O comandante da missão Artemis II, Reid Wiseman, relatou detalhes da experiência de observar o lado oculto da Lua durante a viagem realizada em abril de 2026. A bordo da cápsula Orion, da NASA, ele e os outros três tripulantes registraram imagens do satélite e descreveram paisagens que surpreenderam até mesmo astronautas experientes.
Em uma das mensagens enviadas antes da interrupção das comunicações, Wiseman descreveu a aparência da Terra vista pela janela da espaçonave. Segundo ele, o planeta parecia uma pequena Lua crescente. A tripulação também estabeleceu um novo recorde de distância percorrida por seres humanos em relação à Terra, superando a marca alcançada pela missão Apollo 13.
O que os astronautas viram no lado oculto da Lua
Durante o sobrevoo, os quatro tripulantes observaram e fotografaram crateras de impacto, antigos fluxos de lava, rachaduras e elevações do terreno lunar. Wiseman descreveu a experiência como algo difícil de traduzir em palavras e afirmou que a equipe viu coisas que nenhum ser humano havia observado daquela maneira, nem mesmo durante as missões Apollo.
Os astronautas passaram aproximadamente sete horas se revezando nas janelas da Orion para fotografar a superfície e registrar observações. Na aproximação máxima, a nave chegou a cerca de 6.545 quilômetros da superfície lunar, permitindo que a tripulação examinasse detalhes do relevo e regiões que não podem ser vistas diretamente da Terra.
Flashes de luz e cores intrigam os cientistas
Entre as observações científicas mais relevantes estão cinco flashes de luz extremamente discretos, registrados enquanto a tripulação atravessava o lado oculto da Lua. Os clarões foram associados a fragmentos rochosos que atingiram a superfície lunar. Os astronautas anotaram as posições dos fenômenos, permitindo que a equipe científica comparasse os relatos e verificasse as observações.
Os tripulantes também perceberam diferenças sutis de cores no terreno, incluindo tons de marrom, verde e azul, além de variações de cinza, preto, bege e branco. Essas nuances podem ajudar os pesquisadores a identificar diferenças na composição das rochas e dos minerais e a compreender melhor a evolução geológica da Lua.
Observações podem orientar futuras missões lunares
Outro destaque foi o chamado terminador lunar, a fronteira entre as regiões iluminadas e escuras da superfície. Nesse limite, a luz solar incide em ângulo baixo e produz sombras alongadas, que tornam crateras, montanhas e outras irregularidades mais visíveis. A iluminação observada também se assemelha às condições encontradas em áreas próximas ao polo sul lunar, região de interesse para futuras explorações humanas.
Em outubro de 2026, a NASA disponibilizou um relatório preliminar e outros materiais científicos da Artemis II para análise da comunidade científica. O conjunto reúne fotografias, observações verbais, desenhos e anotações feitas pelos tripulantes, permitindo que pesquisadores estudem os registros e comparem as descrições humanas com dados obtidos por sondas robóticas.
Os relatos de Wiseman e dos demais astronautas mostram como a observação direta pode complementar os levantamentos realizados por equipamentos automáticos. As informações coletadas durante o sobrevoo ajudam a investigar a história da superfície lunar e oferecem referências para o planejamento de futuras missões tripuladas.


