O poder da repetição

Bruce Lee: "Não temo quem treinou dez mil chutes uma vez, temo aquele que treinou um dez mil vezes"

A frase atribuída a Bruce Lee destaca a disciplina e o domínio técnico

A frase atribuída a Bruce Lee resume uma ideia central das artes marciais: a prática constante de uma técnica pode ser mais valiosa do que conhecer muitos movimentos superficialmente. Para o ator e lutador, o domínio de uma habilidade depende da repetição, da precisão e da capacidade de executar o movimento com naturalidade.

A comparação apresenta dois praticantes: um que experimentou dez mil golpes diferentes uma única vez e outro que repetiu o mesmo chute dez mil vezes. A mensagem valoriza a profundidade do treinamento, em vez da simples quantidade de técnicas conhecidas.

A importância de dominar uma técnica

Bruce Lee ficou conhecido mundialmente por sua atuação no cinema e por sua contribuição às artes marciais. Ele criou o Jeet Kune Do, uma abordagem de combate que valoriza a simplicidade, a direção e a liberdade para adaptar os movimentos às necessidades de cada praticante.

Nessa perspectiva, repetir um golpe permite aperfeiçoar detalhes como postura, distância, equilíbrio e tempo de execução. Com a prática, o movimento pode se tornar mais natural, exigindo menos esforço consciente para ser realizado.

Isso não significa, porém, que repetir um gesto inúmeras vezes seja suficiente. A qualidade do treinamento também importa: praticar sem atenção pode reforçar erros, enquanto a observação e a correção ajudam a desenvolver a técnica.

 

A lição vai além das artes marciais

A ideia associada a Bruce Lee também pode ser aplicada a atividades cotidianas, como escrever, tocar um instrumento, cozinhar ou aprender um idioma. Em todas elas, a repetição orientada contribui para consolidar habilidades e melhorar o desempenho.

O princípio é concentrar esforços nos fundamentos e aperfeiçoá-los progressivamente, em vez de tentar dominar muitas coisas ao mesmo tempo. Sessões regulares de prática, acompanhadas de atenção aos resultados, ajudam a identificar falhas e corrigir dificuldades.

A frase permanece popular justamente por transformar um conceito complexo em uma comparação simples. Seu principal ensinamento é que a experiência acumulada e o aperfeiçoamento contínuo podem valer mais do que a variedade de conhecimentos adquiridos sem aprofundamento.

Mistérios subterrâneos

A NASA quer enviar drones guiados a laser para túneis escondidos na Lua

Projeto financiado pela NASA prevê robôs abastecidos por laser para explorar cavernas lunares

20/10/2026 10h21

Imagem: Divulgação/NASA

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A NASA financiou o estudo de um veículo robótico capaz de explorar enormes túneis subterrâneos na Lua, onde a comunicação convencional com a superfície seria interrompida. O projeto prevê o uso de um laser transmitido por fibra óptica para fornecer energia ao equipamento durante a exploração.

Batizada de Lunar Underground eXplorer (LUX), a proposta foi desenvolvida pela empresa Stone Aerospace e recebeu US$ 175 mil da agência espacial americana para uma pesquisa preliminar. A tecnologia ainda precisa passar por avaliações para demonstrar sua viabilidade.

Como funcionaria o explorador lunar

O plano prevê que o robô desça por uma abertura localizada na região de Mare Tranquillitatis, com aproximadamente 100 metros de comprimento, 88 metros de largura e 133 metros de profundidade. Segundo dados do orbitador lunar Lunar Reconnaissance Orbiter, essa cavidade pode dar acesso a um extenso tubo de lava subterrâneo que se prolongaria por quilômetros.

Dentro dessas estruturas, não há iluminação natural nem sinal de GPS. As paredes rochosas também impediriam uma conexão sem fio direta com um módulo instalado na superfície, dificultando o controle e o fornecimento de energia ao equipamento.

Para contornar o problema, o LUX desenrolaria uma fibra óptica fina, leve e resistente enquanto avançasse pelos túneis. Um módulo de pouso ou veículo na superfície transmitiria energia por meio de um laser conectado à fibra, mantendo o robô ligado mesmo quando não houvesse contato visual com a superfície.

