Habilidosos

Após serem demitidos, eles coletaram 10 mil garrafas em 5 meses e construíram uma casa de 70 m²

Casal teve que se virar para encontrar solução e não voltar a morar com parentes

Dóris Dias e Robson Lopes construíram a própria casa depois de perderem o emprego e não conseguirem pagar aluguel. Para o casal, as opções eram morar com parentes ou buscar uma solução própria.

O casal brasileiro construiu uma casa de 70 m² em cinco meses. A partir de abril de 2020, em Foz do Iguaçu, usando mais de 10 mil garrafas de vidro coletadas nas ruas. O que começou como necessidade econômica se tornou um exemplo de reaproveitamento de resíduos que mobilizou a comunidade local.

Robson havia perdido o emprego como repositor de supermercado, enquanto Dóris, educadora social, estava afastada do trabalho por problemas de saúde. Inicialmente, a família se mudou para a casa dos pais de Dóris, mas o casal queria conquistar seu próprio espaço e encontrou na reciclagem uma alternativa viável.

Como a ideia das garrafas nasceu

Durante o casamento celebrado em setembro de 2019, Dóris e Robson utilizaram materiais reciclados na decoração. Essa experiência despertou em Dóris a curiosidade sobre técnicas de construção com garrafas, levando-a a pesquisar soluções práticas para reutilizar o material. A descoberta de quanto vidro poderia ser reaproveitado transformou curiosidade em projeto.

A coleta começou pelas ruas de Foz do Iguaçu, onde o casal e vizinhos recolhiam garrafas descartadas. Amigos e residentes da região logo passaram a contribuir com doações espontâneas, acelerando o processo de reunião de material. Em cinco meses, conseguiram juntar as 10 mil garrafas necessárias para erguer as paredes da habitação.

A construção com garrafas de vidro

O projeto utilizou garrafas de vidro de 600 ml no lugar dos tijolos convencionais, que formaram o corpo principal das paredes. Cimento e areia uniram as garrafas, e garrafas menores foram destinadas às divisões interiores, enquanto ferro e outros materiais completaram a estrutura de sustentação da casa.

Nos primeiros cinco meses, o casal reutilizou e assentou mais de 10 mil garrafas nas paredes, concluindo a estrutura básica da casa. Até setembro de 2020, a construção havia custado 3 mil reais brasileiros.

A colocação do telhado, das portas e das janelas ainda estava pendente. Por isso, o casal organizou uma coleta de fundos com a comunidade para prosseguir com a obra.

Do projeto emergencial à expansão

Em junho de 2024, a casa tinha 85 m² e incorporava 20 mil garrafas reutilizadas, o dobro do volume inicial. Diversos acabamentos e instalações ainda precisavam ser concluídos, mas o que começou como solução diante de dificuldades econômicas se tornou um projeto duradouro.

O casal segue arrecadando fundos online e solicitando doações de materiais como janelas, portas e fios elétricos para finalizar a obra. A construção não está regularizada, mas pode ser regularizada pela prefeitura durante a obra ou até dois anos após conclusão.

O exemplo de Dóris e Robson mobilizou familiares e vizinhos, transformando uma necessidade pessoal em iniciativa comunitária de reaproveitamento de resíduos.

O que essa construção significa para famílias sem acesso ao crédito imobiliário

Para pessoas sem acesso a financiamento bancário ou dinheiro para comprar materiais convencionais, a construção com garrafas reutilizadas pode reduzir o custo inicial da obra. No caso de Dóris, uma casa tradicional de madeira e tijolos estava fora do orçamento.

Com garrafas coletadas gratuitamente nas ruas, ela transformou um material descartável em material de construção e reduziu o investimento necessário para deixar o aluguel e ter uma casa própria.

A construção também tem impacto ambiental: garrafas que terminariam em aterros sanitários ou no meio ambiente ganham novo uso. Para comunidades de baixa renda, a alternativa combina sustentabilidade e redução de custos. Não se trata apenas de uma escolha ambiental, mas também de uma forma de reduzir o gasto com a moradia.

Quando a construção com garrafas enfrenta barreiras legais

A casa de Dóris e Robson não está regularizada junto à prefeitura, uma situação que ilustra uma limitação importante dessa técnica: a aceitação institucional. Embora a prefeitura de Foz do Iguaçu permita regularização durante a construção ou até dois anos após conclusão, o processo exige documentação de posse do imóvel, projeto da obra e documentos pessoais.

