Um terreno no condado de Williamson, região agrícola em expansão no Texas, gerou conflito entre moradores, autoridades municipais e descendentes de seus antigos proprietários.
Em 1999, a família Bland cedeu 36 hectares por apenas US$ 10, com a intenção explícita de transformar a área em parque público. Em 2025, porém, o mesmo terreno foi vendido por US$ 10 milhões a uma empresa privada de desenvolvimento de centros de dados.
O caso trouxe à tona as condições legais da transferência do terreno e colocou em confronto interpretações divergentes sobre seu destino, segundo o portal 404 Media.
De espaço comunitário a projeto privado
A família Bland transferiu originalmente o terreno à Fundação de Parques e Recreação do Texas por uma quantia simbólica, na expectativa de que a área servisse ao uso público da comunidade. Nos anos seguintes, o terreno mudou de mãos várias vezes até ficar sob controle da cidade de Taylor, a nordeste de Austin.
A região passou a atrair grandes empreendimentos industriais e tecnológicos, o que mudou seu perfil de ocupação.
Em 2025, a Blueprint, empresa ligada a projetos de centros de dados, adquiriu o terreno da municipalidade. O projeto ficaria a apenas 150 metros da casa de uma das famílias da região. E gerou inquietação entre alguns vizinhos, preocupados com a transformação do espaço, historicamente usado para reuniões e atividades ao ar livre.
A escritura original e a disputa legal
A escritura de 1999 destinava o terreno à criação de um parque. Segundo a documentação, o imóvel deveria permanecer em fideicomisso para preservar esse uso comunitário. A interpretação dessa cláusula se tornou um dos principais pontos de divergência entre as partes.
A cidade argumenta que as transferências posteriores não reproduziram a condição nas escrituras seguintes, o que tornaria a venda à Blueprint válida segundo a documentação vigente. Moradores e descendentes dos proprietários originais, porém, afirmam que a intenção da família era manter o terreno para uso público e questionam se a cláusula foi respeitada.
Segundo o 404 Media, Pamela Griffin, descendente de uma família que viveu gerações no local. Afirma que o agricultor que cedeu as terras havia dito ao pai dela que desejava um parque ali, não um projeto de desenvolvimento urbano ou um polo industrial. Essa vontade, porém, não aparece explicitamente nos documentos em discussão.
A disputa chegou aos tribunais, mas a interpretação da escritura original continua sem decisão definitiva. Enquanto isso, a cidade e os opositores ao projeto defendem destinos diferentes para os 36 hectares.



