Buracos negros

Buracos negros podem estar em movimento vagando por galáxias, revela novo estudo

aproximadamente 100 mil quasares foram analisados pelos pesquisadores

Pesquisadores analisaram aproximadamente 100 mil quasares e encontraram evidências de que buracos negros supermassivos podem ser expulsos dos centros galácticos após fusões violentas entre galáxias. O achado sugere que essas fusões são mais comuns do que se acreditava. Esses objetos costumam permanecer nos centros das grandes galáxias, onde sua gravidade controla o movimento de estrelas e do gás vizinhos.

Colisões galácticas, porém, podem expulsar permanentemente esses objetos dos centros galácticos, lançando-os em trajetórias descontroladas pelo espaço intergaláctico.

Como os buracos negros supermassivos se movem

Quando duas galáxias se chocam, seus buracos negros centrais começam a se aproximar gradualmente. Com o tempo, os dois se fundem em um único objeto ainda mais massivo. A fusão libera ondas gravitacionais — perturbações no espaço-tempo previstas pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Se essas ondas carregarem mais energia em uma direção do que em outra, o buraco negro recém-formado sofrerá um impulso poderoso na direção oposta. Esse recuo pode acelerá-lo a milhões de quilômetros por hora e afastá-lo do centro galáctico onde nasceu.

 

Movimento limitado pela gravidade galáctica

Nem todos os objetos deslocados conseguem escapar de suas galáxias. A gravidade do sistema pode prender esses corpos, forçando-os a retornar lentamente ao centro. Conforme se aproximam, aumentam de velocidade, cruzam o núcleo galáctico e depois desaceleram gradualmente.

Esse ciclo pode persistir por muito tempo, embora as interações com a matéria circundante reduzam progressivamente o movimento. Astrônomos já identificaram alguns casos que sugerem essa dinâmica, mas confirmar casos específicos tem sido difícil: processos físicos alternativos produzem observações semelhantes.

Estudo analisa a luz de quasares para detectar movimentos

Pesquisadores da Universidade de Birmingham e da Eötvös Loránd University analisaram dados do Sloan Digital Sky Survey para verificar se um conjunto muito maior de observações poderia fornecer evidências mais sólidas. Os quasares — centros galácticos extraordinariamente brilhantes alimentados por buracos negros que consomem gás circundante — fornecem essas pistas por meio da luz que emitem.

A equipe mediu diferenças na luz emitida por gás próximo ao buraco negro e gás mais distante, permitindo estimar o movimento do objeto em relação à sua galáxia. Também analisou o quanto cada quasar aparecia avermelhado, já que poeira ao redor absorve mais luz azul, deixando a luz restante com tonalidade vermelha.

Poeira revela ligação com buracos negros em movimento

Os dados mostram que quasares com Buracos negros mais rápidos tendiam a aparecer mais avermelhados, sugerindo que esses objetos estavam cercados por maior quantidade de poeira. A diferença mais acentuada apareceu entre os objetos mais envoltos em poeira.

Quasares fortemente obscurecidos por poeira eram três vezes mais comuns entre os que continham os buracos negros mais rápidos do que entre os que continham os mais lentos. Esse padrão corresponde a uma previsão teórica formulada em 2016 por Peter Raffai.

Zoltán Haiman e Zsolt Frei: buracos negros deslocados deveriam se mover mais rapidamente perto dos centros galácticos, onde as concentrações de poeira são geralmente maiores.

De olho nas galáxias

Telescópio construído para fotografar galáxias distantes encontra cometa que a ciência desconhecia

Telescópio não foi feito para caçar cometas, mas encontrou um deles

27/10/2026 07h22

Foto: Conner Baker/Unsplash

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O Telescópio Euclid, da Agência Espacial Europeia, descobriu em setembro o cometa C/2026 S1, que nenhum astrônomo conhecia. Projetado para fotografar galáxias distantes, o telescópio não foi feito para caçar cometas, mas encontrou um deles. Mikko Pöntinen, estudante de doutorado da Universidade de Helsinque, criou o software que detectou o objeto.

