O menor páis do mundo

Enquanto a maior fazenda do Brasil tem 152 mil hectares, Europa pode ganhar país de 27

A área seria menor que o Estado do Vaticano.

A Albânia, que já foi o único Estado ateísta do mundo, agora estuda criar um território independente dentro da própria capital, Tirana, reservado à ordem religiosa Bektashi. Com apenas 27 hectares, a área seria menor que o Estado do Vaticano e poderia se tornar o menor país do planeta.

A proposta partiu do primeiro-ministro Edi Rama, e o novo território se chamaria "Estado Soberano da Ordem Bektashi". O projeto já provoca debates sobre religião, soberania e influência internacional antes mesmo de sair do papel.

Uma vertente própria dentro do islamismo

A Ordem Bektashi prega uma versão liberal do islã, aberta a interpretações místicas e ao diálogo com outras religiões e filosofias. A corrente é considerada mais flexível dentro do islã e se distancia de leituras rígidas praticadas em outras regiões. No último censo do país, pouco menos de 5% da população albanesa se declarou seguidora dessa vertente religiosa.

Uma comparação de escala improvável

A escala do projeto contrasta com a da Fazenda Roncador, no interior do Mato Grosso. A propriedade chegou a somar 152 mil hectares em seu auge, depois que Pelerson Soares Penido a comprou em 1978.

Aos 60 anos, o engenheiro civil e ex-tropeiro decidiu apostar num modelo de pecuária que rompia com os padrões da época. A propriedade cresceu até superar a área de toda a Região Metropolitana de São Paulo. Os 27 hectares projetados na Albânia são uma fração desse tamanho.

Estradas, aeroporto e uma cidade particular

A fazenda chegou a ter 607 quilômetros de vias pavimentadas, além de centenas de quilômetros de estradas internas. Escolas, mercados, igrejas e quadras esportivas atendiam quem morava e trabalhava ali, e a propriedade também tinha um aeroporto próprio.

Em comparação, o "Estado Soberano da Ordem Bektashi", se sair do papel, dispensaria qualquer infraestrutura desse porte. Seus 27 hectares mal dariam para reproduzir uma fração das estradas internas que cortavam o antigo latifúndio mato-grossense.

Duas histórias, duas noções de território

Enquanto a Albânia discute como transformar um pedaço mínimo de sua capital em um país à parte. A experiência da fazenda brasileira mostra o extremo oposto: um só imóvel rural funcionando como microrregião autossuficiente.

Após ser dividida entre herdeiros, a propriedade no Mato Grosso hoje soma 53 mil hectares, ainda assim uma extensão que segue muito acima da que caberia num pequeno enclave religioso europeu.

Oportunidade

Espanha procura pedreiros, encanadores e zeladores para viver entre montanhas e reformar casas

A localidade fica a 630 metros de altitude.

08/10/2026 17h49

Foto: David Antonio Cruz Naira/Pexels

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La Vall d'Alcalà, um município com 160 habitantes na província de Alicante, procura profissionais dispostos a se mudar para a região. A prefeitura busca pedreiros, encanadores, pessoal de manutenção, cuidadores de idosos, motoristas, garçons e trabalhadores ligados à agricultura — profissões que desapareceram à medida que a população envelheceu e deixou a região.

O prefeito Pablo Martínez, no cargo há 12 anos, afirma que o obstáculo não é a falta de emprego, mas a escassez de casas em condições para os novos moradores. A localidade fica a 630 metros de altitude, cercada por montanhas, cerezeiros e povoados mouriscos antigos, e está a apenas 25 minutos de carro da praia.

O que falta nas casas do município

O núcleo urbano reúne construções antigas que precisam de reformas profundas. Muitas têm infiltrações e não possuem sistemas modernos de aquecimento ou ar-condicionado. Também há poucas opções de aluguel permanente. A falta de um plano urbanístico dificulta a construção de novas residências e a recuperação de terrenos e imóveis em ruínas.

Martínez disse ao TN que, por se tratar de um município antigo, La Vall d'Alcalà não dispõe de um plano urbanístico que permita a expansão mínima necessária e a oferta de moradias em condições, públicas ou privadas. O esvaziamento populacional agravou o problema: profissionais que trabalhavam na região se aposentaram e não foram substituídos.

Como funciona a vida no dia a dia

Com poucos habitantes, os serviços disponíveis são limitados. Não há uma loja de alimentos aberta permanentemente, e os moradores dependem de vendedores ambulantes que circulam regularmente pela região.

Um padeiro passa diariamente e também leva leite e ovos. Um vendedor de verduras visita a região uma ou duas vezes por semana. Aos sábados, chega um caminhão de suprimentos.

Para compras maiores, consultas médicas ou determinados serviços, os vizinhos precisam se deslocar para municípios próximos, como Planes, Pego ou Alcoy. Na região, o médico da rede pública atende apenas um dia por semana. A prefeitura acredita que recuperar as casas deterioradas e liberar novas áreas para construção são medidas centrais para conter o esvaziamento populacional.

Astronomia

NASA encontra em Madagascar um "pedaço da Lua" de 100 km² escondido na Terra

Fotografia captada da Estação Espacial Internacional.

08/10/2026 16h00

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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Uma fotografia captada da Estação Espacial Internacional revelou, no sul árido de Madagascar, um círculo de rocha clara que chamou a atenção da NASA. O brilho intenso da formação contrasta com o terreno circundante, lembra regiões observadas na Lua e preserva evidências de processos geológicos ocorridos centenas de milhões de anos atrás.

A estrutura é o maciço de anortosita de Saririaky, com aproximadamente 100 quilômetros quadrados de superfície. A anortosita é uma rocha ígnea intrusiva, formada quando o magma esfria sob a superfície terrestre e desenvolve grandes cristais minerais.

Uma herança do supercontinente antigo

Os cientistas determinaram que o maciço se originou no Precámbrico tardio, há pelo menos 600 milhões de anos, antes de Madagascar adquirir sua configuração geográfica atual. As rochas ao redor de Saririaky registram um episódio intenso da evolução geológica da região, marcado por deformações causadas por pressões e temperaturas elevadas.

A deformação deixou no terreno padrões lineares orientados de norte a sul, sinais das forças intensas que atuaram quando diferentes blocos continentais começaram a convergir. Os geólogos associam essas alterações às colisões entre blocos continentais que hoje integram África, Índia, Madagascar, Austrália e Antártida, durante a formação do supercontinente Gondwana.

Conexão com a superfície lunar

A comparação com a Lua vai além da aparência visual. A anortosita também é uma rocha comum na superfície lunar e integra as zonas claras e refletivas conhecidas como terras altas lunares.

Afloramentos similares aparecem desde o leste do Canadá e da Escandinávia até o sul da Índia, tornando essas formações terrestres referências valiosas para compreender materiais fundamentais nos primeiros momentos da história lunar.

As anortositas lunares têm mais de 4 bilhões de anos e cristalizaram a partir do antigo oceano de magma lunar até integrar sua crosta exterior. Embora cientistas tenham estudado amostras coletadas pelos astronautas do programa Apolo, esse material é limitado, razão pela qual recorrem a equivalentes terrestres para aprofundar o conhecimento sobre o passado do satélite.

Fragmentação e estrutura em grande escala

O estiramento e a quebra de materiais submetidos a tensões intensas geraram uma estrutura em larga escala conhecida como boudinage. A descoberta reforça a importância de estudar formações geológicas terrestres para compreender tanto a história do planeta quanto os mecanismos que moldaram nosso satélite natural ao longo de bilhões de anos.

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