Contrariados

O que os cientistas pensavam sobre a cratera de Oklahoma estava errado por quase 100 milhões de anos

Cratera é muito mais jovem do que se acreditava

Uma cratera de impacto enterrada sob uma pequena cidade de Oklahoma é cerca de 100 milhões de anos mais jovem do que se acreditava. Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin dataram cristais de zircão do leito rochoso do Ames Impact Structure. E chegaram a 370 milhões de anos — bem longe dos 467 milhões registrados anteriormente.

O achado muda o entendimento sobre quando um asteroide atingiu a região. Em vez de fazer parte de um conjunto de impactos agrupados há cerca de 467 milhões de anos, a cratera de Oklahoma parece ter se formado numa época diferente.

Próxima ao evento Frasnian-Famennian — uma extinção em massa ocorrida há cerca de 372 milhões de anos que destruiu muita vida nos oceanos.

Como os cientistas datavam a cratera antes

A cratera Ames se estende por cerca de 10 quilômetros sob o solo de Oklahoma e está coberta por quase dois quilômetros de sedimento. Até agora, a idade era estimada a partir de dentes fósseis de conodontos — pequenos animais semelhantes a enguias do período Ordoviciano — encontrados no local.

O problema é que esses fósseis provavelmente já tinham milhões de anos quando o asteroide colidiu. O impacto incorporou os fósseis ao material rochoso, que os preservou junto com o material recém-formado. Um fóssil mostra quando um animal viveu, não quando uma colisão misturou seus restos à rocha.

Essa datação antiga também tinha consequências: muitos impactos grandes na América do Norte se concentravam por volta de 467,5 milhões de anos atrás — um agrupamento chamado Ordovician Meteor Event. Como a cratera de Oklahoma era considerada parte desse período, alguns pesquisadores sugeriram que a Terra havia tido um anel de detritos de asteroides, como Saturno tem hoje.

A cratera Ames era considerada parte desse anel.

O método dos cristais de zircão

A equipe, liderada por Elizabeth Catlos, professora associada do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade do Texas em Austin. Adotou uma abordagem diferente: datou cristais de zircão do leito rochoso fundido pelo impacto.

Esses minerais aprisionam urânio conforme se formam, e o urânio se converte em chumbo a uma taxa constante, funcionando como um relógio geológico. Daniel Stockli, decano da Jackson School of Geosciences e coautor do estudo, disse ao Earth que essa abordagem é o caminho mais preciso para datar eventos como colisões de asteroides.

Stockli também explicou que a estrutura interna do zircão registra a pressão de um impacto. Os pesquisadores analisaram 37 pontos em zircões da rocha que o impacto havia derretido. A maioria dos cristais estava intacta, mas dois apresentavam marcas claras de impacto: microfraturas onde o cristal havia se deslocado levemente e filamentos de grãos minúsculos cortando suas camadas de crescimento.

As idades de dez dos 11 zircões mais jovens coincidiam, indicando uma idade de 369,7 milhões de anos — com margem de erro de 6 milhões. Elizabeth Catlos informou ao Earth que, independentemente da técnica usada, o resultado sempre voltava a esse sinal mais jovem.

O que o erro nos ensina

A equipe é cautelosa ao interpretar a nova idade, e a cratera pode marcar uma colisão próxima ao momento dessa grande extinção, mas os pesquisadores não afirmam que o impacto a causou.

Catlos afirmou ao Earth que uma linha do tempo mais precisa importa para entender como a Terra funciona. Ela apontou que faz diferença se uma extinção foi impulsionada por algo do espaço ou por forças internas do planeta, como erupções vulcânicas em série.

O estudo foi publicado na revista Meteoritics & Planetary Science. Segundo informado ao Earth, seria valioso datar zircões de outras crateras do período Ordoviciano para verificar se aqueles impactos realmente ocorreram tão próximos uns dos outros quanto suas datas atuais sugerem.

Estrutura histórica

Após décadas de abandono, mansão de 55 quartos ligada ao Titanic é adquirida por zero dólar

Imóvel guarda um dos capítulos mais trágicos ligados ao naufrágio do transatlântico

05/10/2026 07h44

Imagem: EmeraldForrest/Wikimedia Commons

Continue Lendo...

A mansão Lynnewood Hall, de impressionantes 55 quartos, nos arredores da Filadélfia, nos Estados Unidos, foi adquirida pelo valor de zero dólar depois de décadas de deterioração estrutural. O imóvel pertenceu a Peter Widener, magnata do transporte público que ajudou a financiar a construção do Titanic, e guarda um dos capítulos mais trágicos ligados ao naufrágio do transatlântico.

O valor da propriedade chegou a ultrapassar US$ 250 milhões, quantia equivalente a R$ 1,4 bilhão no auge de sua prosperidade. Obras de mestres europeus como El Greco ocupavam a galeria de arte do imóvel, que também tinha um salão de baile para mil convidados.

A Primeira Igreja Coreana de Nova York recebeu a propriedade em 1996, sem pagar por ela. A negociação marcou o fim de uma trajetória de luxo iniciada na virada do século 20.

