A NASA financiou o estudo de um veículo robótico capaz de explorar enormes túneis subterrâneos na Lua, onde a comunicação convencional com a superfície seria interrompida. O projeto prevê o uso de um laser transmitido por fibra óptica para fornecer energia ao equipamento durante a exploração.
Batizada de Lunar Underground eXplorer (LUX), a proposta foi desenvolvida pela empresa Stone Aerospace e recebeu US$ 175 mil da agência espacial americana para uma pesquisa preliminar. A tecnologia ainda precisa passar por avaliações para demonstrar sua viabilidade.
Como funcionaria o explorador lunar
O plano prevê que o robô desça por uma abertura localizada na região de Mare Tranquillitatis, com aproximadamente 100 metros de comprimento, 88 metros de largura e 133 metros de profundidade. Segundo dados do orbitador lunar Lunar Reconnaissance Orbiter, essa cavidade pode dar acesso a um extenso tubo de lava subterrâneo que se prolongaria por quilômetros.
Dentro dessas estruturas, não há iluminação natural nem sinal de GPS. As paredes rochosas também impediriam uma conexão sem fio direta com um módulo instalado na superfície, dificultando o controle e o fornecimento de energia ao equipamento.
Para contornar o problema, o LUX desenrolaria uma fibra óptica fina, leve e resistente enquanto avançasse pelos túneis. Um módulo de pouso ou veículo na superfície transmitiria energia por meio de um laser conectado à fibra, mantendo o robô ligado mesmo quando não houvesse contato visual com a superfície.

Laser poderá fornecer energia e comunicação
O sistema, chamado Power-over-Fiber (PoF), foi projetado para desempenhar três funções. Além de transmitir energia elétrica, a fibra permitiria a comunicação de dados em alta velocidade e poderia contribuir para melhorar o desempenho do sistema de propulsão do robô.
Esse último recurso é importante porque o projeto prevê o uso de propulsão a gás frio, que não utiliza combustão. A intenção é evitar resíduos que possam contaminar o ambiente e prejudicar as medições científicas realizadas em uma região lunar praticamente intacta.
A primeira fase da pesquisa avaliará o projeto do veículo, considerando tamanho, massa e consumo de energia. Estudos anteriores da Stone Aerospace indicam que um laser com potência entre 1 e 2 quilowatts poderia ampliar consideravelmente a duração da missão, mas o ganho real de desempenho ainda precisa ser determinado.
Uma possível etapa posterior incluiria testes em escala reduzida, com um laser de fibra de 1.070 nanômetros transmitindo energia por um cabo de fibra óptica de um quilômetro.
Túneis podem abrigar futuras bases lunares
Além de investigar a geologia da Lua, a missão pretende avaliar ambientes que poderiam ser úteis para futuras operações humanas. Os tubos de lava subterrâneos podem oferecer proteção natural contra a radiação cósmica, tornando-se candidatos a locais para instalações habitadas no futuro.
Essas estruturas também podem preservar informações importantes sobre a formação e a evolução geológica do satélite. Explorar seu interior permitiria estudar regiões que ainda não foram examinadas diretamente por robôs.
Por enquanto, o LUX permanece na fase inicial de pesquisa, e a missão ainda não está confirmada. Caso a tecnologia demonstre ser viável, poderá abrir caminho para a exploração de cavernas fora da Terra e, futuramente, de estruturas subterrâneas em Marte.


