Os arquivos da Academia Sueca e da Fundação Nobel registram dezenove candidaturas de Jorge Amado ao Prêmio Nobel de Literatura. O escritor baiano, nascido em 1912 e morto em 2001, disputou a honraria entre 1967 e 1973, quando já era reconhecido como um dos grandes nomes da literatura latino-americana.
Os registros completos de indicações e avaliações internas só se tornam públicos 50 anos após a entrega do prêmio, segundo uma regra da Academia Sueca. Por isso, Jorge Amado pode ter recebido mais do que as 19 candidaturas já confirmadas: o período posterior a 1975 continua sob sigilo.
Além disso, entre 1970 e 1980, no auge de sua fama internacional, a Academia Sueca cogitou várias vezes o nome de Jorge Amado.
A obra que atravessou gerações
Romances como Capitães da Areia e Gabriela, Cravo e Canela carregam o nome de Jorge Amado para além das fronteiras do Brasil, com traduções e adaptações para cinema, teatro e televisão. Entre suas reflexões mais lembradas está a frase amplamente atribuída a ele: "Se viver não é fácil, conviver é um desafio permanente".
A frase, amplamente atribuída a ele, resume a complexidade da existência individual, marcada por pressões, escolhas, dores e responsabilidades cotidianas. Quando duas ou mais pessoas se encontram, somam-se mundos interiores distintos, expectativas, limites e vulnerabilidades. Ajustar essas diferenças não acontece espontaneamente: exige paciência, escuta, empatia e capacidade de ceder, um exercício que se repete diariamente.
Outros brasileiros na lista do Nobel
Além de Jorge Amado, seis brasileiros aparecem nos registros liberados pela Fundação Nobel até 1975. Henrique Maximiano Coelho Neto recebeu três indicações, todas em 1933, enquanto Flávio de Carvalho e Manoel C. Wanderley tiveram, cada um, uma candidatura, em 1939 e 1941, respectivamente.
Alceu Amoroso Lima concorreu em 1965, e carlos Drummond de Andrade recebeu três indicações, em 1967, 1969 e 1974. Erico Lopes Verissimo foi o mais indicado entre os brasileiros nesse levantamento, com quatro candidaturas em 1963, 1968, 1974 e 1975.
Em 2016, a União Brasileira de Escritores afirmou ter indicado Lygia Fagundes Telles ao prêmio, mas esse nome não consta nos arquivos públicos disponíveis até o momento.
Como funciona o processo de indicação
Membros da Academia Sueca, professores universitários, instituições literárias convidadas e vencedores anteriores do próprio Nobel têm o direito de indicar candidatos. Dois imortais da Academia Brasileira de Letras, Marcos Almir Madeira e Antônio Olinto, estão entre os responsáveis por propor o nome de Jorge Amado à honraria.
A Academia Sueca mantém em sigilo as deliberações e os critérios usados na escolha final de cada vencedor, o que torna quase impossível prever quem está na disputa em determinado ano. A regra também estabelece que nenhum autor já falecido pode ser laureado, exceto quando a morte ocorre entre o anúncio e a cerimônia de entrega do prêmio.
Jorge Amado segue como um dos nomes mais lembrados quando o assunto é literatura brasileira fora do país, mesmo sem ter recebido o prêmio.


