O consumo moderado de café pode estar associado a uma melhor saúde cardiovascular e a um menor risco de desenvolver determinadas doenças. Segundo o cardiologista Aurelio Rojas, evidências científicas reunidas em um consenso da Associação Americana do Coração ajudam a esclarecer os possíveis benefícios da bebida, que durante anos foi alvo de dúvidas por causa dos efeitos da cafeína.
A preocupação é comum entre pessoas que sofrem com palpitações ou temem que o café prejudique o funcionamento do coração. No entanto, de acordo com o especialista, os resultados disponíveis apontam para possíveis efeitos positivos quando a bebida é consumida em quantidades moderadas.
Café pode reduzir riscos de doenças cardiovasculares?
Em uma publicação sobre o tema, Rojas destacou resultados de pesquisas que associam o consumo de café a menores riscos de alguns problemas de saúde.
Segundo os dados citados pelo cardiologista, pessoas que consomem a bebida apresentam um risco 10% menor de sofrer um ataque cardíaco, uma probabilidade 20% menor de ter um acidente vascular cerebral (AVC) e um risco 30% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Ele também menciona associações com menor incidência de insuficiência cardíaca e de algumas arritmias.
O médico ressaltou a relevância das evidências reunidas sobre o assunto. Ainda assim, esses percentuais representam associações observadas nos estudos e não significam que beber café, por si só, garanta proteção contra essas doenças.
O papel dos antioxidantes
Uma das explicações para os possíveis benefícios está na presença de polifenóis e outras substâncias antioxidantes no café. Esses compostos podem contribuir para a função dos vasos sanguíneos, ajudar a regular processos inflamatórios e favorecer a sensibilidade à insulina.
Para Rojas, os resultados reforçam a possibilidade de que o consumo moderado esteja relacionado a uma melhor função cardiovascular. Isso não significa, porém, que aumentar a quantidade ingerida resulte em benefícios maiores.
Quantas xícaras de café podem ser consumidas por dia?
De acordo com a recomendação apresentada pelo cardiologista, o consumo pode ficar entre duas e cinco xícaras por dia, desde que a ingestão total não ultrapasse 400 miligramas de cafeína.
A quantidade de cafeína varia conforme o tamanho da xícara, o tipo de grão e o método de preparo. Por isso, o número de porções não deve ser considerado uma medida exata para todas as pessoas.
O especialista destaca que o excesso não é sinônimo de mais benefícios. Pessoas sensíveis à cafeína ou que apresentam determinadas condições de saúde podem precisar de limites menores, conforme orientação profissional.
Café filtrado pode ser uma opção melhor
Além da quantidade consumida, a forma de preparo também merece atenção. Rojas recomenda o café filtrado, já que métodos que não utilizam filtro de papel podem permitir a passagem de substâncias capazes de elevar o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.
A escolha do preparo pode ser especialmente relevante para quem precisa controlar os níveis de colesterol. Ainda assim, a saúde cardiovascular depende de diversos fatores, como alimentação equilibrada, atividade física, qualidade do sono e acompanhamento médico.
Portanto, as evidências sobre o café não representam uma autorização para consumi-lo sem limites. A moderação, a quantidade total de cafeína e o método de preparo são aspectos importantes para quem deseja incluir a bebida em uma rotina saudável.


