O café oferece benefícios para a saúde intestinal e cardiovascular, segundo Tim Spector, epidemiologista britânico especializado em microbiota. Durante décadas, a bebida foi associada a riscos para o coração, mas estudos recentes rejeitaram essa conclusão. Quem consome café regularmente tem 15% menos risco de desenvolver doenças cardíacas, mostram pesquisas.
O benefício vale tanto para o café comum quanto para a versão descafeinada: ambos contêm compostos benéficos ao organismo. O hábito pode proteger o coração e melhorar a digestão, independentemente da escolha entre as duas versões.
Como o café nutre o intestino
Uma xícara de café filtrado fornece 1,5 grama de fibra solúvel, que alimenta os micróbios intestinais e ajuda a manter o equilíbrio digestivo. Esse aporte equivale ao obtido ao comer uma mandarina, alimento importante para a saúde do sistema digestório.
Quem bebe café apresenta um microbioma intestinal mais diverso do que quem não consome a bebida — vantagem que se conecta com melhor saúde geral. A presença de Lawsonibacter, uma bactéria que prospera com a fibra do café, favorece especialmente a diversidade microbiana.
Polifenóis e antioxidantes no café
O café é fonte importante de polifenóis, antioxidantes que reduzem a inflamação e o estresse oxidativo nas células. Embora o leite diminua sua concentração, a bebida continua contribuindo para a saúde intestinal. Por ser fermentado, o café também fornece probióticos e tem sabores complexos que enriquecem seu valor nutricional.
Spector coloca o café entre as bebidas mais saudáveis, ao lado do chá verde e do matcha. Ao The Telegraph, ele disse que o consumo da bebida se relaciona com maior concentração, melhor estado de ânimo e mais energia no curto prazo.
A longo prazo, pesquisas o vinculam a menor risco de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, além de redução na incidência de cânceres de fígado e mama.
Quantidade recomendada por dia
A quantidade mais recomendada fica entre duas e quatro xícaras por dia, ajustada às necessidades e à tolerância de cada pessoa. Esse intervalo oferece proteção cardiovascular e benefícios digestivos sem excessos que causem desconforto. Os efeitos do café não dependem apenas da cafeína, mas também de compostos biologicamente ativos, como ácidos clorogênicos, diterpenos, trigonelina e melanoidinas.
Estudos de acompanhamento associaram o consumo habitual moderado de café a menor risco de morte por todas as causas. Uma revisão de 28 estudos prospectivos mostrou redução de 20% no risco de diabetes tipo 2 entre pessoas que consumiam, em média, 3,5 xícaras de café por dia.
Spector considera o café um aliado integral para o bem-estar físico e mental quando consumido com moderação e regularidade.
Por que o café descafeinado também traz benefícios cardiovasculares
Os benefícios do café para o coração não vêm apenas da cafeína. A bebida contém compostos biologicamente ativos como ácidos clorogênicos, diterpenos, trigonelina e melanoidinas, que funcionam como antioxidantes e anti-inflamatórios no corpo. Esses componentes melhoram a sensibilidade à insulina, ajudam os vasos sanguíneos a funcionarem melhor.
E regulam o metabolismo da glicose — mecanismos que protegem o coração independentemente da cafeína estar presente ou não.
Quando o café pode prejudicar o colesterol
Nem toda forma de preparar café oferece os mesmos benefícios. O café sem filtro — como aquele feito em French press, café turco ou café fervido escandinavo — contém uma substância chamada cafestol que aumenta os níveis de colesterol LDL, o "colesterol ruim". O espresso também apresenta essa substância, mas em quantidade menor.
Para aproveitar os benefícios cardiovasculares do café, o ideal é escolher o café filtrado em papel ou o café solúvel, que praticamente não contêm cafestol e não afetam o colesterol.
O café aumenta a pressão arterial de forma permanente?
A relação entre café e pressão é mais complexa do que parece. Pessoas com hipertensão podem sentir um aumento temporário da pressão logo após beber café, mas estudos de longo prazo mostram que os efeitos do consumo habitual são pequenos.
Alguns estudos observaram um padrão em forma de "J": pessoas que bebem uma a três xícaras por dia apresentaram risco maior de hipertensão, enquanto as que consumiam quantidades maiores tenderam a apresentar o resultado oposto. Isso sugere que o efeito varia de pessoa para pessoa, conforme a sensibilidade individual à cafeína.