Para famílias em situação de vulnerabilidade que não tiveram recursos para contratar profissionais, elaborar esses projetos formais pode representar um desafio adicional. Outro ponto crítico é que o material em si — no caso, vidro — não é automaticamente questionado pela prefeitura, mas cabe ao proprietário garantir que não oferece risco aos moradores.

Isso significa que decisões sobre segurança estrutural podem variar conforme a avaliação de cada município, tornando a viabilidade técnica e legal dessa solução dependente do local onde se pretende construir.

Como alguém sem experiência em construção consegue reunir 10 mil garrafas?

Dóris e Robson começaram coletando garrafas nas ruas de Foz do Iguaçu, em bueiros, sarjetas e espaços públicos onde o descarte era comum. O envolvimento da comunidade acelerou a coleta: depois de saberem do projeto, amigos e vizinhos passaram a doar garrafas.

A busca pelas ruas revelou quanto vidro era descartado diariamente, e a colaboração tornou possível reunir dez mil garrafas em cinco meses sem investimento significativo.

O conhecimento global que inspirou a ideia local

Dóris não inventou a técnica de construção com garrafas, e ela a adaptou localmente depois de conhecer projetos semelhantes em outros países. Segundo ela, viu casas construídas dessa forma na Bolívia, na Tailândia e em diferentes regiões do Brasil. A experiência permitiu que imaginasse uma solução para seu contexto em Foz do Iguaçu.

Motivada pelo uso de materiais reciclados na decoração do casamento, em 2019, ela pesquisou a técnica e transformou a curiosidade em um projeto estruturado.

Reflexão

Elon Musk deixou uma provocação sobre educação: "Não confunda escolaridade com educação"

A frase chama a atenção para uma diferença importante.

20/10/2026 18h03

Donald Trum e Elon Musk estão em

Donald Trum e Elon Musk estão em Arquivo

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Em uma sociedade na qual diplomas e certificados ainda têm grande peso, uma reflexão atribuída a Elon Musk questiona a maneira como medimos o conhecimento: "Não confunda escolaridade com educação".

A frase chama a atenção para uma diferença importante. Embora o ensino formal ofereça ferramentas fundamentais para o desenvolvimento intelectual e profissional, aprender vai muito além de frequentar instituições de ensino ou conquistar um diploma.

Em um mundo no qual o acesso à informação se tornou cada vez mais amplo, a capacidade de buscar conhecimento, desenvolver habilidades e aplicar o que foi aprendido também merece destaque.

Qual é a diferença entre escolaridade e educação?

A escolaridade está relacionada ao ensino formal: frequentar escolas e universidades, cumprir currículos, realizar avaliações e conquistar certificados. Esse percurso pode proporcionar uma base sólida de conhecimento e abrir portas no mercado de trabalho.

A educação, por sua vez, é um conceito mais abrangente. Ela envolve não apenas o aprendizado acadêmico, mas também as experiências cotidianas, a convivência social, a prática profissional e a capacidade de compreender diferentes perspectivas.

Essa distinção não significa que a escolaridade seja dispensável ou que a experiência substitua toda formação acadêmica. As duas podem se complementar e contribuir para o desenvolvimento de uma pessoa.

Entre as principais diferenças, estão:

  • Escolaridade: formação estruturada em instituições de ensino, com currículos e avaliações.

  • Educação: processo contínuo de aprendizagem, que também ocorre fora da sala de aula.

  • Diplomas: comprovam a conclusão de uma formação, mas não representam, isoladamente, todas as competências de alguém.

  • Experiência: permite colocar conhecimentos em prática, desenvolver habilidades e aprender com situações reais.

Aprender vai além de conquistar um diploma

O conhecimento adquirido na escola ou na universidade pode ser essencial, mas seu valor também depende da maneira como é utilizado. Compreender uma teoria é diferente de conseguir aplicá-la para resolver um problema concreto.

A experiência prática ajuda a desenvolver habilidades que nem sempre podem ser avaliadas por uma prova, como comunicação, capacidade de adaptação, criatividade e tomada de decisões. Da mesma forma, a leitura, a curiosidade e o contato com pessoas de diferentes áreas podem ampliar a compreensão sobre o mundo.

