Velocidade impressionante

Enquanto avião comercial voa a 800 km/h, NASA indica que SR-71 poderia chegar a 4.280 km/h

Este que permanece como o avião mais rápido já construído

O SR-71 Blackbird permanece como o avião mais rápido já construído: atingiu Mach 3,3 em 1976, na base aérea de Edwards, na Califórnia. Mais de 50 anos depois, engenheiros da NASA estudam modificações que poderiam levar o icônico avião tripulado a velocidades ainda maiores. Análises conduzidas nos anos 1990 indicaram que o Blackbird ainda tinha potencial de desempenho não explorado.

Cálculos de Conners indicam que a aeronave poderia alcançar aproximadamente 4.280 km/h em altitudes ideais, acima da marca registrada pelo avião.

O legado de um recorde duradouro

O desempenho alcançado pelo SR-71 em 1976 superou os aviões conhecidos até então. A velocidade de Mach 3,3 resultava de uma combinação de projeto, materiais especializados e motores capazes de funcionar a temperaturas e pressões extremas.

Aviões comerciais modernos, em comparação, voam rotineiramente a 800 km/h a 950 km/h durante a fase de cruzeiro — menos de um quarto da velocidade do Blackbird.

A velocidade ganhava importância no contexto da Guerra Fria, e o Blackbird foi desenvolvido como um avião espião de reconhecimento em alta altitude. Seu desempenho não era apenas uma demonstração de capacidade, mas uma necessidade operacional: permitia à aeronave evitar sistemas de defesa aérea adversários e completar missões de inteligência sobre territórios hostis.

 

Novas ambições: do passado para o futuro

Tim Conners, engenheiro responsável pela propulsão do SR-71 no Centro Dryden da NASA, conduziu estudos nos anos 1990 que indicaram ser possível elevar o desempenho da aeronave. Seus cálculos apontavam que modificações permitiriam ao Blackbird alcançar velocidades próximas a 4.280 km/h em condições de voo otimizadas.

A análise teórica dos anos 1990 voltou ao foco dos engenheiros da NASA. A possibilidade de retomar o projeto, antes restrita a estudos, levaria a aeronave a aproximadamente 4.280 km/h. Isso ultrapassaria o próprio recorde do Blackbird e ampliaria os limites conhecidos da velocidade aérea.

A diferença entre Mach 3,3 e as velocidades propostas parece pequena em números, mas impõe desafios maiores à integridade estrutural, ao comportamento dos materiais e à eficiência do sistema de propulsão.

Os engenheiros voltam a estudar os planos do avião mais rápido da história e, com eles, os limites do voo humano. Se saírem do papel, os projetos permitiriam superar recordes e ampliar a velocidade aérea sustentada.

História

Ele perdeu a esposa no tsunami do Japão e passou anos mergulhando para tentar ficar perto dela

Ele repete o ritual há mais de 13 anos.

17/10/2026 13h00

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Yasuo Takamatsu sobe num pequeno barco de pesca no porto de Onagawa, na província de Miyagi, e navega mar adentro várias vezes por mês. Ele repete o ritual há mais de 13 anos, desde que a esposa, Yuko, desapareceu no tsunami que atingiu o nordeste do Japão em 2011.

Antes de cada mergulho, veste a máscara, prende o cilindro de ar nas costas e ajusta o cinto de lastro. Longe da costa, desce até as águas frias que um dia levaram a mulher com quem dividia a vida.

O dia em que tudo mudou

Takamatsu havia acabado de deixar Yuko no banco onde ela trabalhava quando a onda avançou quase 10 km continente adentro. No trajeto, os dois ainda planejavam o que comeriam no jantar daquela noite.

Com as sirenes de alerta já soando, Yuko e outros 12 colegas correram para o telhado do prédio em busca de abrigo. Em uma mensagem, ela disse ao marido que estava bem e que só queria voltar para casa.

Uma busca que virou mergulho

A confiança de que a esposa estava segura durou pouco. No hospital municipal da cidade, Yuko não estava entre os sobreviventes resgatados. Confirmou-se que a água a havia levado, e Takamatsu diz que perdeu, naquele instante, toda a força para se manter em pé.

Nas semanas seguintes, corpos surgiam ao longo da costa japonesa à medida que o mar recuava, mas muitas famílias, como a dele, continuavam sem respostas. Durante dois anos, ele acompanhou de perto o trabalho da Guarda Costeira nas buscas por vítimas e objetos pessoais arrastados pela correnteza.

