Surpresa no deserto

Após neve no deserto, satélites encontram montanha de 60 mil toneladas de roupas no Atacama

Campanha tenta dar novo destino ao material.

O Deserto do Atacama, no Chile esconde uma montanha de roupas descartadas grande o bastante para ser vista em imagens de satélite. Mais de 60 mil toneladas de peças, descartadas por pessoas a milhares de quilômetros de distância, foram parar no local, segundo a campanha Atacama RE-commerce, que tenta dar novo destino ao material e cobra apenas o frete.

O mesmo cenário árido virou notícia por outro motivo neste mês: duas tempestades de inverno consecutivas cobriram trechos do deserto com neve, um fenômeno raro nessa região historicamente seca. Satélites da Nasa registraram a transformação da paisagem entre 6 e 14 de agosto, e uma nova nevasca ampliou ainda mais a área branca dias depois.

De onde vêm as roupas descartadas

Países europeus reúnem peças fora de uso e enviam o material para a América do Sul, na expectativa de que ele ganhe uma segunda vida no comércio de roupas usadas. Parte dessas peças encontra novos donos, mas o volume que desembarca nos portos do continente supera a capacidade de absorção do mercado local.

As empresas de logística acabam empilhando o excedente no meio do deserto, próximo à cidade de Alto Hospício. A escolha do local não é acidental: o clima extremamente seco ajuda a preservar os tecidos amontoados, embora a presença dessas roupas represente um risco à biodiversidade da região.

Marcas de grife entre os descartes

O coletivo chileno Desierto Vestido e a ONG Ekō, em levantamentos próprios, encontraram no local peças de marcas como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi's, Tommy Hilfiger e Hugo Boss. Roupas de grandes grifes costumam ter mais chance de reaproveitamento, enquanto outros modelos enfrentam dificuldade maior para conseguir um novo comprador.

A Organização das Nações Unidas apontou a União Europeia como a maior exportadora mundial de roupas descartadas em 2024, com 30% do total.

O Reino Unido aparece em segundo lugar, com 16%, e os Estados Unidos completam o topo da lista, com 15%. Essa distribuição reflete a alta rotatividade do consumo de moda, impulsionada pela troca constante de estações e coleções no continente europeu.

Um tribunal ambiental chileno já determinou, em outro momento, um plano de dez anos para tentar remediar os danos causados pelo acúmulo de roupas na região.

Neve rara cobre o mesmo deserto

A região já havia registrado queda de neve em 2025 e também em 2011. Mas o episódio deste mês se destacou pela extensão: a cobertura branca avançou dos Andes até perto da costa do Pacífico. As imagens de satélite mostram o planalto de Chajnantor, dentro do complexo vulcânico Altiplano-Puna, onde fica um dos radiotelescópios mais potentes do planeta, o ALMA.

Com a chegada da neve e de ventos fortes, o equipamento suspendeu suas operações e colocou as antenas em modo de proteção. Uma segunda tempestade, já na segunda quinzena de agosto, espalhou uma faixa ainda maior de neve fresca, que chegou perto da cidade portuária de Antofagasta. A área reúne outros observatórios astronômicos, alguns também paralisados durante o temporal.

O que explica o fenômeno

Baixas isoladas — sistemas de baixa pressão que se desprendem da corrente de jato e ocasionalmente alcançam o norte chileno — respondem pela maior parte da chuva de inverno no Atacama. Foi o que ocorreu em 2025, segundo René Garreaud, cientista atmosférico da Universidade do Chile.

A tempestade do fim de agosto teve origem parecida. Mas se desprendeu de uma área de baixa pressão que cobria uma extensão enorme do hemisfério, da ponta da América do Sul até regiões subtropicais. Em Taltal, na costa norte do Chile, choveu quase 40 milímetros em três dias.

O enfraquecimento da alta subtropical do Pacífico, o sistema que normalmente mantém a aridez da região, ajuda a explicar por que a chuva conseguiu avançar tanto. O evento provocou deslizamentos de terra e enchentes repentinas em partes do norte do Chile, afetando milhares de pessoas e causando grandes danos a centenas de casas.

Oportunidade

Cidade na Argentina oferece moradia gratuita à beira-mar em troca de 24 horas de trabalho por semana

A proposta foi publicada na plataforma Worldpackers.

