Mudanças no planeta

Adeus, Terra redonda: cientistas descobrem que o planeta está mudando de forma

Superfície rochosa da Terra tende a ficar mais redonda

A Terra está passando por mudanças opostas: sua superfície rochosa tende a ficar mais redonda, enquanto seu campo gravitacional se torna mais achatado. Um estudo do geólogo Christopher Kotsakis, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, reconstituiu essa transformação com base em medições de quase duas décadas.

A pesquisa analisou como os movimentos verticais da crosta terrestre variam conforme a latitude e revelou uma redistribuição de massa que modifica ao mesmo tempo a Terra sólida e sua forma gravitatória. Essas mudanças ocorrem porque nosso planeta nunca foi uma esfera perfeita.

Por que a terra muda de forma constantemente

A rotação terrestre provoca um ligeiro abaulamento no equador e um achatamento nos polos — uma deformação tão pequena que fica invisível em fotografias do espaço. Além disso, a crosta não permanece imóvel. As placas tectônicas se deslocam, e o solo responde quando o peso sobre ele aumenta ou diminui.

Quando uma região acumula muita massa, o terreno pode afundar; quando essa carga desaparece, a crosta começa a se recuperar lentamente. Esse comportamento explica por que as mudanças atuais podem levar milhares de anos para se completar.

O legado das eras glaciais ainda em andamento

Parte dessa transformação vem do ajuste isostático glaciar, processo em que terras antes cobertas por enormes camadas de gelo continuam subindo depois de perder esse peso. A última era glacial terminou há cerca de 11 mil anos, mas algumas regiões ainda respondem à carga que suportaram naquele período.

A esse efeito ancestral somam-se agora as mudanças causadas pela perda de gelo na Groenlândia e na Antártida. Quando esse gelo desaparece, o solo abaixo pode se elevar, enquanto a água liberada se redistribui pelos oceanos, adicionando peso em outras partes do globo.

Os polos sobem enquanto o equador desce

Para analisar as mudanças na parte rochosa do planeta, pesquisadores utilizaram uma rede global de estações de navegação por satélite (GNSS), capazes de registrar deslocamentos verticais mínimos. Os dados analisados entre 1997 e 2015 revelaram uma tendência clara nas regiões polares: entre 1997 e 2000, os polos se elevavam aproximadamente 0,5 milímetros ao ano.

O ritmo acelerou e chegou a cerca de 1 milímetro por ano por volta de 2015. Ao mesmo tempo, medições mostraram um afundamento progressivo ao redor do equador. Com isso, a Terra sólida reduzia lentamente seu achatamento.

A aparente contradição entre o sólido e o gravitacional

Os resultados parecem entrar em conflito com observações do geoide, a figura irregular que representa a forma do campo gravitatório terrestre e reflete como a massa se distribui pelo planeta. Desde o fim dos anos 1990, essa forma gravitatória tendeu a ficar mais achatada.

A explicação é que a superfície terrestre e a gravidade respondem a fenômenos diferentes. Quando o gelo derrete nas regiões polares, a crosta sobe, mas a água resultante se desloca para latitudes mais baixas. Isso aumenta o peso em outras regiões e torna o geoide mais achatado. Embora pareça contraditório, ambos os efeitos são fisicamente compatíveis.

Estado de alerta

Logo após Tsunami no Brasil, Alemanha confirma que Sol pode liberar "supererupções"

Cientistas do Instituto Max Planck encontraram evidências de que o Sol poderia gerar superfulgurações

24/09/2026 10h42

Foto: Pixabay/Pexels

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Cientistas do Instituto Max Planck encontraram evidências de que o Sol poderia gerar superfulgurações — explosões de radiação com energia extraordinariamente superior às erupções solares comuns.

Um estudo publicado em setembro de 2026 na revista Philosophical Transactions of the Royal Society A analisou a relação entre manchas solares. E a energia liberada durante fulgurações para determinar se nossa estrela reúne as condições físicas necessárias para produzir esses episódios extremos.

Essas superfulgurações liberam uma quantidade de energia comparável à de trilhões de bombas de hidrogênio e já foram observadas em estrelas fora do Sistema Solar. O desafio é que medições detalhadas da atividade solar cobrem apenas cerca de sete décadas — um intervalo minúsculo ante os aproximadamente 4.600 milhões de anos de idade do Sol.

Como nenhuma superfulguração foi registrada nesse período, os pesquisadores buscaram pistas indiretas para avaliar se o Sol seria capaz de produzi-las.

Pistas em outras estrelas e registros naturais

Pesquisas anteriores do Instituto Max Planck mostraram que estrelas similares ao Sol experimentam uma superfulguração aproximadamente uma vez a cada 100 anos em média. Além disso, registros naturais no planeta — em anéis de árvores, gelo antigo e outros arquivos — contêm aumentos extraordinários de isótopos radioativos associados a intensos bombardeios de partículas solares.

Esses rastros, porém, não comprovam necessariamente que uma superfulguração tenha ocorrido.

Manchas solares revelam novas relações

A equipe liderada por Natalie Krivova analisou observações do Solar Dynamics Observatory da NASA entre 2010 e 2016. Os cientistas selecionaram as 300 fulgurações mais intensas detectadas nesses anos e compararam a energia liberada com o tamanho da região ativa de onde cada uma procedeu.