Depois de dois anos, decidiu aprender a mergulhar por conta própria, convencido de que continuar voltando ao mar aumentaria as chances de reencontrar Yuko. Ele já fez mais de 760 mergulhos, e o ritual começou quando estava no fim dos 50 anos e continuou ao longo dos 60.

Lembrar os mortos no Japão

A cultura japonesa reserva espaço constante para os mortos no cotidiano, com rituais que se mantêm muito depois da perda. Na tradição budista, o Kuyō reúne oferendas e orações feitas diante de um túmulo ou altar, buscando paz para quem já partiu.

Sem o corpo de Yuko para velar, esse tipo de homenagem nunca foi possível para ele. Em vez disso, as dezenas de mergulhos acabaram criando uma forma própria de manter viva a lembrança da esposa.

Ele relata que, depois de tantas descidas ao fundo do mar, passou a sentir a presença dela por perto, como se a rotina substituísse a visita a um túmulo que nunca existiu. Para ele, cada mergulho se tornou menos uma despedida e mais um encontro.

Um mar que não se odeia

Encontrar, nas profundezas, destroços acumulados ao longo dos anos ainda provoca dor em cada descida. Takamatsu reconhece que, diante das estruturas destruídas, imagina como teria sido impossível para a esposa escapar daquele caos debaixo d'água.

Mesmo com esse peso, ele afirma não guardar rancor do oceano que tirou Yuko de sua vida. Ao longo dos anos, passou a encarar o desastre natural como algo fora do controle humano, parte de um mar que também devolve sustento e beleza à região de Tohoku.

Takamatsu mantém os mergulhos no calendário, já na casa dos 60 anos, sem sinal de que vá parar.

Curiosidades

No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915.

17/10/2026 11h49

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No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade ao construir suas casas escavadas na terra, fugindo das temperaturas abrasivas que castigam quem fica acima do solo. O que começou como solução prática para o calor transformou-se numa cidade única, onde quartos, salas, cozinhas, igrejas, hotéis e restaurantes existem dentro de cavernas.

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915, quando garimpeiros descobriram opalas na região e atraíram pessoas de longe com a promessa do enriquecimento através da mineração.

À medida que aprofundavam a busca por pedras preciosas. Os trabalhadores perceberam que os buracos deixados pelas escavações ofereciam refúgio natural contra o calor extremo do deserto, transformando antigos poços de mineração em habitações permanentes.

A descoberta acidental de um lugar diferente

A fotógrafa chilena Tamara Merino chegou a Coober Pedy por acaso durante uma viagem pelo deserto — um pneu furado forçou ela e seu companheiro a parar e explorar a região. Ao avistarem placas anunciando bares e restaurantes subterrâneos, os dois resolveram investigar, curiosos para conhecer uma cidade que tinha boa parte de sua vida escondida abaixo da terra.

Durante a exploração, Merino conheceu Gaby, uma alemã que vivia no local com seu marido Jürgen, um minerador. Através do casal, a fotógrafa entendeu como funcionava a rotina diária dos moradores. E teve a oportunidade de visitar uma mina de opalas em funcionamento, documentando um modo de vida radicalmente diferente do que se vê em cidades convencionais.

A busca interminável por riqueza e o custo do sonho

Moradores de Coober Pedy podem passar anos ou até décadas procurando uma pedra capaz de transformar suas vidas financeiras, mas o sucesso não é garantido. Algumas opalas alcançam valores elevados conforme suas características, porém encontrá-las exige paciência extrema, trabalho constante e investimento significativo em máquinas e equipamentos.

Um minerador conhecido por Tamara trabalhava havia cerca de 20 anos nas paredes da própria casa subterrânea, continuando sua busca por novas pedras preciosas com esperança persistente. Os gastos com maquinário frequentemente consomem grande parte do dinheiro obtido com a venda das opalas encontradas, tornando a mineração um empreendimento arriscado onde ganhos são incertos e sacrifícios são reais.

Uma paisagem que desafia a imaginação

Além das habitações subterrâneas, a paisagem de Coober Pedy impressiona pela vastidão de montes de terra. Antigas minas abandonadas e um terreno árido e seco que se estende por quilômetros ao redor do povoado.

O cenário é tão distinto e otherworldly que serviu como locação para produções cinematográficas, capturando a atenção de cineastas em busca de ambientes visualmente impactantes e autênticos.

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