Melhor destino rural

Não fica no Brasil nem no Chile: o melhor destino rural do mundo está na América do Sul

Local conseguiu uma vaga entre os oito representantes do país na edição 2026 do Best Tourism Villages

Zenón Pereyra, uma localidade de pouco mais de 2.000 habitantes na província de Santa Fe. Na Argentina, conseguiu uma vaga entre os oito representantes do país na edição 2026 do Best Tourism Villages, iniciativa da ONU Turismo que reconhece destinos rurais de excelência.

O pequeno município fica a aproximadamente 130 quilômetros a oeste da capital santafesina e disputará o prêmio internacional ao lado de outros sete pueblos argentinos. A competição argentina foi particularmente intensa neste ano: 56 localidades de 19 províncias se inscreveram, o maior número desde que o país começou a participar do programa em 2021.

Zenón foi o único selecionado de Santa Fe, o que mostra o destaque de sua proposta turística entre os avaliadores.

O patrimônio maçônico e a história guardada nas ruas

A identidade turística desse município não se baseia em paisagens como montanhas ou praias, mas na história preservada em sua arquitetura e em seus edifícios. O traço mais marcante é o legado maçônico da localidade. A Secretaría de Turismo da Nação reconhece essa herança como um diferencial marcado por "misterios arquitectónicos" dignos de exploração.

Em julho de 2026, o município promoveu uma jornada especial chamada "Zenón Pereyra y sus raíces masónicas", com a participação de autoridades da Gran Logia Argentina e visitas guiadas a edifícios históricos vinculados a essa tradição.

O Museo Bucci também preserva a história do automobilismo e da engenharia. O espaço abriga uma coleção de veículos de competição e peças relacionadas à histórica escuderia familiar que marcou a região.

Herança imigrante e desenvolvimento comunitário

Zenón Pereyra reúne diferentes camadas de história, e além da arquitetura e do automobilismo, a localidade preserva a herança de comunidades europeias que se instalaram na região. Essa influência aparece na gastronomia espanhola, suíça e italiana, e instituições como a Biblioteca Popular e a Sociedad Italiana também preservam essa memória coletiva.

O reconhecimento do Best Tourism Villages busca identificar localidades rurais que preservam patrimônio cultural e natural, mantêm suas formas de vida comunitárias e utilizam o turismo como ferramenta de desenvolvimento sustentável.

O município exemplifica esse modelo ao celebrar suas raízes por meio de caravanas de carros antigos. Festividades que resgatam os costumes dos primeiros imigrantes e da gastronomia regional, que preserva a identidade local.

As localidades reconhecidas internacionalmente na edição de 2026 serão anunciadas em dezembro, durante uma cerimônia na Argentina. A candidatura de Zenón Pereyra não significa que a localidade já tenha sido eleita como uma das melhores do mundo, e a escolha final ocorrerá naquele mês.

Curiosidades

No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915.

17/10/2026 11h49

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No coração do deserto australiano, Coober Pedy abriga uma população que desafia a convencionalidade ao construir suas casas escavadas na terra, fugindo das temperaturas abrasivas que castigam quem fica acima do solo. O que começou como solução prática para o calor transformou-se numa cidade única, onde quartos, salas, cozinhas, igrejas, hotéis e restaurantes existem dentro de cavernas.

A origem dessa ocupação peculiar remonta a 1915, quando garimpeiros descobriram opalas na região e atraíram pessoas de longe com a promessa do enriquecimento através da mineração.

À medida que aprofundavam a busca por pedras preciosas. Os trabalhadores perceberam que os buracos deixados pelas escavações ofereciam refúgio natural contra o calor extremo do deserto, transformando antigos poços de mineração em habitações permanentes.

A descoberta acidental de um lugar diferente

A fotógrafa chilena Tamara Merino chegou a Coober Pedy por acaso durante uma viagem pelo deserto — um pneu furado forçou ela e seu companheiro a parar e explorar a região. Ao avistarem placas anunciando bares e restaurantes subterrâneos, os dois resolveram investigar, curiosos para conhecer uma cidade que tinha boa parte de sua vida escondida abaixo da terra.

Durante a exploração, Merino conheceu Gaby, uma alemã que vivia no local com seu marido Jürgen, um minerador. Através do casal, a fotógrafa entendeu como funcionava a rotina diária dos moradores. E teve a oportunidade de visitar uma mina de opalas em funcionamento, documentando um modo de vida radicalmente diferente do que se vê em cidades convencionais.

A busca interminável por riqueza e o custo do sonho

Moradores de Coober Pedy podem passar anos ou até décadas procurando uma pedra capaz de transformar suas vidas financeiras, mas o sucesso não é garantido. Algumas opalas alcançam valores elevados conforme suas características, porém encontrá-las exige paciência extrema, trabalho constante e investimento significativo em máquinas e equipamentos.

