Ciência

Testes nucleares da Coreia do Norte provocam terremotos

A atividade sísmica foi identificada nas proximidades do Monte Mantap.

Explosões nucleares subterrâneas podem provocar terremotos que desaparecem em poucos dias ou semanas. No entanto, uma região montanhosa da Coreia do Norte apresentou um comportamento diferente após uma série de testes atômicos: pequenos tremores continuaram ocorrendo e se tornaram cada vez mais frequentes ao longo dos anos.

A atividade sísmica foi identificada nas proximidades do Monte Mantap, onde o país realizou seis explosões nucleares entre 2006 e 2017. O último teste foi seguido por uma sequência prolongada de terremotos, que continuava sendo registrada durante o período analisado pelos pesquisadores.

O estudo foi liderado por Xingli Fan, da Universidade de Tecnologia de Chengdu, na China, e Kwang-Hee Kim, da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul. Os resultados sugerem que, em determinadas condições geológicas, os efeitos de uma explosão nuclear subterrânea podem permanecer por muito mais tempo do que o esperado.

Seis explosões nucleares foram realizadas sob uma montanha

Entre outubro de 2006 e setembro de 2017, a Coreia do Norte realizou seis testes nucleares subterrâneos na região do Monte Mantap, situada no extremo nordeste do país.

A última explosão foi também a mais potente da série. Estimativas apontaram um rendimento entre 100 e 250 quilotons, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou o evento como um terremoto de magnitude 6,3. Outras agências apresentaram avaliações diferentes sobre a intensidade da explosão.

Cerca de oito minutos e meio depois do teste, foi registrado um novo evento, de magnitude 4,1. Os pesquisadores interpretaram esse tremor como resultado do colapso da cavidade subterrânea formada pela explosão nuclear.

As consequências também foram observadas na superfície. Medições feitas por radar de satélite indicaram que o terreno próximo ao cume da montanha sofreu deslocamentos laterais de até aproximadamente 3,5 metros.

A região, entretanto, não apresentava um histórico conhecido de terremotos naturais na crosta terrestre nas proximidades do local antes dos testes, segundo os catálogos sísmicos consultados pelos pesquisadores. Esse dado tornou a sequência posterior às explosões ainda mais relevante para a investigação.

Como os cientistas detectaram mais de mil terremotos?

Para investigar a atividade sísmica, a equipe analisou registros de estações instaladas no nordeste da China e na Coreia do Sul. Esses equipamentos monitoram continuamente os movimentos do solo, mesmo quando os tremores são fracos demais para serem percebidos pelas pessoas.

Algumas estações ficam a distâncias de aproximadamente 80 a 200 quilômetros do local dos testes. Mesmo tão longe, seus instrumentos conseguem registrar as ondas sísmicas produzidas por pequenos terremotos.

Os pesquisadores utilizaram 90 eventos sísmicos conhecidos como modelos para procurar sinais semelhantes nas gravações. Um sistema computacional identificou padrões que poderiam corresponder a tremores locais pouco perceptíveis nos registros convencionais.

O procedimento revelou 1.399 terremotos na região entre 2008 e 2025. Esse número foi muito superior ao encontrado nos catálogos regionais e globais utilizados habitualmente.

Segundo a equipe, a lista permite identificar eventos até aproximadamente magnitude 1,3, tornando possível acompanhar uma atividade sísmica que poderia passar despercebida em análises menos detalhadas.

Terremotos ficaram mais frequentes após o último teste nuclear

Os registros indicam que o primeiro terremoto local identificado ocorreu em 2013, depois do terceiro teste nuclear norte-coreano. Naquele período, porém, os tremores ainda eram esporádicos.

O cenário mudou após a última explosão, realizada em setembro de 2017. Em 23 de setembro, aproximadamente três semanas depois do teste, começou uma sequência prolongada de terremotos que se estendeu durante os anos seguintes.

Além de ocorrerem com maior frequência, os eventos apresentaram um aumento na magnitude cumulativa ao longo do período analisado. A atividade continuava sendo registrada quando os dados do estudo chegaram a maio de 2025.

