Ciência nos mares

Enquanto maior tubarão dos mares tem 20 m, o menor deles não passa de 21,5 cm

Encontrado entre 400 e 500 metros de profundidade no Oceano Índico, tubarão mede 21,5 centímetros e ainda é conhecido por apenas um exemplar

Uma descoberta nas profundezas do Oceano Índico revelou uma espécie de tubarão que mede apenas 21,5 centímetros. O animal foi identificado próximo à costa da Ilha Maurício, entre 400 e 500 metros de profundidade, durante uma operação científica de arrasto.

A nova espécie de tubarão-lanterna

Batizado de Etmopterus bulbosus, o animal pertence ao grupo dos tubarões-lanterna. O único exemplar conhecido é uma fêmea, com coloração marrom e preta e uma leve tonalidade arroxeada.

O nome científico faz referência ao focinho grande e arredondado, característica que ajuda a distinguir a espécie de outros integrantes do gênero Etmopterus.

Como os pesquisadores identificaram o animal

A identificação foi realizada por meio de análises genéticas e morfológicas, que permitiram comparar o espécime com outras espécies do mesmo gênero.

Os resultados apontaram proximidade com o grupo do Etmopterus pusillus e semelhanças com o Etmopterus sentosus, especialmente na distribuição dos dentículos dérmicos, pequenas estruturas rígidas presentes na pele dos tubarões.

A descoberta foi publicada na revista científica Journal of the Ocean Science Foundation.

 

O tamanho e as características do tubarão

Com 21,5 centímetros de comprimento, o Etmopterus bulbosus tem dimensões próximas às do tubarão-lanterna-anão, que mede aproximadamente 21,2 centímetros e é considerado o menor tubarão conhecido.

Entretanto, como a identificação da nova espécie se baseia em apenas um exemplar, ainda não é possível estabelecer seu tamanho máximo. Por isso, não há confirmação de que ela seja a menor espécie de tubarão do mundo.

No outro extremo está o tubarão-baleia, considerado o maior tubarão do mundo. Ele pode alcançar entre 18 e 20 metros de comprimento, com registros de exemplares de até 18,8 metros.

Bioluminescência e conservação

Os tubarões-lanterna são conhecidos pela bioluminescência, capacidade de produzir luz por meio de órgãos especializados chamados fotóforos. Essa característica pode ajudar na atração de presas ou na proteção contra predadores, mas ainda não se sabe como ela se manifesta no Etmopterus bulbosus.

O gênero Etmopterus reúne 43 espécies catalogadas. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 36 são classificadas como de menor preocupação, três têm dados insuficientes e uma é considerada vulnerável.

O estado de conservação do Etmopterus bulbosus ainda não foi avaliado. Como apenas uma fêmea foi documentada, são necessárias novas informações para compreender melhor a espécie e suas características.

Reflexão

Dostoiévski: "Colombo não foi feliz ao descobrir a América, mas enquanto a descobria"

A ideia é simples, mas toca em uma experiência comum.

24/10/2026 09h59

Dostoiévski

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Existe uma frase atribuída a Fiódor Dostoiévski que provoca uma reflexão sobre a maneira como buscamos a felicidade: “Colombo não foi feliz quando descobriu a América, mas enquanto a descobria”. A ideia é simples, mas toca em uma experiência comum: muitas vezes, a satisfação está na expectativa e no caminho percorrido, e não apenas no momento em que finalmente alcançamos aquilo que desejávamos.

O que a viagem de Colombo revela sobre a felicidade

Ao mencionar Cristóvão Colombo, a frase não trata apenas de uma expedição histórica. Ela propõe uma reflexão sobre o comportamento humano e sobre a relação entre desejo e realização.

Enquanto perseguimos um objetivo, imaginamos como será alcançá-lo. A expectativa alimenta a motivação, cada avanço representa uma pequena vitória e a possibilidade de chegar ao destino mantém vivo o entusiasmo. Quando a conquista finalmente acontece, porém, a experiência real nem sempre corresponde à felicidade que imaginávamos sentir.

Essa sensação pode aparecer em diferentes momentos da vida: na aprovação em um concurso, na conquista de um diploma, na compra da casa própria ou na realização de um antigo sonho. A alegria existe, mas, em alguns casos, dura menos do que esperávamos.

Por que a felicidade parece diminuir depois de uma conquista?

A adaptação hedônica e a busca pelo próximo objetivo

A psicologia estuda esse fenômeno por meio do conceito de adaptação hedônica, que descreve a tendência de as pessoas se acostumarem, ao menos parcialmente, às mudanças positivas de suas vidas.

Uma conquista que parecia extraordinária pode se transformar em parte da rotina. O que antes despertava entusiasmo passa a ser familiar, enquanto novos desejos começam a ocupar o espaço deixado pela realização anterior.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas, mesmo depois de alcançar objetivos importantes, sentem vontade de perseguir algo novo. A promoção profissional abre espaço para outra ambição; o diploma dá lugar a novos planos; a realização de um sonho faz surgir outro.

Esse processo não significa que as conquistas sejam inúteis ou que a felicidade esteja condenada a desaparecer. A adaptação varia de pessoa para pessoa e depende das circunstâncias, da natureza da conquista e de outros fatores da vida.

O detalhe que transforma a jornada em parte da recompensa

O valor de viver enquanto se busca

A frase atribuída a Dostoiévski convida a olhar para um aspecto que costuma passar despercebido: o que acontece durante a busca por um objetivo.

