Documento histórico

Homem paga R$ 13 por documento em brechó e descobre que peça de 1823 valia mais de R$ 2,5 milhões

O item era uma cópia oficial da Declaração de Independência.

Michael Sparks pagou R$ 13 por um papel amarelado e enrolado numa prateleira da Music City Thrift Shop, em Nashville, sem imaginar que carregava um pedaço raro da história americana. O item era uma cópia oficial da Declaração de Independência, produzida em 1823, e foi leiloado por R$ 2,5 milhões depois de ser autenticado por especialistas.

O colecionador percebeu que o papel tinha traços que destoavam das reproduções comuns vendidas como lembrança turística e, por isso, investigou o achado antes de se desfazer dele.

A origem da cópia de 1.823

A cópia foi produzida depois que o secretário de Estado John Quincy Adams notou a deterioração acelerada do pergaminho original de 1.776. Por ordem do Congresso, Adams contratou o gravador William J. Stone para reproduzir o texto com máxima fidelidade, usando uma matriz metálica feita sob encomenda.

O trabalho levou três anos e resultou em duzentas cópias oficiais, impressas em pergaminho de origem animal. As peças foram entregues a figuras políticas, veteranos da luta pela independência e instituições públicas escolhidas para guardar a memória do país.

Como a autenticidade foi confirmada

Sparks passou meses consultando especialistas em documentos antigos até confirmar a autenticidade da peça. O exame identificou-a como a trigésima sexta cópia conhecida da tiragem assinada por William Stone, um número que impressionou pesquisadores do setor.

A peça chegou às mãos de Sparks com traços de tinta ainda nítidos e fibras em bom estado de conservação. Um trabalho técnico ajudou a estabilizar o material antes de ele seguir para o mercado de colecionadores.

O leilão que mudou tudo

A escassez de exemplares originais da tiragem de 1.823 ajuda a explicar por que documentos assim alcançam valores tão altos entre colecionadores. Três fatores contribuíram para o valor dessa impressão:

  • Tiragem oficial de duzentas unidades, autorizada pelo Congresso em 1823
  • Estado de conservação excepcional e fidelidade ao texto original de 1776
  • Validação técnica que atestou a legitimidade da impressão histórica

O leilão da Raynors Historical Collectible Auctions superou as expectativas iniciais e terminou em US$ 477.650. O episódio virou um dos casos mais lembrados de achados valiosos encontrados em lojas de segunda mão.

Disposição impressionante

Aos 85 anos, ele saiu de casa de bicicleta e percorreu 4.839 km em apenas 44 dias

Para cumprir a distância em tão pouco tempo, Sanders percorreu em média 110 quilômetros por dia

04/10/2026 14h17

Foto: DΛVΞ GΛRCIΛ/Pexels

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Um homem de 85 anos pedalou 4.839 quilômetros de costa a costa nos Estados Unidos em apenas 44 dias. Bob Sanders iniciou a jornada em 27 de março de 2025, ao sair de Dog Beach, em San Diego, na Califórnia, e chegou a St. Augustine Beach, na Flórida, na costa atlântica, em 11 de maio de 2025.

Para cumprir a distância em tão pouco tempo, Sanders percorreu em média 110 quilômetros por dia. Aos 85 anos e 49 dias de idade, ao chegar ao destino final, ele estabeleceu um novo recorde do Guinness como o homem mais velho a atravessar os Estados Unidos de bicicleta, de uma costa à outra.

Uma jornada pelo coração do país

Durante os 44 dias de viagem, o ciclista atravessou o Arizona, o Texas e vários pontos do sul do país até chegar à Flórida. Sua esposa, Kathryn, e seu amigo, Jack Hoker, o acompanharam em um veículo de apoio durante toda a travessia e deram suporte logístico.

Além de cumprir a meta de distância, Sanders aproveitou a jornada para conhecer comunidades locais, visitar marcos históricos e conversar com pessoas que encontrou pelo caminho. A jornada foi, além de um desafio físico, uma exploração cultural dos Estados Unidos.

 

O recorde e o significado do feito

Ao chegar a St. Augustine Beach, o ciclista superou o recorde anterior, de Bruce Cossler, que havia completado a travessia aos 78 anos. Sanders buscava mostrar que, com determinação, era possível realizar qualquer coisa, conforme explicou ao chegar ao destino final.

