Pequeno, mas letal

Nem tubarão nem onça: o pequeno animal que mais mata humanos vive perto de casa

Cabe na palma da mão e pesa menos que uma gota de água.

Um inseto que cabe na palma da mão e pesa menos que uma gota de água lidera as estatísticas globais de mortes humanas provocadas por animais.

O mosquito supera qualquer predador de filme de terror nesse quesito, enquanto os tubarões matam cerca de dez pessoas por ano. A explicação não está na força nem no ataque direto.

O mosquito transporta parasitas e vírus responsáveis por malária, dengue, febre amarela e chikungunya, entre outras doenças graves. Sua capacidade de matar não vem do corpo, mas do que ele carrega.

Como um inseto tão pequeno mata tanto

As doenças causadas por esses agentes explicam o número elevado de vítimas atribuídas ao mosquito. A malária, sozinha, responde por centenas de milhares de óbitos anuais. Essas mortes se concentram em regiões onde o acesso a tratamento e prevenção ainda é limitado.

A dengue afeta mais de 3,9 bilhões de pessoas em 129 países, com estimativa de 96 milhões de casos sintomáticos e 40 mil mortes anuais.

Cada caso depende de uma cadeia: o parasita ou vírus precisa circular entre pessoas infectadas e o inseto para se manter ativo. A espécie do mosquito, o clima, a imunidade coletiva e o histórico de doenças na região definem se aquela picada específica representa risco real.

Nem toda picada é igual

Pensar que qualquer contato com o inseto resulta em doença grave é um erro comum. A maior parte das picadas não transmite nada além de coceira. Para que haja transmissão, é preciso combinar a presença do agente infeccioso na região com o histórico de circulação entre a população local.

Fatores como chuva, temperatura e imunidade coletiva mudam o cenário de risco ao longo do ano. Um mesmo local pode ter surtos em determinados meses e ficar praticamente livre de casos em outros períodos.

Diferentes espécies, diferentes ameaças

O gênero Anopheles carrega os parasitas causadores da malária, enquanto o Aedes aegypti está ligado à dengue, à zika e à febre amarela em áreas urbanas onde esses vírus já circulam. Outros mosquitos participam de ciclos ligados a doenças menos conhecidas, como a filariose e encefalites.

Um vídeo do canal Curso Enem Gratuito no YouTube detalha a biologia do Aedes aegypti e explica por que seu ciclo reprodutivo depende de água parada acumulada em recipientes. Essa dependência é o ponto de partida para a prevenção doméstica eficaz.

Por que o medo mira o alvo errado

Ataques de tubarão ou onça ficam gravados na memória porque são raros, visuais e dramáticos. Já a picada de um mosquito passa despercebida, e os sintomas da doença só aparecem dias depois — quando ninguém mais associa o mal-estar ao inseto.

Esse intervalo entre o contato e o aparecimento dos sintomas distorce a percepção de risco do público. Eliminar água parada e usar proteção contra picadas é a forma mais eficaz de reduzir a circulação desses vírus e parasitas no ambiente doméstico.

Mudanças no planeta

Adeus, Terra redonda: cientistas descobrem que o planeta está mudando de forma

Superfície rochosa da Terra tende a ficar mais redonda

24/09/2026 12h04

Foto: Zelch Csaba/Pexels

Continue Lendo...

A Terra está passando por mudanças opostas: sua superfície rochosa tende a ficar mais redonda, enquanto seu campo gravitacional se torna mais achatado. Um estudo do geólogo Christopher Kotsakis, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, reconstituiu essa transformação com base em medições de quase duas décadas.

A pesquisa analisou como os movimentos verticais da crosta terrestre variam conforme a latitude e revelou uma redistribuição de massa que modifica ao mesmo tempo a Terra sólida e sua forma gravitatória. Essas mudanças ocorrem porque nosso planeta nunca foi uma esfera perfeita.

Por que a terra muda de forma constantemente

A rotação terrestre provoca um ligeiro abaulamento no equador e um achatamento nos polos — uma deformação tão pequena que fica invisível em fotografias do espaço. Além disso, a crosta não permanece imóvel. As placas tectônicas se deslocam, e o solo responde quando o peso sobre ele aumenta ou diminui.

Quando uma região acumula muita massa, o terreno pode afundar; quando essa carga desaparece, a crosta começa a se recuperar lentamente. Esse comportamento explica por que as mudanças atuais podem levar milhares de anos para se completar.

O legado das eras glaciais ainda em andamento

Parte dessa transformação vem do ajuste isostático glaciar, processo em que terras antes cobertas por enormes camadas de gelo continuam subindo depois de perder esse peso. A última era glacial terminou há cerca de 11 mil anos, mas algumas regiões ainda respondem à carga que suportaram naquele período.

