Ciência

Rover da NASA analisa mais de 185 rochas em Marte e encontra sinais de água

Líquido circulou pela região conhecida como Unidade Marginal.

O rover Perseverance, da NASA, analisou mais de 185 formações rochosas na borda da cratera Jezero e revelou que o solo marciano não foi sempre seco. Ele identificou ao menos três momentos distintos em que líquido circulou pela região conhecida como Unidade Marginal. As marcas químicas deixadas em diferentes camadas de rocha preservam um registro geológico do passado do planeta.

Cada contato com água — ou outros fluidos — deixou uma assinatura mineral própria. E criou uma linha do tempo que vai de águas subterrâneas antigas a fluidos hidrotermais quentes muito mais recentes. A descoberta amplia a compreensão sobre a evolução de Marte e oferece pistas sobre ambientes que poderiam ter sustentado vida no subsolo.

Como o laser revelou a história da água

Pulsos de laser disparados pela SuperCam, instrumento instalado no equipamento, permitiram examinar a composição química das pedras sem tocá-las. Essa leitura remota revelou camadas de alteração que só se formam quando líquido reage com os minerais originais da crosta marciana ao longo do tempo.

A olivina presente nas rochas magmáticas resfriou lentamente no subsolo e preservou estruturas que registram esses contatos antigos. Esse resfriamento permitiu à equipe reconstruir, camada por camada, cada fase de circulação dos fluidos.

Os três ciclos aquosos gravados em pedra

O primeiro episódio começou quando água subterrânea saturada de dióxido de carbono penetrou fraturas profundas da rocha original. Esse contato prolongado converteu parte da olivina em carbonato e sílica, deixando um primeiro registro químico bem definido que marca o início dessa história de transformação.

Na segunda fase, um antigo lago cobriu a superfície marciana e acrescentou umidade às camadas já alteradas. Muito tempo depois, fluidos hidrotermais aquecidos atravessaram fendas subterrâneas e depositaram veios de sulfato de cálcio e fluorita, encerrando o terceiro ciclo identificado pela equipe de pesquisadores.

A pista rara que surpreendeu os cientistas

A fluorita chamou atenção porque esse mineral raro só se forma quando fluidos aquecidos percorrem rochas vulcânicas já fraturadas. Sua presença indicou que o calor interno de Marte permaneceu ativo numa fase bem posterior ao desaparecimento do lago que um dia cobriu aquele terreno.

Em outros contextos geológicos, ambientes aquecidos no subsolo podem manter condições estáveis por longos períodos, com calor e energia suficientes para sustentar reações químicas contínuas. Esses cenários podem abrigar nichos onde a atividade biológica poderia prosperar longe da superfície árida.

Um Registro que resiste ao tempo

Carbonato e sílica se acumularam ao redor dos grãos fraturados conforme a água reagia com os minerais da região. O resultado é um arquivo geológico durável, capaz de preservar informações químicas detalhadas por bilhões de anos.

As amostras coletadas pelo Perseverance serão analisadas em detalhe em laboratórios na Terra. Essas análises poderão revelar nuances sobre a evolução de Marte que a distância ainda não permite captar completamente e completar o registro geológico preservado nas rochas marcianas.

Quando a fluorita não garante que houve vida

A presença de fluorita e outros minerais hidrotermais comprova que fluidos quentes circularam pelas rochas, e isso criou condições potencialmente favoráveis à vida. Mas o mineral em si é apenas um sinal geológico — não é uma bioassinatura. Reações químicas puramente inorgânicas conseguem gerar fluorita sem qualquer envolvimento de organismos.

O calor e a energia dos fluidos são ingredientes necessários para vida, mas não são suficientes para provar que ela existiu.

Por isso, os cientistas deixam claro que as amostras coletadas pelo rover precisam ser analisadas em laboratórios terrestres com instrumentos muito mais poderosos. Só essa análise permitirá buscar sinais microscópicos de atividade biológica, como moléculas de carbono orgânico preservadas ou padrões que não se formam sem organismos. Nos minerais que a fluorita ajuda a manter intactos.

Fim dos tempos?

Cientistas fazem previsão assustadora sobre o fim do mundo para 13 de novembro, em poucas semanas

Previsão consta de um estudo publicado em 1960 na revista Science

17/10/2026 16h24

Foto: ArtHouse Studio/Pexels

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A sexta-feira, 13 de novembro de 2026, foi apontada há 66 anos como o dia em que o crescimento populacional do planeta atingiria um ponto sem volta. A previsão consta de um estudo publicado em 1960 na revista Science, assinado por Heinz von Foerster, Patricia M, e mora e Lawrence W. Amiot.

O trabalho não previa nenhum desastre externo, cometa ou guerra: a hipótese era que o próprio ritmo de expansão humana se tornaria descontrolado a ponto de colapsar sozinho. Batizado de "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026", o estudo chegou a essa data a partir de um cálculo sobre o tempo que a população mundial levava para dobrar de tamanho.

Mais de seis décadas depois, a demografia global seguiu uma trajetória diferente da projetada pelos três pesquisadores.