O programa identifica pequenos corpos do Sistema Solar nas imagens capturadas pelo Euclid e detectou o cometa ao flagrar um borrão que cruzava várias fotos.

Como a descoberta aconteceu

Entre 16 e 24 de setembro de 2026, o Euclid fotografou o cometa em diferentes regiões do céu. Um desses registros durou mais de nove minutos — tempo suficiente para o objeto rápido aparecer como um traço de luz em vez de um ponto fixo. Pöntinen comparou o objeto com listas de cometas e asteroides conhecidos e não encontrou correspondência.

Após confirmar a presença de uma nuvem difusa ao seu redor — assinatura de um cometa ativo que libera poeira e gás — Pöntinen informou a descoberta ao Centro de Planetas Menores da União Astronômica Internacional. O centro confirmou o cometa em 8 de outubro, oficializando o nome C/2026 S1 (Euclid).

Astrônomos em terra também adicionaram suas próprias observações ao registro.

Onde o cometa orbita

O C/2026 S1 está a aproximadamente 1,3 bilhão de quilômetros da Terra — uma distância que o coloca entre as órbitas de Júpiter e Saturno. Diferentemente dos planetas, que orbitam o Sol aproximadamente no mesmo plano, esse cometa segue um caminho que sobe acima do Sistema Solar e leva milhares de anos para se completar.

A região por onde os planetas passam contém muitos cometas e asteroides, mas o Euclid evita essa zona de propósito. A poeira ali produz um clarão que prejudicaria as imagens nítidas de galáxias distantes que o telescópio busca capturar.

Além disso, o Euclid normalmente fotografa cada área do céu uma única vez. Por isso, não há um segundo registro para localizar um objeto em movimento.

Um achado improvável

Bruno Altieri, cientista do arquivo do Euclid, integrou a equipe de descoberta e disse que pouquíssimos cometas deveriam ser descobertos pelo telescópio. A órbita do cometa e a varredura do Euclid naqueles dias permitiram capturá-lo em várias imagens, e essa coincidência reforçou a importância da vigilância automática.

Nos próximos seis anos, o Euclid mapeará bilhões de galáxias a até 10 bilhões de anos-luz de distância, para estudar como matéria escura e energia escura moldam o universo. Um lote inicial de dados já registrou mais de 26 milhões de galáxias.

Antes de medir as galáxias, a equipe identifica tudo em cada imagem e remove rastros de cometas e luz parasita — uma tarefa que agora inclui o registro do C/2026 S1.

Por que o software conseguiu identificar um objeto invisível à primeira vista

O programa de Pöntinen procura padrões que escapam aos telescópios comuns: traços de luz que atravessam várias imagens. Quando um objeto se move rápido o suficiente durante um registro longo, como o do cometa, que durou nove minutos. Ele não aparece como um ponto brilhante fixo, mas como um borrão ou uma linha.

O software reconhece esse padrão, que objetos parados no céu, como galáxias, não produzem.

Depois de flagrar o traço, o programa aplica cálculos orbitais para prever onde o objeto deveria estar nas imagens capturadas nos dias seguintes e o procura nelas. Quando encontra o mesmo padrão em cinco conjuntos de imagens diferentes, fica menos provável que seja coincidência. A nuvem difusa ao redor confirmou que era um cometa, não apenas um asteroide.

Se o Euclid não procura por cometas, como o software sabia que estava procurando por um?

O software não "sabia" que era um cometa: ele apenas reconheceu o padrão físico de um traço de luz que atravessa várias imagens. Esse padrão indica um objeto em movimento rápido, que pode ser um asteroide ou um cometa. Depois, Pöntinen comparou o objeto com listas de corpos conhecidos e examinou a nuvem difusa ao redor dele.

A nuvem de poeira e gás — algo que asteroides não têm — provou que se tratava de um cometa ativo.

Reflexão e Filosofia

Platão: O maior castigo de quem não se interessa por política é ser governado por quem se interessa

Trata-se de uma reflexão antiga.