Esse comportamento chamou a atenção porque não corresponde ao padrão mais comum observado após testes nucleares subterrâneos.

Durante a Guerra Fria, pesquisadores acompanharam terremotos associados a explosões nos campos de testes de Nevada, nos Estados Unidos, e de Semipalatinsk, no atual Cazaquistão. Naqueles casos, a atividade sísmica geralmente durava dias ou semanas, permanecia concentrada nas proximidades do local da explosão e diminuía relativamente rápido.

Por que os tremores continuam acontecendo anos depois?

A persistência dos terremotos no Monte Mantap sugere que as consequências geológicas de uma explosão nuclear podem variar conforme as características da região atingida.

As ondas de choque de uma detonação subterrânea podem fraturar rochas, modificar a pressão em cavidades e alterar as condições de falhas geológicas próximas. Essas mudanças podem favorecer movimentos posteriores no subsolo, embora a identificação do mecanismo específico responsável pela sequência observada exija uma análise cuidadosa.

A região apresenta crosta continental relativamente estável, que normalmente se deforma lentamente. Por isso, a atividade prolongada registrada após o teste de 2017 levanta questões sobre como as explosões alteraram o ambiente subterrâneo.

Os pesquisadores também destacam uma dificuldade importante: terremotos pequenos associados a mudanças provocadas por testes nucleares podem ser difíceis de distinguir de eventos naturais quando analisados isoladamente.

A descoberta não significa que toda explosão nuclear provocará terremotos durante anos. Ela indica, porém, que determinados locais de testes podem continuar apresentando atividade sísmica muito tempo depois da última detonação, ampliando a necessidade de monitoramento geológico prolongado nessas regiões.

Ciência

Quem toma café diariamente pode ter vantagens para a saúde do coração, aponta estudo

Pessoas que consomem a bebida apresentam um risco 10% menor de sofrer um ataque cardíaco.

19/10/2026 17h18

Estudo aponta que consumo de café pode reduzir riscos na saúde

Estudo aponta que consumo de café pode reduzir riscos na saúde Arquivo

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O consumo moderado de café pode estar associado a uma melhor saúde cardiovascular e a um menor risco de desenvolver determinadas doenças. Segundo o cardiologista Aurelio Rojas, evidências científicas reunidas em um consenso da Associação Americana do Coração ajudam a esclarecer os possíveis benefícios da bebida, que durante anos foi alvo de dúvidas por causa dos efeitos da cafeína.

A preocupação é comum entre pessoas que sofrem com palpitações ou temem que o café prejudique o funcionamento do coração. No entanto, de acordo com o especialista, os resultados disponíveis apontam para possíveis efeitos positivos quando a bebida é consumida em quantidades moderadas.

Café pode reduzir riscos de doenças cardiovasculares?

Em uma publicação sobre o tema, Rojas destacou resultados de pesquisas que associam o consumo de café a menores riscos de alguns problemas de saúde.

Segundo os dados citados pelo cardiologista, pessoas que consomem a bebida apresentam um risco 10% menor de sofrer um ataque cardíaco, uma probabilidade 20% menor de ter um acidente vascular cerebral (AVC) e um risco 30% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Ele também menciona associações com menor incidência de insuficiência cardíaca e de algumas arritmias.

O médico ressaltou a relevância das evidências reunidas sobre o assunto. Ainda assim, esses percentuais representam associações observadas nos estudos e não significam que beber café, por si só, garanta proteção contra essas doenças.

O papel dos antioxidantes

Uma das explicações para os possíveis benefícios está na presença de polifenóis e outras substâncias antioxidantes no café. Esses compostos podem contribuir para a função dos vasos sanguíneos, ajudar a regular processos inflamatórios e favorecer a sensibilidade à insulina.

Para Rojas, os resultados reforçam a possibilidade de que o consumo moderado esteja relacionado a uma melhor função cardiovascular. Isso não significa, porém, que aumentar a quantidade ingerida resulte em benefícios maiores.

Quantas xícaras de café podem ser consumidas por dia?