A lógica por trás do cálculo original

Von Foerster e os outros dois autores reuniram 24 estimativas populacionais que cobriam cerca de 2 mil anos de história humana. Com essa base, identificaram que o crescimento não seguia apenas uma curva exponencial. O ritmo era ainda mais rápido e se intensificava a cada novo ciclo.

A análise distinguia dois períodos da humanidade, e antes da industrialização, guerras, fome e epidemias funcionavam como freios naturais à expansão demográfica. No período moderno, porém, esses freios perderam força, e a curva de crescimento ganhou velocidade.

A extrapolação matemática dessa aceleração apontava para intervalos de duplicação cada vez menores, até que eles praticamente desaparecessem. Foi esse ponto teórico que resultou na data de 13 de novembro de 2026.

Para ilustrar o que isso significaria na prática, Von Foerster chegou a escrever que os tetranetos da geração atual não morreriam de fome, e sim sufocados pela própria multidão.

Por que a conta não se confirmou

O modelo de 1960 pressupunha que a expansão acelerada se manteria indefinidamente, sem considerar mudanças no comportamento da sociedade. Essa premissa foi o ponto fraco da projeção: nas décadas seguintes, a fecundidade recuou em diversos países, e o ritmo de crescimento populacional perdeu força em vez de acelerar.

Na prática, a trajetória demográfica observada não seguiu o caminho projetado pelo estudo. O cenário de expansão infinita, por consequência, nunca chegou perto de se realizar. Pesquisas conduzidas mais tarde pela Universidade de Toho e pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia ajudaram a revisar esse tipo de projeção demográfica, incorporando variáveis sociais que o estudo original não considerava.

O que indicam as projeções mais recentes

Hoje, as Nações Unidas não trabalham com a hipótese de um crescimento populacional sem limite. A expectativa é de que o número de habitantes do planeta continue subindo por mais algumas décadas, mas em ritmo cada vez mais lento.

As estimativas atuais indicam um pico de população mundial perto de 10,3 bilhões de pessoas, projetado para meados da década de 2080. Após atingir esse patamar, a população deverá começar a diminuir gradualmente, chegando a aproximadamente 10,2 bilhões ao final do século.

É esse recuo no ritmo de crescimento, e não uma aceleração rumo ao caos, que caracteriza o cenário demográfico desenhado para as próximas gerações.

Velocidade impressionante

Enquanto avião comercial voa a 800 km/h, NASA indica que SR-71 poderia chegar a 4.280 km/h

Este que permanece como o avião mais rápido já construído

17/10/2026 15h16

Foto: Pixabay/Pexels

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O SR-71 Blackbird permanece como o avião mais rápido já construído: atingiu Mach 3,3 em 1976, na base aérea de Edwards, na Califórnia. Mais de 50 anos depois, engenheiros da NASA estudam modificações que poderiam levar o icônico avião tripulado a velocidades ainda maiores. Análises conduzidas nos anos 1990 indicaram que o Blackbird ainda tinha potencial de desempenho não explorado.

Cálculos de Conners indicam que a aeronave poderia alcançar aproximadamente 4.280 km/h em altitudes ideais, acima da marca registrada pelo avião.

O legado de um recorde duradouro

O desempenho alcançado pelo SR-71 em 1976 superou os aviões conhecidos até então. A velocidade de Mach 3,3 resultava de uma combinação de projeto, materiais especializados e motores capazes de funcionar a temperaturas e pressões extremas.

Aviões comerciais modernos, em comparação, voam rotineiramente a 800 km/h a 950 km/h durante a fase de cruzeiro — menos de um quarto da velocidade do Blackbird.

A velocidade ganhava importância no contexto da Guerra Fria, e o Blackbird foi desenvolvido como um avião espião de reconhecimento em alta altitude. Seu desempenho não era apenas uma demonstração de capacidade, mas uma necessidade operacional: permitia à aeronave evitar sistemas de defesa aérea adversários e completar missões de inteligência sobre territórios hostis.

 

Novas ambições: do passado para o futuro

Tim Conners, engenheiro responsável pela propulsão do SR-71 no Centro Dryden da NASA, conduziu estudos nos anos 1990 que indicaram ser possível elevar o desempenho da aeronave. Seus cálculos apontavam que modificações permitiriam ao Blackbird alcançar velocidades próximas a 4.280 km/h em condições de voo otimizadas.

A análise teórica dos anos 1990 voltou ao foco dos engenheiros da NASA. A possibilidade de retomar o projeto, antes restrita a estudos, levaria a aeronave a aproximadamente 4.280 km/h. Isso ultrapassaria o próprio recorde do Blackbird e ampliaria os limites conhecidos da velocidade aérea.

A diferença entre Mach 3,3 e as velocidades propostas parece pequena em números, mas impõe desafios maiores à integridade estrutural, ao comportamento dos materiais e à eficiência do sistema de propulsão.

Os engenheiros voltam a estudar os planos do avião mais rápido da história e, com eles, os limites do voo humano. Se saírem do papel, os projetos permitiriam superar recordes e ampliar a velocidade aérea sustentada.

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