Dez minutos de corrida devagar potencializam a clareza mental tanto quanto bebidas que melhoram o foco, e os resultados aparecem quase imediatamente no cérebro. Um estudo da Universidade de Tsukuba, no Japão, revelou que mesmo um ritmo pouco acima da caminhada ativa regiões cerebrais ligadas ao pensamento rápido e melhora o humor.
A pesquisa envolveu 24 pessoas saudáveis com idade média de vinte anos, que correram em esteira por dez minutos a velocidades entre três e seis quilômetros por hora. Pesquisadores mediram a atividade no córtex pré-frontal — área associada às funções executivas, às emoções e ao comportamento — por meio do monitoramento de mudanças no fluxo sanguíneo rico em oxigênio.
Como a corrida leve muda o desempenho cerebral
Após apenas dez minutos de exercício, a atividade cerebral aumentou nas regiões pré-frontais e os participantes apresentaram tempo de reação mais rápido em testes de atenção seletiva. O efeito Stroop, um teste que mede a capacidade de ignorar informações conflitantes, mostrou melhorias significativas — os voluntários nomearam cores com mais velocidade após o exercício leve.
Os participantes também relataram se sentir mais felizes. Segundo os autores do estudo, isso pode estar relacionado aos movimentos da cabeça durante a corrida, que parecem estar associados a melhorias no humor. Embora pesquisas anteriores já tivessem demonstrado os benefícios cognitivos do exercício de intensidade moderada, o novo trabalho sugere que ganhos semelhantes ocorrem em ritmos muito mais acessíveis.
O chá oferece uma vantagem diferente para a concentração
Enquanto a corrida leve potencializa a agilidade mental, o chá fornece cafeína acompanhada de um ingrediente que o café não contém: a L-teanina. A L-teanina é um aminoácido presente naturalmente em chás verde e preto, derivados da planta Camellia sinensis, e altera a forma como o corpo processa o estímulo da cafeína.
A cafeína funciona bloqueando a adenosina, substância que se acumula ao longo do dia e está relacionada ao cansaço. No café, a ação é isolada e intensa — uma xícara média contém entre 65 e 120 miligramas de cafeína, enquanto um expresso duplo pode ter entre 60 e 100 miligramas.
No chá, as concentrações variam, e um estudo com vinte produtos comerciais encontrou valores entre 14 e 61 miligramas por porção.
Por que o chá não deixa tão agitado quanto o café
Quando consumida com cafeína, a L-teanina parece influenciar a atenção e promover um estado de alerta com menor sensação de tensão.
Um estudo de 2010 avaliou 44 adultos jovens e observou que a combinação de cafeína com L-teanina melhorou medidas de atenção e estado de alerta em comparação ao placebo. As doses utilizadas no experimento, porém, eram maiores do que as encontradas normalmente em uma única xícara de chá.
Essa diferença ajuda a explicar por que o café deixa muitas pessoas agitadas, com tremores, palpitações ou dificuldade para dormir, enquanto o chá oferece disposição sem efeitos colaterais da mesma intensidade. A resposta varia de uma pessoa para outra, e quem é mais sensível à cafeína tende a notar as diferenças com mais facilidade.
Para quem busca melhorar a concentração, a escolha depende do tipo de estímulo desejado: a corrida leve oferece ganhos rápidos. E duradouros em processamento cerebral, enquanto o chá fornece um suporte químico mais suave e prolongado ao longo do dia.


