista de Volleyball (FPV). A entidade informou que, como o Campeonato Paulista teve início antes da publicação da nova política, "eventuais medidas" serão tomadas "para as próximas competições [...] após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde".

Assim, Tifanny segue liberada para disputar o Campeonato Paulista. Neste sábado (15), a equipe do Osasco estreia na competição contra o Pinheiros, às 21h30 (horário de Brasília), no Ginásio José Liberatti, em Osasco (SP).

Nova política

Segundo a CBV, o novo critério de elegibilidade busca estar em conformidade com regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). As atletas deverão cumprir os critérios estabelecidos pela nova política, que incluem a apresentação de resultado negativo para o gene SRY.

A norma anterior previa que mulheres trans poderiam atuar desde que os níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de determinado limite. A nova determinação entra em vigor nas próximas edições da Superliga, nas duas principais divisões, e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027.

Em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que permitiu a participação de Tifanny na Copa Brasil, em Londrina (PR), atendendo a pedido da própria CBV. Antes da decisão, a Câmara de Vereadores da cidade aprovou, em regime de urgência, um requerimento relacionado à participação de atletas trans em eventos esportivos no município.

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