Essas zonas apresentam campos magnéticos especialmente intensos e complexos, frequentemente associados às manchas solares escuras que aparecem periodicamente na superfície visível da estrela.

A análise permitiu estabelecer uma relação estatística entre o tamanho de uma região ativa e a energia que pode liberar. Embora nenhuma superfulguração tenha ocorrido durante o período observado, a relação estatística encontrada entre energia liberada e tamanho da região deveria manter-se também para eventos mais potentes.

Com essa relação em mãos, a equipe retroagiu muito além da era espacial e estudou algumas das maiores manchas solares registradas nos últimos quatro séculos. Conforme informou o El Confidencial, Natalie Krivova afirmou que o Sol tem potencial para produzir superfulgurações e pode gerar manchas solares massivas que, em princípio, servem como ponto de partida dos estallidos de radiação mais extremos.

Alertas sobre um futuro "apagão solar"

O caso mais notável apareceu nos registros de abril de 1947, quando uma mancha solar extraordinariamente grande foi documentada. Os resultados da pesquisa reforçam que o Sol possui potencial teórico para desencadear superfulgurações — explosões que, se ocorressem hoje, poderiam causar danos massivos à infraestrutura tecnológica global.

A nova investigação mantém em aberto a questão fundamental: se o Sol possui esse potencial, qual é a frequência com que essas condições realmente resultariam em uma superfulguração e se ele já chegou a produzi-la em algum momento de sua história.

De olho na NASA

A NASA mostrou apenas uma imagem, mas ela pode esconder o futuro

Imagem enigmática de uma aeronave escura que emergia das nuvens foi divulgada

24/09/2026 10h15

Imagem: Divulgação/NASA

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O administrador da NASA, Jared Isaacman, apresentou durante o All-In Summit uma imagem enigmática de uma aeronave escura que emergia das nuvens e cuja silhueta lembrava o icônico SR-71 Blackbird.

Questionado sobre a foto, Isaacman não confirmou nem negou a identificação. Em vez disso, perguntou se havia certeza de que aquilo era um Blackbird. A resposta ambígua alimentou especulações entre os que acompanham os programas de voo experimental da agência.

Isaacman aproveitou o momento para explicar que a NASA pretende retomar seu histórico de inovação aeronáutica radical. Responsável por tecnologias hoje presentes na aviação militar e civil, como o sistema fly-by-wire e a vetorização de empuxo em caças como o F-22.

O retorno à inovação radical

Durante anos, segundo Isaacman, a agência foi "forçada a gastar seu orçamento de aeronáutica subsidiando esforços de alto nível de maturidade tecnológica de grandes contratistas", extraindo apenas 3% de eficiência adicional de motores com 40 anos de idade. A estratégia de retomar projetos radicais de fuselagens e motores está mudando a abordagem da agência.

Em entrevista ao El Confidencial, Isaacman explicou que desejava voltar aos projetos radicais de fuselagens e motores, como a agência deveria fazer. Essa mudança de direção ganhou peso oficial em maio de 2026, quando ele emitiu uma diretiva pedindo a revisão dos investimentos da NASA em aeronáutica.

O foco passou a incluir novos aviões X e projetos mais ambiciosos de motores e fuselagens para uso civil. Comercial ou de segurança nacional, sem financiar trabalhos que a indústria já tem incentivos para assumir por conta própria.

O x-59 e o futuro do voo supersônico

O programa X-59 QueSST, desenvolvido com a Lockheed Martin Skunk Works, exemplifica essa nova direção. Diferentemente do Blackbird, que buscava velocidade extrema, o X-59 tem um objetivo mais específico: demonstrar que é possível voar à velocidade supersônica com muito menos ruído. Elemento crucial para reformular futuras normas de voo supersônico sobre o solo.

A aeronave realizou seu primeiro voo em outubro de 2025 e completou o primeiro voo supersônico em 5 de junho de 2026, a aproximadamente Mach 1,1 e 43.400 pés de altitude.

Segundo Isaacman, esse é apenas o começo de uma fase em que a NASA "não demorará muito antes de voltar a volar tão alto e tão rápido quanto em décadas passadas, e depois até mais".

O legado do sr-71

A evocação do Blackbird na imagem mostrada por Isaacman não é acidental. A NASA operou esses aviões como plataformas de pesquisa no Centro Dryden. Hoje Armstrong, dentro da base Edwards da Força Aérea, utilizando-os para estudar aerodinâmica em alta velocidade, propulsão, materiais e estrondos sônicos.

Aquele programa, que perdurou de 1999 a 2008, deixou um legado duradouro na pesquisa aeronáutica americana.

A imagem enigmática exibida no All-In Summit alimenta especulações sobre qual será o próximo projeto radical da NASA. Seja qual for o design final, a mensagem está clara: a agência espacial americana quer retomar seu papel como catalisadora de inovação aeronáutica, não apenas consumidora de tecnologia já madura.

A silhueta nas nuvens pode ser apenas promocional, mas simboliza uma reorientação estratégica genuína.

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