Durante quase uma década de rastreamento contínuo, um tubarão-baleia macho chamado Milo atravessou oceanos por mais de 54 mil quilômetros, estabelecendo um marco sem precedentes para a espécie. A trajetória revela como esses gigantes marinhos se deslocam entre continentes e retornam periodicamente a zonas de alimentação.
Monitorado desde 2017 por pesquisadores da Universidade Nova Southeastern e da Universidade de Rhode Island. Milo recebeu seu quinto transmissor por satélite em julho de 2026, permitindo uma continuidade de registro nunca antes alcançada para nenhum tubarão. Esse acompanhamento oferece insights valiosos sobre padrões migratórios e comportamento de repouso desses animais.
Para se ter uma ideia, o recorde oficial de maior distância percorrida por um homem é de 319,614 km, estabelecido em 24 horas de corrida contínua pelo atleta lituano Aleksandr Sorokin em 17 de setembro de 2022, em Verona, na Itália
De 2017 para cá: os cinco transmissores
O primeiro rastreador, instalado em 2017, funcionou apenas semanas Enquanto os pesquisadores refinavam a técnica. Dispositivos subsequentes foram fixados à nadadeira dorsal em 2018, 2020, 2023 e 2026, cada um fornecendo meses de dados sobre localização e profundidade de mergulho.
Reencontrar Milo diversas vezes foi possível porque o animal volta regularmente à região da Península de Yucatán. No México, onde se concentra anualmente para alimentar-se de ovos e larvas de peixes próximos à superfície. Identificar tubarões-baleia individualmente é possível pelos padrões únicos de manchas no corpo e formato da nadadeira dorsal de cada indivíduo.
Os gigantes do Oceano e seus hábitos
Chegando a quase 19 metros de comprimento, os tubarões-baleia contam-se entre os maiores peixes existentes. Apesar da reputação de solitários que realizam migrações extensas, reúnem-se em grupos numerosos quando há abundância de alimento numa área específica.
Nos verões do Hemisfério Norte, centenas desses tubarões e raias-manta chegam ao Golfo do México e à costa norte do Atlântico próxima à Península de Yucatán. A presença abundante de espécies menores na região os atrai, e a temporada 2026 registrou centenas de avistamentos diários.
Flexibilidade entre viagens de longa distância
Milo percorreu o Golfo do México, o Caribe setentrional, águas ao leste das Bermudas e áreas a norte de Massachusetts ao longo de sua trajetória. Simultaneamente, demonstrou capacidade de permanecer durante meses em áreas relativamente reduzidas, alternando entre expedições oceânicas e períodos de menor deslocamento. Essa adaptação a diferentes ambientes e escalas geográficas distingue a espécie entre os peixes migratórios.
Conforme informado à Revista Galileu, dados de longo prazo como esses são fundamentais para compreender o ciclo de vida completo de animais tão longevos, informando estratégias de conservação mais eficazes para a espécie, que atualmente é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza.

