Passar anos cruzando com alguém no trabalho ou na vizinhança não garante uma amizade de verdade — o que conta é o tempo que as duas pessoas efetivamente dedicam uma à outra. Um estudo do pesquisador Jeffrey Hall, da Universidade de Kansas, publicado em 2018 no Journal of Social and Personal Relationships, buscou quantificar esse processo.
O levantamento comparou dois grupos para identificar quando uma relação deixa de ser superficial e se transforma em amizade sólida.
Os resultados indicam faixas bem delimitadas: entre 40 e 60 horas de convivência, a relação tende a se tornar uma amizade casual. Com 80 a 100 horas, a probabilidade de virar amizade de verdade supera 50%. Acima de 200 horas, a pessoa costuma se tornar um melhor amigo.
Como o levantamento mediu a proximidade
Na primeira fase, 355 adultos dos Estados Unidos que haviam se mudado nos seis meses anteriores participaram da pesquisa. Cada um indicou alguém que conheceu depois da mudança — nunca um parceiro, familiar ou amigo antigo — e relatou quanto tempo havia passado com essa pessoa na semana anterior.
Os voluntários também classificaram o vínculo em categorias, de conhecido a melhor amigo. Entre esses participantes, a passagem de conhecido para amigo casual superou 50% de probabilidade perto de 94 horas. A transição de amigo casual para amigo ocorreu próximo a 164 horas. Já a passagem de amigo para bom amigo ou melhor amigo ocorreu em torno de 219 horas.
O que mudou entre universitários
A segunda etapa reuniu 112 calouros no início do primeiro semestre da faculdade. Cada participante indicou duas pessoas recém-conhecidas e respondeu sobre essas relações na terceira, na sexta e na nona semana de curso.
Entre os estudantes, a progressão foi mais rápida: bastaram 43 horas para que um conhecido virasse amigo casual com mais de 50% de probabilidade. O salto para amigo ocorreu perto de 57 horas, e o avanço até melhor amigo, por volta de 119 horas.

Convívio pesa mais que o calendário
Um dos achados centrais da pesquisa é que a data em que duas pessoas se conheceram importa menos do que parece. Quem permaneceu apenas como conhecido raramente ultrapassou 30 horas acumuladas ao longo das nove semanas analisadas, o que reforça que a intensidade do convívio pesa mais do que o tempo de calendário.
Quando a relação avançava de nível, o tempo dedicado também crescia na mesma proporção. Entre os universitários que passaram de amigos a melhores amigos, o total acumulado praticamente dobrou.
Nem todas as horas têm o mesmo peso
A pesquisa também investigou se todas as horas compartilhadas contribuem da mesma forma para o desenvolvimento de uma amizade. Os resultados mostraram que proximidade física por si só não basta.
Entre os adultos, passar grande parte do tempo trabalhando ou em aulas juntos esteve relacionado a menor cercanía nas relações. Em contraste, passar o tempo de forma descontraída — assistindo televisão, jogando videogames ou simplesmente conversando — esteve associado a amizades mais próximas e sólidas.