A esse efeito ancestral somam-se agora as mudanças causadas pela perda de gelo na Groenlândia e na Antártida. Quando esse gelo desaparece, o solo abaixo pode se elevar, enquanto a água liberada se redistribui pelos oceanos, adicionando peso em outras partes do globo.

Os polos sobem enquanto o equador desce

Para analisar as mudanças na parte rochosa do planeta, pesquisadores utilizaram uma rede global de estações de navegação por satélite (GNSS), capazes de registrar deslocamentos verticais mínimos. Os dados analisados entre 1997 e 2015 revelaram uma tendência clara nas regiões polares: entre 1997 e 2000, os polos se elevavam aproximadamente 0,5 milímetros ao ano.

O ritmo acelerou e chegou a cerca de 1 milímetro por ano por volta de 2015. Ao mesmo tempo, medições mostraram um afundamento progressivo ao redor do equador. Com isso, a Terra sólida reduzia lentamente seu achatamento.

A aparente contradição entre o sólido e o gravitacional

Os resultados parecem entrar em conflito com observações do geoide, a figura irregular que representa a forma do campo gravitatório terrestre e reflete como a massa se distribui pelo planeta. Desde o fim dos anos 1990, essa forma gravitatória tendeu a ficar mais achatada.

A explicação é que a superfície terrestre e a gravidade respondem a fenômenos diferentes. Quando o gelo derrete nas regiões polares, a crosta sobe, mas a água resultante se desloca para latitudes mais baixas. Isso aumenta o peso em outras regiões e torna o geoide mais achatado. Embora pareça contraditório, ambos os efeitos são fisicamente compatíveis.

Vida fora da terra?

Astrônomos recebem pela primeira vez sinais de rádio de um planeta vizinho da Terra

Equipe de astrônomos identificou sinais de rádio vindos de planeta fora do sistema solar

24/09/2026 11h29

Foto: Thai Nguyen/Pexels

Continue Lendo...

Uma equipe de astrônomos do Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian e da Universidade de Oregon identificou, pela primeira vez, sinais de rádio originários de um exoplaneta — um planeta fora do sistema solar. A descoberta, descrita em artigo científico disponível no arXiv, abre um caminho inédito para estudar mundos distantes sem depender exclusivamente da luz visível ou infravermelha.

Os sinais captados provêm de Beta Pictoris b, um planeta colossal que orbita uma estrela localizada a 63,4 anos-luz da Terra.

A observação foi realizada com o radiotelescópio MeerKAT, instalado na África do Sul, durante quatro sessões entre 2025 e 2026. Ela revelou emissões de rádio em frequências entre 0,85 e 3,5 GHz, com rajadas breves e recorrentes e uma emissão mais contínua.

O desafio de separar o planeta da estrela

Emissões de rádio em sistemas com exoplanetas já haviam sido detectadas, mas era difícil determinar se os sinais vinham do planeta ou de sua estrela hospedeira. Os pesquisadores resolveram esse problema usando quásares — núcleos galácticos muito brilhantes — como pontos de referência precisos no céu.

Esse procedimento permitiu localizar a fonte das emissões junto a Beta Pictoris b e distinguir sua posição da estrela central com precisão. As ondas captadas também apresentavam intensa polarização circular, propriedade que permitiu aos cientistas investigar a origem dos sinais e confirmar que vinham do exoplaneta.

Um fenômeno ligado à aurora

As características das emissões coincidem com a instabilidade máser de cíclotron eletrônico (ECMI), um mecanismo resultante da interação entre partículas carregadas e campos magnéticos. Processos semelhantes geram as auroras visíveis na Terra e em Júpiter. Esse fenômeno é bem conhecido pelos astrônomos, mas nunca havia sido detectado de forma inequívoca em um exoplaneta.

A emissão detectada fornece informações valiosas sobre o campo magnético de Beta Pictoris b, propriedade difícil de medir a dezenas de anos-luz de distância. Os dados representam a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta. A medição é compatível com modelos teóricos que descrevem gigantes gasosos jovens e muito massivos.

Um gigante com campo magnético intenso

Beta Pictoris b foi descoberto em 2008 e possui aproximadamente 10 vezes a massa de Júpiter. Os cálculos baseados nos sinais de rádio indicam que o planeta tem um campo magnético intenso, milhares de vezes superior ao da Terra.

Essa atividade magnética pode estar relacionada à rotação rápida do planeta, que completa uma volta sobre si mesmo em aproximadamente oito ou nove horas.

A descoberta marca um avanço na observação de exoplanetas, e além de confirmar a existência de campos magnéticos em mundos distantes. Ela abre novas possibilidades para estudar as propriedades físicas desses planetas por meio de sinais de rádio, complementando as técnicas tradicionais baseadas em luz.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).