Famosos

Leonardo DiCaprio comprou uma ilha por R$ 9,2 milhões, mas seu plano enfrenta um grande obstáculo

O pedaço de terra de 42 hectares está situado no litoral de Belize.

Em 2005, Leonardo DiCaprio desembolsou cerca de 1,75 milhão de dólares para adquirir Blackadore Caye, um pedaço de terra de 42 hectares situado no litoral de Belize. Diferentemente de outras celebridades que costumam converter esse tipo de propriedade em esconderijos luxuosos para uso pessoal, DiCaprio optou por recuperar uma área castigada por décadas de exploração.

A trajetória de DiCaprio no topo de Hollywood começou com o estrondoso êxito de Titanic, lançado há quase três décadas, e não parou de crescer desde então. O ator levou a estatueta de Melhor Ator no Oscar por sua atuação em O Regresso, firmou-se como parceiro recorrente de Martin Scorsese e já esteve sob o comando de nomes como Steven Spielberg, Christopher Nolan, Clint Eastwood, Quentin Tarantino e Paul Thomas Anderson.

Além da carreira como ator, o californiano usa sua projeção em causas ambientais. Em seu discurso no Oscar de 2016, chamou a atenção de milhões para a crise climática. Sua fundação já arrecadou mais de 100 milhões de dólares para proteger espécies ameaçadas e preservar ecossistemas em todo o mundo.

Um conceito novo em turismo ambiental

Na época da compra, a ilha enfrentava danos severos causados por sobrepesca, remoção extensa de manguezais e erosão costeira acelerada.

Com a ajuda de biólogos e engenheiros ambientais contratados para o projeto, DiCaprio desenhou uma proposta que ultrapassa os limites do ecoturismo convencional, dando a Blackadore Caye o status de pioneira entre os resorts restaurativos. A ideia central é fazer da própria ocupação humana uma ferramenta de regeneração do ecossistema, não apenas uma forma de reduzir danos.

O projeto previa o reflorestamento de mangues nativos para estabilizar o solo, a construção de recifes artificiais para abrigar corais e peixes ameaçados, energia 100% solar e captação de água pluvial. Cerca de 60% da área permaneceria como reserva natural intocada, permitindo que a biodiversidade original retornasse sem interferência constante.

Resistências que travaram o projeto

Apesar do objetivo de conservação, o empreendimento encontrou resistência. Pescadores locais receavam perder áreas tradicionais de pesca, enquanto alguns conservacionistas questionavam se qualquer resort — mesmo sustentável — perturbaria excessivamente um habitat selvagem. DiCaprio adaptou os projetos várias vezes para priorizar a proteção dos peixes-bois nativos e resguardar os interesses da comunidade local.

Atualmente, Blackadore Caye continua inacabada, e o cronograma inicial, previsto para o fim dos anos 2010, foi adiado várias vezes, e os avanços que podem ser vistos publicamente na ilha continuam escassos. Não há previsão de quando Blackadore Caye será inaugurada.

Embora renderizações e conceitos continuem circulando, o desafio de DiCaprio expõe a complexidade de conciliar preservação ambiental, viabilidade econômica e aceitação comunitária, mesmo com recursos financeiros e determinação pessoal.

Tamanho impressionante

NASA identifica na Antártida um buraco no gelo com área equivalente à de Santa Catarina

A abertura ainda ficou pouco abaixo da área total de Santa Catarina

12/10/2026 07h13

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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A NASA registrou, a partir do espaço, uma abertura no gelo marinho da Antártida oriental, formada durante o inverno austral na baía de Breid, quando essa área costuma ficar congelada.

Um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, conduzido por equipe liderada pelo cientista Jeebanjyoti Swain, reconstituiu os fatores que impediram a formação normal do gelo naquele trecho. Para se ter noção de seu tamanho impressionante, a abertura, batizada de polinia, ocupou 89.121 km² no auge do fenômeno — um tamanho próximo ao do estado de Santa Catarina, que tem cerca de 95.736 km² segundo o IBGE.

A abertura ficou pouco abaixo da área total de Santa Catarina.

Como surgiu o buraco gigante

Satélites captaram a anomalia no fim do verão de 2024, depois que a superfície da baía apresentou um comportamento nunca antes observado pelos pesquisadores para aquela época do ano. Entre julho e agosto, seis rios atmosféricos intensos transportaram ar quente e grandes quantidades de umidade de latitudes mais baixas, enquanto ventos persistentes empurravam o gelo marinho em direção ao polo.

Essa combinação aumentou a radiação de onda longa na superfície e favoreceu a ocorrência de neve relativamente morna, o que reduziu as condições para que o oceano voltasse a congelar.

