Ajuda ou atrapalha?

Com fortuna de R$ 9,1 bilhões, um dos mais ricos do Brasil diz: "o dinheiro começa a atrapalhar"

Ele afirmou que existe um limite a partir do qual acumular patrimônio deixa de fazer diferença na vida

No B55 Conference, realizado em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro e com mais de 3 mil empreendedores, Guilherme Benchimol afirmou ao Forbes Brasil que existe um limite a partir do qual acumular patrimônio deixa de fazer diferença na vida.

Para o empresário, a busca por mais dinheiro pode perder sentido depois que as principais necessidades já foram atendidas. A partir desse ponto, aumentar continuamente o patrimônio deixa de representar uma mudança significativa na rotina e pode até passar a ocupar espaço demais na vida.

Da quadra de tênis ao mercado financeiro

O pai impôs uma condição: ele teria de continuar na escola ou largar o tênis.

A decisão acabou mudando o caminho que seguiria nos anos seguintes. O esporte, que fazia parte de sua rotina, ficou em segundo plano enquanto os estudos e, posteriormente, o trabalho passaram a ocupar cada vez mais espaço.

A mudança não significou apenas deixar as quadras, mas também abrir mão de uma atividade que fazia parte de sua vida naquele momento. Com o tempo, a trajetória profissional tomou uma dimensão muito maior do que poderia imaginar no início.

Uma trajetória construída a partir de Porto Alegre

A história profissional ganhou novos capítulos até chegar à construção de uma das maiores operações do mercado financeiro brasileiro. O crescimento da companhia acompanhou também a expansão de sua base de clientes e da estrutura formada ao redor do negócio.

Hoje, a companhia XP reúne 4,8 milhões de clientes ativos, mais de 18,3 mil assessores de investimentos e mais de 600 escritórios parceiros. O volume de ativos sob custódia chega a R$ 1,5 trilhão. A soma se aproxima de R$ 2,2 trilhões quando inclui os recursos administrados e os valores apenas depositados na plataforma.

Esses números ajudam a dimensionar o tamanho alcançado pela empresa ao longo dessa trajetória. O negócio passou a envolver uma estrutura ampla, com milhões de clientes e milhares de profissionais ligados à operação.

 

O ponto em que a riqueza deixa de ajudar

Até certo ponto, cada conquista financeira melhora a rotina de quem acumula recursos. Depois desse limite, porém, o excesso deixa de somar e passa a pesar mais do que ajuda, disse o empresário. Para ele, depois que as necessidades são atendidas, a felicidade não está ligada ao acúmulo de mais dinheiro.

A reflexão está ligada justamente à diferença entre conquistar segurança financeira e continuar acumulando patrimônio sem que isso represente uma mudança proporcional na qualidade de vida. Em determinado momento, segundo a visão apresentada por ele, o dinheiro deixa de ser uma ferramenta para resolver necessidades e passa a ter uma importância menor diante de outras questões.

Por isso, a frase sobre o dinheiro começar a “atrapalhar” está relacionada a esse ponto de saturação. A partir de determinado nível de riqueza, ter mais recursos não necessariamente significa ter mais satisfação ou aproveitar melhor o tempo.

O preço de nunca desacelerar

Benchimol ceitava esse ritmo como o preço a pagar, e o esporte ficou de lado, o peso aumentou e a vida pessoal se ajustou ao ritmo imposto pela companhia em crescimento constante. Cada meta alcançada abria espaço para a seguinte, num ciclo em que comemorar uma conquista servia apenas de ponte para a próxima.

A lógica fazia com que o momento de comemorar uma vitória durasse pouco. Assim que uma etapa era concluída, outra meta surgia no horizonte, mantendo a rotina em movimento e dificultando uma pausa mais prolongada.

O crescimento profissional, portanto, vinha acompanhado de um custo pessoal. Quanto maior ficava o negócio, maior também era a necessidade de acompanhar seu ritmo, deixando menos espaço para atividades e momentos que haviam ficado para trás.

O aprendizado sobre tempo e velocidade

O que parecia ser apenas o início de um projeto se transformou, sem que percebesse, em um quarto de século de trabalho.

Ao olhar para esse período, a percepção passa também pela velocidade com que os anos foram passando enquanto o foco permanecia voltado para o crescimento. O trabalho continuou avançando, novas metas foram estabelecidas e a trajetória acabou ocupando uma parcela enorme de sua vida.

É nesse contexto que a relação com o dinheiro ganha outro significado. Depois de décadas dedicadas à construção do patrimônio e da empresa, a questão deixa de ser apenas quanto ainda é possível acumular e passa a envolver o que fazer com o tempo conquistado ao longo desse caminho.

Tec

Já existem 5 milhões de robôs nas fábricas, mas o Japão quer dobrar esse número até 2040

O desafio demográfico motiva essa estratégia.

04/10/2026 12h00

Foto: Rui Dias/Pexels

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O Japão planeja incorporar 10 milhões de robôs movidos por inteligência artificial em seus setores econômicos até 2040, em resposta ao envelhecimento da população e à redução da força de trabalho disponível. A expansão faz parte de uma tendência global: atualmente, cerca de 5 milhões de robôs industriais já operam em fábricas em todo o mundo.