26/10/2026 18h36

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Quem abandona as questões políticas não fica fora de seus efeitos — apenas perde a capacidade de influenciá-los. Por trás da frase atribuída a Platão existe uma contradição incômoda: tentar escapar da política não livra ninguém de suas consequências, apenas transfere o poder de decisão para quem aceita exercê-lo.

Trata-se de uma reflexão antiga, ainda que a frase como é conhecida hoje seja uma releitura posterior das ideias originais do filósofo grego. Ignorar os assuntos públicos tem um preço que não se restringe a quem opta pelo afastamento, mas recai sobre toda a sociedade.

O impacto das decisões públicas sobre quem se mantém à margem

Impostos, regulamentações e políticas de saúde, educação e segurança continuam moldando a vida de qualquer pessoa, independentemente de ela acompanhar ou questionar essas escolhas. O isolamento político não cria uma zona de neutralidade; apenas transforma o cidadão em espectador das decisões tomadas por outros.

Quando cidadãos se afastam do acompanhamento e do debate, pessoas dispostas a investir tempo e energia ocupam esse espaço. Elas passam a definir prioridades, estabelecer regras e decidir rumos coletivos sem contestação. Em democracias estáveis, esse padrão não é exclusividade brasileira: a apatia política prospera onde não há pressão pela participação.

O que Platão pensava sobre poder e responsabilidade

Para o filósofo grego, exercer autoridade exigia preparo intelectual e disposição genuína para buscar o interesse coletivo, não apenas ganhos pessoais. Em sua obra "A República", ele vinculava justiça, conhecimento e organização da cidade, argumentando que lideranças moralmente formadas e competentes sustentavam uma ordem justa.

A frase sobre o castigo não aparece textualmente em seus escritos, mas resume uma passagem em que Sócrates afirma que quem se recusa a governar enfrenta o destino de ser governado por alguém pior. A formulação moderna é uma síntese popular desse pensamento, não uma citação comprovada.

Platão desconfiava de dois extremos: tanto de quem se afastava da vida pública quanto daqueles que nela ingressavam movidos apenas por ambição.

Participação vai além do voto e das eleições

Engajar-se politicamente não exige filiação partidária, repetição de palavras de ordem ou conflito permanente. Significa acompanhar com atenção e discernimento o que ocorre nos espaços coletivos e assumir responsabilidade por eles.

Votar de forma consciente dispensa a concordância integral com um candidato, mas depende de avaliar propostas, trajetória, viabilidade das promessas e compromisso com os princípios democráticos. Sem compreender o funcionamento das instituições e dos orçamentos, o cidadão tem mais dificuldade para participar fora do período eleitoral, e por isso, esse conhecimento é relevante.

Hábitos concretos fazem diferença: acompanhar decisões em diferentes níveis de governo; buscar informação em fontes variadas; separar fatos de opiniões e conteúdos manipulados; exigir prestação de contas de autoridades; conversar sobre ideias sem transformar quem pensa diferente em inimigo pessoal. Associações, conselhos participativos, audiências públicas e contato direto com representantes também funcionam como canais de engajamento fora dos períodos eleitorais.

Nenhum desses caminhos exige conexão permanente; todos exigem presença real.

O perigo silencioso da ausência coletiva

A apatia se torna perigosa não por um dia isolado de desatenção, mas pela recusa prolongada de examinar leis, acompanhar comportamentos públicos e questionar decisões. Quando a vigilância diminui, interesses particulares avançam sem resistência.

A reflexão de Platão permanece incômoda porque aponta algo que muitos preferem não encarar: quem sai da cena pública não se livra dela, mas perde voz e poder de decisão, ficando entregue às escolhas de outros.

A reflexão mantém sua relevância ao mostrar que ficar de fora ou adotar uma postura de falsa neutralidade também traz consequências para a vida coletiva. Ela não pede filiação a partidos nem engajamento ininterrupto, mas sugere que cada pessoa cultive consciência cívica e ajude a manter vivos o diálogo, a fiscalização e a participação.

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