11/10/2026 08h25

Foto: Gezer Amorim/Pexels

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Um complexo turístico de frente para o mar em Quequén, no partido de Necochea, está recrutando voluntários dispostos a trabalhar 24 horas por semana em troca de hospedagem gratuita. A proposta foi publicada na plataforma Worldpackers e chama atenção de quem quer conhecer uma das praias mais procuradas da costa argentina gastando pouco.

Quem topar a troca ganha uma cama em quarto compartilhado com outros voluntários, almoço todos os dias e duas jornadas de folga por semana. Esse tempo livre pode ser usado para caminhar pela orla, visitar outras praias da região ou simplesmente descansar.

Como funciona o trabalho no hostel

A função principal dos voluntários é atuar na recepção do alojamento, em contato direto com os hóspedes. As tarefas envolvem receber quem chega, organizar entrada e saída dos quartos e esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do espaço.

Também cabe a eles orientar os visitantes sobre as praias da região e indicar passeios pela área. O trabalho também inclui turnos noturnos, e o horário exato de cada voluntário varia conforme a disponibilidade combinada com o anfitrião.

Quem pode se candidatar à vaga

O anúncio pede candidatos entre 24 e 50 anos, com nível intermediário de espanhol para se comunicar com os hóspedes. O hostel aceita tanto viajantes sozinhos quanto casais ou duplas de amigos que queiram fazer a experiência juntos.

A permanência mínima exigida é de 3 semanas, sem limite máximo para quem quiser ficar mais tempo. Além da cama e do almoço, quem for aceito tem acesso a internet rápida, cozinha equipada e bicicletas para se locomover pela cidade. Ao finalizar a experiência, cada voluntário recebe um certificado.

Como se inscrever e período disponível

Para participar, é preciso montar um perfil na Worldpackers, preencher os dados pedidos e enviar um pedido diretamente ao anfitrião responsável pelo alojamento. A aprovação não é automática: cabe ao dono do espaço aceitar ou recusar cada candidatura recebida.

As vagas estão disponíveis no fim de 2026 e nos três primeiros meses de 2027. Passagem, transporte até Necochea, seguro viagem e gastos pessoais ficam por conta de cada voluntário, já que a oferta cobre apenas estadia e alimentação.

Ciência

Café pela manhã reduz risco de morte, aponta estudo

A quantidade recomendada fica entre três e cinco xícaras por dia.

11/10/2026 07h49

Foto: Irbaf photo/Pexels

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Beber café nas primeiras horas do dia está associado a menor risco de morte precoce e de doenças cardiovasculares, segundo pesquisas das associações de cardiologia da Europa e dos Estados Unidos. Para obter esse efeito, a quantidade recomendada fica entre três e cinco xícaras por dia. Os benefícios incluem menor probabilidade de AVC, insuficiência cardíaca e arritmias graves.

O horário em que a bebida é consumida parece ser tão importante quanto a quantidade. Tomá-la à tarde ou à noite pode atrapalhar o ritmo circadiano e os níveis de melatonina no organismo, segundo apuração do g1.

1. Redução de mortalidade geral e cardiovascular

Uma pesquisa com 40.725 adultos, acompanhados entre 1999 e 2018, mostrou que quem concentrou o consumo no período da manhã teve 16% menos chance de morrer por qualquer causa. Entre as mortes ligadas a problemas cardiovasculares, a queda chegou a 31%.

Já outro levantamento, que seguiu 131.821 pessoas por até 43 anos, encontrou relação entre tomar café regularmente e menor risco de demência. A proteção também apareceu entre quem consumia a versão descafeinada, o que indica que a cafeína não é a única responsável pelos efeitos positivos. Outros compostos presentes na bebida também parecem ter papel nisso, conforme apurou o g1.

2. Proteção metabólica e hepática

A bebida também aparece associada a menor risco de diabetes tipo 2 e a menos alterações em enzimas ligadas a lesões no fígado. Pessoas que bebem café com regularidade tendem a acumular menos gordura nesse órgão.

Doses concentradas de cafeína, como as encontradas em cápsulas ou em pó puro, podem provocar fibrilação ventricular e levar à morte súbita, alerta a American Heart Association. A versão tradicional da bebida, preparada e consumida com moderação, é segura para a maior parte dos adultos.

O momento da ingestão pode importar mais do que o volume total consumido ao longo do dia: tomar café pela manhã reduz mais o risco de morte do que distribuir o consumo pelas horas seguintes. Por isso, concentrar o consumo pela manhã pode ser o ajuste mais simples para reduzir o risco de morte.

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