O desafio demográfico motiva essa estratégia: a população japonesa deve cair para 112,1 milhões de habitantes em 2040, enquanto a proporção de pessoas acima de 65 anos continua aumentando. Esse cenário amplia a demanda por trabalhadores em setores como indústria, saúde e serviços — justamente onde a automação pode ganhar espaço.

Robôs além das linhas de produção

O Japão já é referência em automação industrial, mas a integração da inteligência artificial abre novas possibilidades. Máquinas equipadas com IA podem ir além das linhas de produção tradicionais e atuar em hospitais, comércios e outros ambientes de trabalho que exigem interação com pessoas.

Robôs humanoides estão em desenvolvimento e teste, e a startup Zeals apresentou o modelo D1, entre outros protótipos desenhados para desempenhar tarefas em contextos diversos. A ideia não é substituir completamente o trabalho humano.

Mas fazer com que as máquinas assumam atividades repetitivas, físicas ou que exijam presença contínua, enquanto os trabalhadores se concentram em comunicação, tomada de decisão e habilidades especializadas.

Obstáculos e novos riscos

A expansão da robótica enfrenta custos altos, autonomia limitada e questões de segurança e confiabilidade em ambientes reais, fatores que desaceleram a adoção em larga escala. Empresas japonesas exploram modelos de colaboração entre pessoas e máquinas, mas a integração plena depende de avanços nessas áreas.

O setor de seguros também enfrenta novos desafios: à medida que robôs proliferam e se conectam a redes digitais, surgem riscos de danos materiais, acidentes, falhas técnicas e ataques cibernéticos.

Algumas seguradoras japonesas já começaram a desenvolver produtos para cobrir esses riscos associados às novas tecnologias. Esse mercado tende a crescer conforme a adoção de robôs aumente em atividades comerciais e industriais.

Aquisição de peso

Casal compra 23 hectares em 2003 e, 23 anos depois, cria refúgio para ursos, lobos e pumas

Propriedade fica numa área permanentemente protegida contra a urbanização

04/10/2026 11h16

Foto: whoabgflla/Pixabay

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Sean e Melodye Rooney transformaram os 23 hectares que compraram em 2003, em Montana, numa área permanentemente protegida contra a urbanização, após mais de duas décadas vivendo junto ao rio Stillwater.

O casal assinou um acordo de conservação com a organização Flathead Land Trust que impede a divisão do terreno e qualquer desenvolvimento futuro. O acordo garante a preservação da paisagem do local, com margem de rio, pântanos e campos abertos, para as próximas gerações.

A propriedade fica a oeste de Whitefish e reúne quase um quilômetro de margem do rio, trechos de pântano, mata ciliar e mais de 20 acres destinados à produção de feno. Cercada por outras áreas protegidas e terras públicas, ela integra um corredor de conservação mais amplo na região.

Gerações de ligação com a terra

A história da família com o Vale Flathead vai muito além de 2003. O avô de Sean trabalhou como pioneiro perto de Cut Bank e depois na ferrovia de Whitefish, enquanto seu pai, após passar anos fora, retornou à região e foi professor na comunidade local. Essa ligação explica por que o casal decidiu fixar raízes no local.

Sean e Melodye adquiriram o terreno junto aos pais de Sean, mas com o tempo se tornaram os únicos proprietários e passaram a morar no local em tempo integral. O convívio diário com a fauna selvagem e o trabalho para preservar o entorno natural pesaram na decisão de blindar o campo contra qualquer forma de desenvolvimento imobiliário.

Um santuário para a vida selvagem

Armadilhas fotográficas instaladas na propriedade já flagraram ursos pardos e pretos, pumas, lobos cinzentos, alces, lontras e águias-de-cabeça-branca circulando pelos diferentes ambientes do terreno. A combinação de bosque, pântano, vegetação rasteira e campos de feno favorece a diversidade de espécies.

A conservação dessas terras também protege o rio Stillwater, que abriga espécies sensíveis como a truta-touro e a cutthroat westslope. Em 2025, a família deu início a um projeto para recuperar uma lagoa e recompor os pântanos da região, ampliando o valor ecológico do local.

A propriedade integra o Snapshot USA, programa nacional de monitoramento de mamíferos coordenado pelo Smithsonian. Uma cena registrada pelas câmeras mostrou a filha do casal, Brigit, passando pelo mesmo trajeto onde um puma cruzaria minutos depois.

Como funciona o acordo de proteção

A servidão de conservação com a Flathead Land Trust não tira a propriedade da família. Os Rooney continuam morando no local e produzindo feno. O acordo proíbe a subdivisão do terreno e qualquer empreendimento imobiliário. A organização fiscaliza o cumprimento das regras.

Essa área privada se soma a um corredor de conservação que já reúne outras terras protegidas, entre elas trechos do Serviço Florestal dos EUA e a floresta estadual Stillwater. A união desses espaços amplia a conexão entre habitats e sustenta tanto a fauna silvestre quanto o uso agrícola tradicional da região, beneficiando todo o ecossistema do Vale Flathead.

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