A temporada de furacões no Atlântico em 2026 está bem abaixo das médias históricas. Enquanto isso, três furacões intensos se formam simultaneamente no Pacífico Leste, perto da costa oeste dos Estados Unidos, e embora permaneçam sobre o oceano, os sistemas preocupam meteorologistas.
O El Niño, em curso desde agosto de 2026, explica essa dinâmica. O fenômeno enfraquece a atividade no Atlântico e favorece ciclones no Pacífico Nordeste. A situação mostra que fatores climáticos globais redistribuem os riscos, mas não os eliminam.
Previsões que não se confirmaram
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos EUA projetaram, em maio, cenários que não se concretizaram.
As projeções indicavam 55% de chance de atividade abaixo da média climatológica de 1991 a 2020. 35% de chance de atividade dentro da normalidade e apenas 10% de chance de atividade acima dela. Os órgãos esperavam entre oito e 14 ciclones tropicais nomeados, dos quais três a seis se tornariam furacões.
A temporada foi ainda mais branda, e até o fechamento do texto, nenhum sistema havia atingido a intensidade mínima de furacão. Apenas seis tempestades tropicais foram registradas: Arthur, Bertha, Cristóbal, Dolly, Édouard e Fay.
A lista de nomes repetiu a de 2020, exceto pelo substituto de Laura por Leah, uma escolha de respeito aos danos severos causados em 2020.
Impacto real apesar da fraqueza
O baixo número de sistemas não impediu destruição, e entre 17 e 18 de julho, a tempestade tropical Arthur atingiu o México e os estados americanos do Texas e da Louisiana. O sistema matou quatro pessoas no México e causou prejuízos estimados em US$ 1 bilhão.
Nos EUA, a precipitação acumulada alcançou 800 milímetros no golfo, acompanhada de dezenas de tornados moderados gerados pelas bandas de nuvens em enfraquecimento.
A tempestade reforça um princípio meteorológico: sistemas fracos sobre centros populacionais podem ser tão destrutivos quanto furacões intensos sobre áreas vazias. Instituições brasileiras formaram um painel específico para monitorar os impactos do El Niño no país, porque padrões oceânicos distantes afetam diretamente o clima tropical.
Reavaliação em agosto e recorde de setembro
Diante da atividade reduzida, os órgãos americanos revisaram as expectativas em agosto. A previsão passou a indicar de sete a 13 ciclones tropicais nomeados e de dois a seis furacões, com possibilidade de nenhum atingir a alta intensidade. A previsão se confirmou até o marco de 11 de setembro.
Essa data costuma marcar o pico da atividade de furacões no Atlântico, segundo os registros históricos. Em 2026, 11 de setembro passou sem nenhum furacão classificado.
Até então, os furacões Gustav, em 2002, e Humberto, em 2013, ocupavam esse recorde, ambos em 11 de setembro. A calmaria de 2026 quebrou o marco e fez de 2026 o oitavo ano da Era dos Satélites a chegar a setembro sem registrar um furacão sequer.
Após confirmar o recorde de inatividade, o Centro Nacional de Furacões publicou mapas que não indicavam ciclones tropicais nos sete dias seguintes, e o cenário era raro para essa época do ano.


