Um total de 70,4 mil profissionais das forças de segurança pública foram afastados das funções em 2024 por transtornos mentais diagnosticados, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão reuniu as informações no Painel Qualidade de Vida no Trabalho, que reúne números de 135 instituições nos 26 estados e no Distrito Federal.
Cada afastamento contabilizado foi respaldado por laudo de psicólogo ou psiquiatra. E classificado na categoria F da Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde, que abrange transtornos mentais e de comportamento.
Bombeiros lideram os afastamentos
Os Corpos de Bombeiros Militares registraram o maior número de casos, com 38.761 licenças com diagnóstico formal. Sargentos de diferentes patentes somaram a maior parte das ausências: 12.295 entre 1º sargentos, 8.481 entre 2º sargentos e 5.504 entre 3º sargentos.
As Polícias Militares aparecem em seguida, com 28.449 licenças registradas com código da CID-10, além de 1.472 afastamentos por receita médica sem detalhamento, protegidos por sigilo. Soldados formam o grupo mais afetado dentro da corporação, com 16.963 casos isolados.
Já nas Polícias Civis, 3.276 afastamentos tiveram diagnóstico confirmado, e os Agentes de polícia concentraram 2.660 deles, à frente de escrivães (444) e delegados (343).
Suporte psicológico chega tarde
O painel expõe uma falha recorrente: o apoio psicológico geralmente chega depois que o profissional já está esgotado, sem acompanhamento constante para evitar o agravamento do quadro.
Nas Polícias Militares, 22 Unidades Federativas oferecem suporte de psicologia e psiquiatria, mas apenas oito proporcionam avaliação psicológica periódica e 19 não realizam acompanhamento de rotina.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, informou ao CNN Brasil que a coleta desses dados ainda enfrenta obstáculos ligados ao sigilo médico dos servidores. Ele disse que a intenção é transformar esse mapeamento em obrigação anual.
Com aperfeiçoamentos sucessivos na metodologia, e que o mais importante é que estão olhando para a saúde mental dos profissionais da segurança pública.