Um minerador conhecido por Tamara trabalhava havia cerca de 20 anos nas paredes da própria casa subterrânea, continuando sua busca por novas pedras preciosas com esperança persistente. Os gastos com maquinário frequentemente consomem grande parte do dinheiro obtido com a venda das opalas encontradas, tornando a mineração um empreendimento arriscado onde ganhos são incertos e sacrifícios são reais.

Uma paisagem que desafia a imaginação

Além das habitações subterrâneas, a paisagem de Coober Pedy impressiona pela vastidão de montes de terra. Antigas minas abandonadas e um terreno árido e seco que se estende por quilômetros ao redor do povoado.

O cenário é tão distinto e otherworldly que serviu como locação para produções cinematográficas, capturando a atenção de cineastas em busca de ambientes visualmente impactantes e autênticos.

Curiosidades

Cidade onde há mais cães do que crianças quer criar imposto para quem tem cachorro

Prefeito sugeriu que donos de pets façam uma contribuição voluntária.

17/10/2026 10h05

Foto: Bence Szemerey/Pexels

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Um município da Lombardia, na Itália, tem quase três cães para cada criança — e decidiu transformar esse desequilíbrio em debate público. Em San Giorgio su Legnano, uma localidade de 6.800 habitantes, vivem cerca de 280 crianças contra aproximadamente 850 cachorros registrados.

Diante desse contraste, o prefeito Claudio Ruggeri sugeriu que donos de pets façam uma contribuição voluntária de 20 euros para ajudar a bancar serviços voltados à infância. A proposta surgiu num país que enfrenta queda sustentada na taxa de natalidade, cenário que pressiona prefeituras a buscar alternativas de arrecadação para sustentar escolas e creches.

Contribuição voluntária, não imposto formal

Apesar de ter circulado como "imposto aos cães" em veículos locais, o próprio prefeito fez questão de esclarecer que não existe obrigação nem cobrança oficial prevista. A ideia é apelar ao senso comunitário dos moradores e juntar recursos que aliviem gastos hoje concentrados nas famílias com filhos pequenos.

O texto com a proposta foi publicado no boletim da prefeitura e trouxe uma frase que provocou reação imediata: segundo Ruggeri, um labrador não vai pagar a aposentadoria de ninguém. A frase buscava chamar atenção para o envelhecimento populacional e suas possíveis consequências econômicas adiante.

De onde veio a ideia da taxa

A proposta nasceu de um problema prático enfrentado pela gestão municipal. No último ano, a prefeitura precisou elevar de 6 para 7 euros o valor dos vales de merenda escolar para cobrir os custos do serviço. Aumento que pesou no orçamento de diversos lares ao longo dos meses.

Pai de três filhos e dono de dois gatos, aos 58 anos o prefeito afirma ter percebido de perto as dificuldades enfrentadas por quem cria crianças na região. Foi esse contato direto que o levou a pensar em pedir colaboração aos donos de animais de estimação.

Quanto a arrecadação poderia render

A conta é simples: se cada um dos 850 cães do município tiver seu dono contribuindo com 20 euros, o total arrecadado giraria em torno de 17.000 euros. Não é valor suficiente para resolver sozinho a crise demográfica italiana, mas pode representar um alívio real para quem mais precisa.

Entre os destinos possíveis para esse dinheiro, o gestor citou o reforço de benefícios ligados ao indicador ISEE, usado na Itália para medir a renda das famílias. Além da redução no preço da merenda escolar para quem tem menor poder aquisitivo.

O debate, segundo o prefeito, não busca opor quem tem filhos a quem prefere a companhia de animais. A proposta tenta abrir uma conversa sobre como repartir recursos da comunidade num momento em que nascem cada vez menos bebês e os custos de criar uma criança continuam subindo.

Como a contribuição dos donos de pets aliviaria as famílias com filhos

A mecânica é direta: se os 850 donos de cães do município contribuíssem 20 euros cada um, seriam arrecadados cerca de 17 mil euros. Esse dinheiro não resolveria sozinho a crise demográfica, mas poderia ser aplicado de duas formas específicas. A primeira é reforçar benefícios ligados ao ISEE, o indicador usado na Itália para medir a renda das famílias — basicamente, quem tem menos dinheiro receberia mais ajuda. A segunda é reduzir o preço da meranda escolar para quem tem menor poder aquisitivo, aliviando um custo que, conforme mencionado no artigo, já foi aumentado de 6 para 7 euros e representa uma carga acumulada importante ao longo do ano.

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