Isso não diminui a importância do ensino formal. Em profissões que exigem formação específica, como medicina e engenharia, a educação acadêmica é indispensável. A questão é reconhecer que o aprendizado não termina quando alguém recebe um certificado.

Reflexão e Filosofia

Kant deixou uma reflexão sobre duas coisas capazes de despertar admiração: o céu e a consciência

A frase conecta duas experiências aparentemente distintas.

20/10/2026 17h39

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Immanuel Kant encontrou no céu estrelado e na consciência moral duas razões para sentir profunda admiração. A reflexão aparece no encerramento de Crítica da Razão Prática, obra publicada em 1788, e sintetiza uma das ideias centrais de sua filosofia: diante da imensidão do universo, o ser humano parece pequeno; diante da capacidade de agir segundo princípios morais, revela uma dimensão que vai além de sua existência física.

A frase conecta duas experiências aparentemente distintas. De um lado, a contemplação do cosmos e de suas leis naturais. De outro, a descoberta de que somos capazes de refletir sobre nossas escolhas, reconhecer deveres e questionar se nossas ações são moralmente corretas.

O que Kant quis dizer com "o céu estrelado sobre mim"?

O céu representa a dimensão exterior da experiência humana. Quando observamos estrelas, planetas e a imensidão do espaço, percebemos que nossa existência ocupa uma parcela minúscula de um universo que ultrapassa nossa compreensão imediata.

Para Kant, essa percepção desperta admiração porque nos confronta com uma realidade muito maior do que nossas preocupações cotidianas. A ordem da natureza e a vastidão do cosmos convidam à reflexão sobre nosso lugar no mundo.

Essa constatação, porém, não serve apenas para lembrar a pequenez física do indivíduo. Ela prepara o contraste com a segunda parte da frase: embora sejamos parte do mundo natural, também somos capazes de refletir sobre nossas ações e avaliar os princípios que orientam nossa conduta.

  • O céu estrelado representa o mundo exterior e a ordem da natureza.

  • A imensidão do universo evidencia a dimensão limitada da existência física individual.

  • A contemplação do cosmos desperta admiração diante de uma realidade que vai além de nós.

  • O contraste com a consciência moral conduz à reflexão sobre liberdade, responsabilidade e dever.

O que significa "a lei moral dentro de mim"?

A lei moral representa a capacidade de reconhecer princípios que devem orientar nossas ações, independentemente de desejos pessoais, vantagens imediatas ou recompensas.

Na filosofia de Kant, agir moralmente não significa simplesmente fazer aquilo que nos traz satisfação ou evitar o que nos prejudica. Significa também agir por dever, reconhecendo que determinadas atitudes podem ser justificadas por princípios racionais.

Essa ideia está relacionada ao imperativo categórico, um dos conceitos fundamentais de sua filosofia moral. Em termos gerais, Kant propõe que avaliemos nossas ações perguntando se o princípio que as orienta poderia valer como uma regra universal, aplicável a todos em circunstâncias semelhantes.

A consciência moral, portanto, não é apenas um sentimento passageiro de culpa ou satisfação. Ela envolve a capacidade de refletir sobre o que fazemos, reconhecer nossa responsabilidade e considerar se nossas escolhas respeitam princípios que possam ser defendidos racionalmente.

Por que essa reflexão continua atual?

A frase de Kant permanece relevante porque aborda duas dimensões fundamentais da experiência humana: nossa relação com o universo e nossa responsabilidade pelas próprias escolhas.

A ciência amplia continuamente o conhecimento sobre o cosmos, revelando escalas e fenômenos que desafiam nossa intuição. Ao mesmo tempo, questões morais continuam presentes nas decisões cotidianas, desde a maneira como tratamos outras pessoas até a responsabilidade que assumimos pelas consequências de nossas ações.

A reflexão também sugere que reconhecer nossa pequenez física não significa abrir mão da responsabilidade moral. Não controlamos a imensidão do universo, mas podemos refletir sobre a maneira como agimos dentro dele.

É nesse contraste que a frase ganha força: o céu estrelado nos faz contemplar aquilo que está muito além de nós, enquanto a lei moral nos leva a olhar para dentro e questionar o que fazemos com a liberdade de que dispomos.

Para Kant, ambas as experiências são capazes de despertar admiração e reverência. Uma revela a grandeza do mundo exterior; a outra, a importância da consciência moral que orienta nossas escolhas.

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