Laser poderá fornecer energia e comunicação

O sistema, chamado Power-over-Fiber (PoF), foi projetado para desempenhar três funções. Além de transmitir energia elétrica, a fibra permitiria a comunicação de dados em alta velocidade e poderia contribuir para melhorar o desempenho do sistema de propulsão do robô.

Esse último recurso é importante porque o projeto prevê o uso de propulsão a gás frio, que não utiliza combustão. A intenção é evitar resíduos que possam contaminar o ambiente e prejudicar as medições científicas realizadas em uma região lunar praticamente intacta.

A primeira fase da pesquisa avaliará o projeto do veículo, considerando tamanho, massa e consumo de energia. Estudos anteriores da Stone Aerospace indicam que um laser com potência entre 1 e 2 quilowatts poderia ampliar consideravelmente a duração da missão, mas o ganho real de desempenho ainda precisa ser determinado.

Uma possível etapa posterior incluiria testes em escala reduzida, com um laser de fibra de 1.070 nanômetros transmitindo energia por um cabo de fibra óptica de um quilômetro.

Túneis podem abrigar futuras bases lunares

Além de investigar a geologia da Lua, a missão pretende avaliar ambientes que poderiam ser úteis para futuras operações humanas. Os tubos de lava subterrâneos podem oferecer proteção natural contra a radiação cósmica, tornando-se candidatos a locais para instalações habitadas no futuro.

Essas estruturas também podem preservar informações importantes sobre a formação e a evolução geológica do satélite. Explorar seu interior permitiria estudar regiões que ainda não foram examinadas diretamente por robôs.

Por enquanto, o LUX permanece na fase inicial de pesquisa, e a missão ainda não está confirmada. Caso a tecnologia demonstre ser viável, poderá abrir caminho para a exploração de cavernas fora da Terra e, futuramente, de estruturas subterrâneas em Marte.

Sabedoria sem letras

Saramago: "O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever"

No discurso do Nobel, Saramago homenageou homem que marcou sua infância

20/10/2026 09h33

Imagem: Mario Antonio Pena (oneras) / Wikimedia Commons

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José Saramago abriu seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, em 7 de dezembro de 1998, com uma frase dedicada ao avô materno: “O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever”. A declaração sintetizou uma das principais lembranças de sua infância e a importância que o escritor atribuía à sabedoria adquirida fora dos livros.

O homem homenageado era Jerónimo Melrinho, um criador de porcos que vivia em Azinhaga, no Ribatejo, em Portugal. Analfabeto, assim como a esposa, Josefa Caixinha, ele marcou a formação do escritor com experiências cotidianas, histórias e ensinamentos que permaneceram na memória do neto.

A infância pobre que marcou o escritor

No discurso, Saramago recordou a rotina difícil dos avós. Jerónimo levantava-se de madrugada para cuidar dos animais e, nas noites mais frias do inverno, o casal levava os leitões mais frágeis para a própria cama, numa tentativa de impedir que morressem de frio.

As lembranças também incluíam momentos de afeto. Durante o verão, o avô convidava o menino para dormir com ele sob uma figueira e contava histórias até que o neto adormecesse. Essas experiências ajudaram a construir o universo de memórias que o escritor levou para sua obra literária.

 

A despedida das árvores

Uma das passagens mais emocionantes do discurso descreve os últimos momentos de Jerónimo. Ao perceber que estava próximo da morte, ele saiu pelo quintal e se despediu das árvores uma a uma, abraçando-as e chorando por saber que não voltaria a vê-las.

Saramago também recordou a avó Josefa, que, já idosa, expressou tristeza diante da perspectiva de morrer, apesar de considerar o mundo bonito. Para o escritor, as palavras e os gestos dos dois revelavam uma compreensão profunda da vida, mesmo sem formação escolar.

O que a frase revela sobre sabedoria

A homenagem de Saramago destaca a diferença entre escolaridade e sabedoria. Ao escolher começar seu discurso mais importante com a lembrança de um homem analfabeto, o escritor colocou em evidência o conhecimento construído pela experiência, pelo trabalho, pela observação e pelos vínculos afetivos.

O episódio também mostra como as memórias familiares influenciaram sua trajetória literária. Ao recordar os avós diante da Academia Sueca, Saramago levou para a cerimônia internacional não apenas sua história pessoal, mas a realidade simples de uma família rural portuguesa.

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