Quando toda a satisfação é colocada no futuro, o presente corre o risco de se transformar em uma sala de espera. A pessoa trabalha para viver melhor depois, adia a tranquilidade até alcançar determinada posição e condiciona a própria felicidade a uma conquista que ainda não aconteceu.

Isso não significa abandonar metas ou deixar de desejar mudanças. Significa reconhecer que o percurso também tem valor. Aprender algo novo, superar dificuldades, construir relações e perceber o próprio progresso são experiências que podem oferecer satisfação antes mesmo da chegada ao destino.

A reflexão se torna especialmente importante quando a busca por resultados impede alguém de aproveitar aquilo que já faz parte de sua vida.

Reflexão

Sócrates: "Quem não está satisfeito com o que tem, também não estaria com o que deseja"

Filósofo questionava a ideia de que a riqueza.

24/10/2026 09h33

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Você já conquistou algo que desejava há meses e, pouco tempo depois, começou a pensar na próxima coisa que ainda faltava? Essa inquietação, tão comum na vida moderna, está relacionada a uma questão antiga: será que ter mais é suficiente para nos tornar felizes?

Na Atenas da Antiguidade, Sócrates questionava a ideia de que a riqueza e o conforto eram condições indispensáveis para uma vida boa. Para o filósofo, a maneira como lidamos com nossos desejos influencia diretamente nossa liberdade. Afinal, quando a satisfação depende sempre de uma nova conquista, até mesmo quem possui muito pode sentir que ainda não tem o bastante.

O filósofo que questionou o valor da riqueza

Imagine encontrar um pensador conhecido por sua inteligência, mas vestido com roupas gastas, usando sandálias simples ou caminhando descalço. Esse contraste chamou a atenção de Antifonte, um sofista que não compreendia por que alguém dedicado à sabedoria aceitava viver com tão pouco conforto.

O episódio foi registrado por Xenofonte na obra Memorabilia, também conhecida como Ditos e feitos memoráveis de Sócrates. No relato, Antifonte critica a alimentação simples, as roupas modestas e a decisão do filósofo de não cobrar por suas conversas.

Na visão do sofista, a filosofia deveria proporcionar uma vida mais agradável e confortável. Sócrates, porém, não considerava que a ausência de luxo fosse necessariamente um sinal de infelicidade.

O diálogo entre Sócrates e Antifonte

Em vez de simplesmente defender seu estilo de vida, Sócrates questionou os critérios utilizados por Antifonte para definir uma existência satisfatória.

O filósofo argumentava que sua alimentação simples não precisava ser motivo de vergonha se fosse suficiente para suas necessidades. Da mesma forma, não via razão para desejar roupas mais caras apenas porque outras pessoas as consideravam superiores.

O diálogo, preservado no primeiro livro de Memorabilia, apresenta duas maneiras distintas de compreender a felicidade: uma associada ao conforto e aos bens materiais; outra, à capacidade de viver sem depender excessivamente deles.

Um manto velho escondia uma ideia diferente de riqueza

Para Antifonte, roupas melhores, refeições elaboradas e dinheiro eram sinais de uma vida desejável. Sócrates avaliava a questão por outro ângulo: se conseguia alimentar-se sem grandes despesas e viver com simplicidade, por que deveria considerar sua existência inferior?

O argumento não significa que todas as pessoas devam rejeitar o conforto ou viver com poucos recursos. A questão central era outra: quanto mais uma pessoa acredita precisar para ser feliz, mais sua satisfação pode ficar condicionada àquilo que ainda não possui.

Quando determinados luxos deixam de ser escolhas e passam a parecer necessidades indispensáveis, a ausência deles pode gerar frustração. Nesse cenário, cada conquista corre o risco de se transformar apenas no ponto de partida para um novo desejo.

A liberdade de precisar de menos

A simplicidade de Sócrates pode ser compreendida como uma tentativa de preservar a própria autonomia. Quem não depende de muitos bens para viver encontra, em determinadas circunstâncias, mais facilidade para adaptar-se às mudanças e enfrentar situações adversas.

Essa perspectiva também ajuda a explicar por que a acumulação de riquezas não garante, por si só, contentamento. Uma pessoa pode alcançar seus objetivos e, ainda assim, continuar insatisfeita se estiver sempre comparando o que possui com aquilo que poderia conquistar.

A reflexão atribuída a Sócrates — "Quem não está satisfeito com o que tem, também não estaria com o que deseja" — resume essa inquietação, embora não corresponda necessariamente a uma citação literal preservada nos textos antigos.

Por que sempre queremos aquilo que ainda não temos?

A experiência descrita pelo diálogo continua familiar: depois de alcançar um objetivo, a satisfação pode diminuir, e a atenção se volta para uma nova meta. O problema não está em desejar crescer, aprender ou conquistar coisas, mas em transformar a próxima conquista na única condição para se sentir realizado.

A reflexão socrática convida a distinguir ambição de dependência. É possível desejar uma vida melhor sem desprezar aquilo que já foi conquistado. Também é possível reconhecer o valor do conforto sem permitir que ele determine toda a percepção de felicidade.

No fim, a questão não é quanto uma pessoa possui, mas se consegue apreciar o que tem enquanto busca aquilo que deseja. Talvez uma das formas mais importantes de liberdade seja continuar tendo objetivos sem fazer da própria felicidade uma promessa sempre adiada.

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