De acordo com a recomendação apresentada pelo cardiologista, o consumo pode ficar entre duas e cinco xícaras por dia, desde que a ingestão total não ultrapasse 400 miligramas de cafeína.

A quantidade de cafeína varia conforme o tamanho da xícara, o tipo de grão e o método de preparo. Por isso, o número de porções não deve ser considerado uma medida exata para todas as pessoas.

O especialista destaca que o excesso não é sinônimo de mais benefícios. Pessoas sensíveis à cafeína ou que apresentam determinadas condições de saúde podem precisar de limites menores, conforme orientação profissional.

Café filtrado pode ser uma opção melhor

Além da quantidade consumida, a forma de preparo também merece atenção. Rojas recomenda o café filtrado, já que métodos que não utilizam filtro de papel podem permitir a passagem de substâncias capazes de elevar o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.

A escolha do preparo pode ser especialmente relevante para quem precisa controlar os níveis de colesterol. Ainda assim, a saúde cardiovascular depende de diversos fatores, como alimentação equilibrada, atividade física, qualidade do sono e acompanhamento médico.

Portanto, as evidências sobre o café não representam uma autorização para consumi-lo sem limites. A moderação, a quantidade total de cafeína e o método de preparo são aspectos importantes para quem deseja incluir a bebida em uma rotina saudável.

Tecnologia

Enquanto carros populares custam R$ 75 mil, veículo voador de Elon Musk surpreende pelo preço

Novo Tesla Roadster aposta em recursos associados à SpaceX.

19/10/2026 17h01

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O conceito de carro popular no Brasil mudou nos últimos anos. Em 2026, os modelos de entrada custam, em média, entre R$ 75 mil e R$ 100 mil, com foco em motores 1.0, economia de combustível e praticidade para o uso urbano. Em contrapartida, um veículo de Elon Musk que promete realizar manobras aéreas chama a atenção pelo preço e pela tecnologia envolvida.

Apresentado em 15 de outubro de 2026, o novo Tesla Roadster aposta em recursos associados à SpaceX para se diferenciar dos carros convencionais. A proposta inclui demonstrações de manobras no ar e diferentes configurações, com valores de reserva que chegam a US$ 250 mil.

Quanto custa o veículo de Elon Musk?

Enquanto os brasileiros encontram carros de entrada na faixa de R$ 75 mil a R$ 100 mil, o projeto de Musk mira um público disposto a pagar muito mais por um veículo de alto desempenho e tecnologia experimental.

A versão Performance tem depósito de reserva de US$ 50 mil. Já a configuração Thrust exige US$ 250 mil para a reserva. Os valores representam apenas os depósitos informados para garantir uma unidade, e não necessariamente o preço final de venda do automóvel.

Tesla Roadster terá três versões

Performance e Thrust

O modelo foi anunciado em três configurações: Performance, Thrust e Rocket. As duas primeiras aparecem associadas a diferentes níveis de desempenho e recursos tecnológicos, com depósitos de reserva distintos.

A proposta é combinar características de um esportivo elétrico com tecnologias desenvolvidas no universo da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk.

Rocket terá propulsores e apenas um assento

A versão Rocket é apresentada como a configuração mais incomum da linha. O projeto prevê um único assento e dez propulsores de gás frio, recursos relacionados às manobras aéreas demonstradas durante a apresentação.

Essa configuração terá acesso restrito por convite, e o preço de reserva não foi divulgado. As entregas do novo Roadster são esperadas para 2028, embora o cronograma ainda dependa da evolução do projeto.

De carros populares a veículos de alta tecnologia

A comparação evidencia a distância entre o mercado brasileiro de carros de entrada e projetos automotivos de luxo que apostam em tecnologias incomuns. No Brasil, os modelos populares são voltados principalmente à economia e à mobilidade cotidiana, enquanto o Roadster promete desempenho e recursos que vão além da experiência de direção convencional.

A diferença de proposta também aparece nos preços: enquanto um carro de entrada pode custar cerca de R$ 75 mil, a reserva de uma das versões anunciadas do Tesla Roadster chega a US$ 250 mil. O valor final do veículo, porém, não deve ser confundido com o depósito exigido para reservar uma unidade.

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