A mansão Lynnewood Hall, de impressionantes 55 quartos, nos arredores da Filadélfia, nos Estados Unidos, foi adquirida pelo valor de zero dólar depois de décadas de deterioração estrutural. O imóvel pertenceu a Peter Widener, magnata do transporte público que ajudou a financiar a construção do Titanic, e guarda um dos capítulos mais trágicos ligados ao naufrágio do transatlântico.
O valor da propriedade chegou a ultrapassar US$ 250 milhões, quantia equivalente a R$ 1,4 bilhão no auge de sua prosperidade. Obras de mestres europeus como El Greco ocupavam a galeria de arte do imóvel, que também tinha um salão de baile para mil convidados.
A Primeira Igreja Coreana de Nova York recebeu a propriedade em 1996, sem pagar por ela. A negociação marcou o fim de uma trajetória de luxo iniciada na virada do século 20.
Luxo que remonta à Era Dourada americana
Erguida em 1900, cerca de 15 anos antes do naufrágio do Titanic, Lynnewood Hall foi construída em um terreno de 14 hectares, segundo projeto do arquiteto Horace Trumbauer. A construção viria a simbolizar o padrão de ostentação da Era Dourada dos Estados Unidos.
Vinte banheiros, uma piscina coberta e o apelido de "último Versalhes americano" tornaram a propriedade referência de luxo entre os milionários do início do século passado.
Peter Widener escolheu o local para viver seus últimos anos. A tragédia marítima que ele próprio ajudara a bancar atingiria sua família diretamente: o empresário havia financiado 20% da construção do Titanic. A idade avançada, porém, o impediu de embarcar na viagem inaugural.
A tragédia que mudou a família
George, filho de Widener, viajou à Europa com a esposa, Eleanor, e o filho, Harry, para contratar um chef particular. Os três decidiram voltar aos Estados Unidos a bordo do Titanic. George e Harry morreram quando o navio atingiu o iceberg, e Eleanor foi uma das sobreviventes do desastre.
A perda abalou a saúde de Peter Widener, que entrou em colapso nos anos seguintes ao naufrágio e morreu em 1915, três anos depois da tragédia. A mansão passou então às mãos de seu filho mais novo, Joseph, até a morte dele, em 1943, quando teve início um processo lento de deterioração que se estenderia por décadas.
Do templo religioso ao abandono
Anos depois, o radialista e líder religioso Carl McIntire assumiu o controle do imóvel e converteu os salões em uma escola de formação religiosa. Durante sua gestão, parte do mobiliário histórico foi vendida, enquanto os problemas estruturais mais graves recebiam apenas reparos superficiais.
A instituição fechou as portas em 1992 após declarar falência. A propriedade ficou à deriva até ser adquirida pela congregação Coreana, em 1996, por um valor que, diante dos custos necessários para recuperar a estrutura, equivaleu a zero dólar.
Ruínas de um símbolo da elite americana
Depois da mudança de proprietário, a antiga sala de bailes para mil convidados foi transformada em capela improvisada e passou a mostrar sinais cada vez mais visíveis de degradação. Parte da estrutura original e dos ornamentos de Trumbauer ainda resiste, apesar do abandono prolongado.
Em entrevista ao Daily Star, o agente imobiliário Harry Cherry, da Main Line Luxury, considerou lamentável o estado de uma mansão antes cobiçada e emblemática. Segundo ele, parte das obras de Trumbauer ainda está preservada, mas a localização de Lynnewood Hall já não corresponde ao que famílias ricas buscam hoje nos Estados Unidos.