Ao mesmo tempo, o vento alterou a dinâmica oceânica pelo processo chamado sucção de Ekman, deslocando grandes volumes de água. E permitindo que águas profundas circumpolares, mais quentes do que as que normalmente chegam à superfície, subissem para as camadas superiores.

Ondas de calor marinho persistentes prolongaram esse aquecimento e dificultaram ainda mais o crescimento do gelo ao redor da baía de Breid. O resultado foi uma brecha visível desde o espaço, grande o bastante para ser comparada ao território de um país inteiro ou ao de um estado brasileiro de porte médio.

Por que o fenômeno chama atenção

Polinias como essa expõem águas que deveriam estar protegidas por uma camada espessa de gelo e alteram a troca de calor entre o oceano e a atmosfera na Antártida. Quando o gelo marinho não se forma no período esperado, o equilíbrio térmico daquele trecho do planeta se altera, o que pode ser percebido por satélite.

O desaparecimento temporário do gelo marinho também afeta os ecossistemas antárticos, cujas redes alimentares dependem do retorno sazonal do gelo.

O episódio de 2024 chamou atenção pela escala: poucas vezes os pesquisadores haviam observado uma abertura dessa magnitude. A Antártida oriental, historicamente mais estável que outras partes do continente gelado, não costuma apresentar esse tipo de ruptura no padrão de congelamento.

Os dados reunidos pela equipe de Jeebanjyoti Swain ajudam a entender como ventos, correntes oceânicas. E calor se combinaram naquele inverno específico para abrir uma abertura do tamanho de Santa Catarina em pleno gelo antártico.

Reflexão

Filósofa alemã faz alerta sobre o maior mal da humanidade: "Pessoas que se recusam a ser pessoas"

Quem renuncia ao exercício da reflexão se nega a ser pessoa.

11/10/2026 17h32

Foto: Reprodução

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A filósofa política Hannah Arendt deixou uma reflexão ética que permanece urgente: o maior mal não nasce de mentes sadias que buscam deliberadamente a crueldade. Nasce de pessoas que abandonam voluntariamente a capacidade de pensar e agir como seres conscientes. Sua advertência é direta: quem renuncia ao exercício da reflexão se nega a ser pessoa.

Arendt distinguia nascer como ser biológico de construir ativamente o status de pessoa, uma qualidade que exige pensamento crítico constante e postura ética firme perante a comunidade. Quando alguém abdica dessa capacidade de reflexão, perde os critérios básicos para distinguir o bem do mal no cotidiano.

O diálogo silencioso que protege a humanidade

O diálogo interior funciona como uma barreira contra atos cruéis: quem pensa de verdade sabe que teria de conviver diariamente com um criminoso dentro da própria mente. As lições de filosofia moral que Arendt desenvolveu em 1965 e 1966 e que foram publicadas depois em Responsabilidade e Julgamento enfatizam a urgência de reavivar essa conversa consigo mesmo.

Ao apagar o diálogo interior, o sujeito fica desorientado e perde os critérios para distinguir o certo do errado. Esse silêncio não é acidental: abre caminho para que a pessoa se dissolva nas engrenagens das normas institucionais e das rotinas automáticas e se transforme em peça intercambiável de um sistema.

A banalidade do mal nos burocratas anônimos

Arendt documentou essa desconexão moral em suas crônicas para The New Yorker, ao cobrir em Jerusalém o julgamento do funcionário nazista Adolf Eichmann, em 1961.

Suas observações deram origem ao livro Eichmann em Jerusalém e revelaram uma verdade incômoda: os maiores horrores do século XX não dependeram apenas de sádicos ou monstros intelectuais. Mas da colaboração submissa e irreflexiva de burocratas comuns.

O anonimato que ela descrevia não significava falta de notoriedade ou de posição social. Significava despir-se da própria identidade para se tornar uma função. Nessa posição, as ações deixam de responder a critérios morais pessoais e passam a obedecer apenas a ordens e diretivas externas.

Eichmann se apresentava como alguém que simplesmente cumpria suas obrigações, sem questionar. Arendt não usou o termo "banalidade" para minimizar os crimes, mas para destacar que a maldade não precisa de genialidade — precisa apenas de ausência de pensamento.

A Responsabilidade de manter-se pessoa

Pensar por si mesmo não é um luxo intelectual, mas a primeira linha de defesa para proteger a própria humanidade. A filosofia de Arendt nos confronta com uma verdade desconfortável: é possível estar vivo e respirando, ocupar um cargo. E estar inserido numa comunidade e, ao mesmo tempo, ter renunciado ao que nos torna verdadeiramente pessoas.

O maior mal não é sempre fruto de intenção deliberada de destruir. Muitas vezes emerge do silêncio de quem escolhe não pensar, não questionar, não resistir — e, ao fazer essa escolha, se recusa a ser pessoa.

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