Após seis semanas de viagem, Sanders disse que não planejava repetir a experiência. Ao chegar à Flórida, afirmou que estava contente por ter realizado o feito, mas que não o repetiria. Para Sanders, a jornada mostrou que a determinação pode ajudar a superar limitações que parecem insuperáveis, mesmo em idade avançada.

Ciência!

Cientistas encontram um dos sobreviventes dos primórdios do Sistema Solar

Asteroide guarda uma história notável sobre os primeiros momentos do Sistema Solar

04/10/2026 14h00

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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Um asteroide visitado pela sonda Hayabusa2 há alguns anos guarda uma história notável sobre os primeiros momentos do Sistema Solar. O asteroide Ryugu formou-se menos de 2 milhões de anos depois que surgiram os sólidos mais antigos do Sistema Solar, muito antes do surgimento de estruturas similares em outras rochas cósmicas.

A descoberta vem da análise minuciosa de minerais coletados pela sonda Hayabusa2, que trouxe à Terra amostras de dois locais diferentes do asteroide. Cientistas da Hokkaido University e da University of Hawaii lideraram a investigação dos grãos extraterrestres. A análise revelou uma cronologia que recua a origem do corpo celeste a um período extremamente primitivo.

Um asteroide sem as estruturas típicas de outras rochas

Meteoritos carbonáceos que caem na Terra costumam conter pequenas esferas de rocha, cada uma com cerca de 1 milímetro de diâmetro, do tamanho de um grão de areia grossa. Essas contas, chamadas de côndrulos, formaram-se quando o disco de gás e poeira ao redor do jovem Sol as derreteu e depois as resfriou rapidamente. Ryugu, porém, carece completamente dessas estruturas.

Mesmo meteoritos carbonáceos que sofreram alteração aquosa durante bilhões de anos ainda preservam côndrulos ou seus contornos. A ausência dessas estruturas em Ryugu e no meteorito Ivuna sugere que o material nunca passou por esse estágio primordial de fusão.

Alguns grãos de olivina de alta temperatura encontrados nos dois corpos indicam que a água não apagou toda a estrutura original. Os côndrulos, porém, nunca chegaram a se formar ali.

 

Um relógio mineral que precisava de novo calibre

A água percorreu a rocha da qual ele se desprendeu e deixou minerais para trás. Um deles é a dolomita, um carbonato que cresce diretamente de fluidos em movimento. Conforme cresce, a dolomita absorve manganês. Uma forma específica desse elemento decai em crômio, com meia-vida de cerca de 3,7 milhões de anos.

Ao medir quanto manganês e crômio restam, os cientistas conseguem datar o mineral com precisão. O método, porém, enfrentava um problema: diferentes laboratórios que analisavam o mesmo material publicavam datas com diferença de cerca de 5 milhões de anos.

A causa estava na calibração: algumas equipes usavam calcita como referência; outras, dolomita com uma proporção desequilibrada dos dois elementos. A equipe liderada por Noriyuki Kawasaki resolveu o impasse usando dolomita sintética com proporção uniforme. Depois, mediu os grãos das amostras A0058 e C0002 e a amostra de Ivuna com um feixe de íons.

Água fluindo durante milhões de anos

Os dois grãos de Ryugu produziram datas diferentes. A dolomita em C0002 formou-se cerca de 2,1 milhões de anos antes do carbonato em A0058, com margem de incerteza de aproximadamente 1 milhão de anos. Essa discrepância mostra que a água continuou alterando o corpo-mãe de Ryugu ao longo de um período prolongado.

Isótopos de oxigênio nos mesmos grãos forneceram a temperatura do fluido. O carbonato de C0002 cresceu em torno de 92°C. A amostra de Ivuna formou-se perto de 76°C, enquanto A0058 registrou cerca de 37°C, um valor consistente com estudos anteriores do mesmo grão.

Os dados abrangem um espectro que vai de uma temperatura próxima à corporal até quase o ponto de ebulição, tudo dentro de uma rocha flutuando no espaço. A progressão das temperaturas sustenta o cenário de água ativa em diferentes profundidades e tempos distintos, moldando lentamente o asteroide ancestral do qual Ryugu fez parte.

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