Luxo que remonta à Era Dourada americana

Erguida em 1900, cerca de 15 anos antes do naufrágio do Titanic, Lynnewood Hall foi construída em um terreno de 14 hectares, segundo projeto do arquiteto Horace Trumbauer. A construção viria a simbolizar o padrão de ostentação da Era Dourada dos Estados Unidos.

Vinte banheiros, uma piscina coberta e o apelido de "último Versalhes americano" tornaram a propriedade referência de luxo entre os milionários do início do século passado.

Peter Widener escolheu o local para viver seus últimos anos. A tragédia marítima que ele próprio ajudara a bancar atingiria sua família diretamente: o empresário havia financiado 20% da construção do Titanic. A idade avançada, porém, o impediu de embarcar na viagem inaugural.

A tragédia que mudou a família

George, filho de Widener, viajou à Europa com a esposa, Eleanor, e o filho, Harry, para contratar um chef particular. Os três decidiram voltar aos Estados Unidos a bordo do Titanic. George e Harry morreram quando o navio atingiu o iceberg, e Eleanor foi uma das sobreviventes do desastre.

A perda abalou a saúde de Peter Widener, que entrou em colapso nos anos seguintes ao naufrágio e morreu em 1915, três anos depois da tragédia. A mansão passou então às mãos de seu filho mais novo, Joseph, até a morte dele, em 1943, quando teve início um processo lento de deterioração que se estenderia por décadas.

 

Do templo religioso ao abandono

Anos depois, o radialista e líder religioso Carl McIntire assumiu o controle do imóvel e converteu os salões em uma escola de formação religiosa. Durante sua gestão, parte do mobiliário histórico foi vendida, enquanto os problemas estruturais mais graves recebiam apenas reparos superficiais.

A instituição fechou as portas em 1992 após declarar falência. A propriedade ficou à deriva até ser adquirida pela congregação Coreana, em 1996, por um valor que, diante dos custos necessários para recuperar a estrutura, equivaleu a zero dólar.

Ruínas de um símbolo da elite americana

Depois da mudança de proprietário, a antiga sala de bailes para mil convidados foi transformada em capela improvisada e passou a mostrar sinais cada vez mais visíveis de degradação. Parte da estrutura original e dos ornamentos de Trumbauer ainda resiste, apesar do abandono prolongado.

Em entrevista ao Daily Star, o agente imobiliário Harry Cherry, da Main Line Luxury, considerou lamentável o estado de uma mansão antes cobiçada e emblemática. Segundo ele, parte das obras de Trumbauer ainda está preservada, mas a localização de Lynnewood Hall já não corresponde ao que famílias ricas buscam hoje nos Estados Unidos.

Descoberta espacial

NASA flagrou espaçonave passando em alta velocidade pela Lua e formato chamou atenção

Câmera registrou sonda atravessando o espaço lunar em alta velocidade

05/10/2026 07h02

Foto: Jay Brand/Pexels

Continue Lendo...

O Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO) foi lançado pela NASA em 2009 para investigar a superfície lunar em detalhes. Em 2024, a câmera do equipamento registrou a sonda Danuri, da Coreia do Sul, atravessando o espaço lunar em alta velocidade. O formato da sonda lembrava uma prancha de surf.

A sonda sul-coreana entrou em órbita lunar em agosto de 2022 e se tornou o primeiro orbitador do país a atingir a Lua. A missão testa tecnologias de internet espacial, mapeia com precisão o relevo do satélite natural e identifica recursos estratégicos como urânio, hélio-3, silício, alumínio e reservas de gelo de água.

O encontro raro entre equipamentos

Em março de 2024, os dois orbitadores passaram um pelo outro a uma velocidade combinada de 11.500 km/h. O orbitador da NASA registrou a sonda coreana em movimento em três aproximações, cada uma com uma distância vertical diferente.

Na primeira passagem, o orbitador americano estava cinco quilômetros acima do Danuri, e suas câmeras precisaram apontar 43 graus abaixo do ângulo habitual. A distância caiu para quatro quilômetros na segunda aproximação, enquanto a terceira chegou a oito quilômetros, com inclinação de 60 graus.

 

Tecnologia compartilhada e registros cruzados

O Danuri conta com instrumentos avançados fornecidos por diferentes agências espaciais. Entre eles está a câmera Shadowcam, desenvolvida pela NASA, que consegue fotografar as regiões polares permanentemente escuras — áreas que ficam fora do alcance do orbitador americano. A sonda também carrega um espectrômetro e um magnetômetro para analisar a Lua.

O encontro de 2024 não foi o primeiro entre os dois equipamentos. Em abril de 2023, a câmera Shadowcam do Danuri registrou o orbitador da NASA, que estava a 18 quilômetros de distância, enquanto os dois sobrevoavam a mesma região lunar.

Os registros de 2023 e 2024 mostram como duas missões de países diferentes compartilham o mesmo espaço orbital e produziram imagens raras de equipamentos em movimento — um retrato pouco comum do tráfego que já existe ao redor da Lua.

O Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia (KARI), responsável pela missão Danuri, informou que o trabalho do satélite ajudará a selecionar futuros locais de pouso e a identificar esses recursos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).