Curiosidades

Aos 22 anos, ele passou um mês em uma montanha filmando nuvens e ganhou US$ 8.900

A vaga atraiu quase 3.600 candidaturas antes da seleção final.

Um jovem de 22 anos foi escolhido para passar 30 dias no topo de uma montanha na China, onde documentará nuvens em vídeo por US$ 8.900. A vaga atraiu quase 3.600 candidaturas antes da seleção final.

O monte Laojun, localizado na província de Henan, no centro da China, alcança 2.217 metros de altitude e é conhecido por um fenômeno natural chamado mar de nuvens. A formação de neblina envolve os vales e cria a ilusão de que os cumes flutuam sobre um oceano branco.

A administração da área turística abriu a seleção para aproveitar essa atração e promover o destino.

A proposta de trabalho e seus desafios

O contrato duraria de 16 de julho a 15 de agosto de 2026, incluindo hospedagem e alimentação. Li Sichen, que usa o nome Xiaozao nas redes sociais, venceu a seleção entre os quase 3.600 inscritos, sendo escolhido pela qualidade do conteúdo que produzia e sua capacidade de gerar interações nas plataformas digitais.

A tarefa exigia mais dedicação do que o cenário aparentemente tranquilo sugeria. Li precisava acordar antes do amanhecer todos os dias, percorrer diferentes setores da montanha. E captar imagens únicas do fenômeno das nuvens, mesmo quando o tempo não colaborava ou a neblina parecia repetitiva. Em algumas ocasiões, aguardava uma ou duas horas pelo momento perfeito de gravar.

Rotina de produção de conteúdo

Depois de capturar as imagens, Li tinha de editar o material, ajustar as cores e preparar uma publicação diária na plataforma chinesa Douyin, equivalente ao TikTok. A seleção considerou a quantidade de interações nas publicações, a qualidade do conteúdo e a capacidade de atrair público, e cada vídeo deveria seguir as etiquetas estabelecidas pelos organizadores.

A jornada combinava observação constante da paisagem, fotografia, gravação de vídeo e edição, com a pressão de entregar conteúdo original e atraente todos os dias. A administração pagou 60.000 yuanes — cerca de US$ 8.900 — pelo trabalho diário de produzir material visual de qualidade.

Se o trabalho era tão cansativo, por que tantas pessoas se candidataram?

A remuneração de US$ 8.900 por um mês de trabalho, com hospedagem e alimentação incluídas, era uma quantia "considerável para um posto temporário", segundo a fonte. Assim, mesmo com os desafios de acordar antes do amanhecer, caminhar por horas e esperar pelo "momento perfeito", o salário compensava o esforço para muitos candidatos.

Além disso, ganhar visibilidade como criador de conteúdo em uma plataforma como o Douyin representa uma oportunidade de crescimento profissional que vai além do pagamento único.

Recorde mundial

Esta abóbora dos EUA pesa mais que um Fiat Uno: são impressionantes 1.432 kg

O produtor rural aguarda agora a confirmação oficial do recorde.

14/10/2026 17h02

Foto: Reprodução/Instagram

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Nos Estados Unidos, o produtor rural Ron Wallace, de Rhode Island, chegou a uma abóbora com 1.432 kg de massa, número que pode valer a ele o título de maior do mundo pelo Guinness, o Livro dos Recordes. A pesagem aconteceu no último sábado (10), durante uma competição voltada a abóboras gigantes no sul da região da Nova Inglaterra.

Em termos práticos, isso significa uma massa maior do que a de carros populares antigos, caso do Fiat Uno, cujo peso costuma variar entre 800 kg e 1.000 kg. O produtor rural aguarda agora a confirmação oficial do recorde pela entidade responsável pelo Livro.

Como surgiu a disputa pelo título

Até então, a marca pertencia ao britânico Ian Paton, de Lymington, cuja abóbora alcançou 1.296 kg e teve o recorde confirmado em 3 de outubro. A diferença de pouco mais de 1 semana entre as duas marcas mostra como a disputa pelo título está acirrada entre produtores de diferentes países.

Em declaração por telefone na segunda-feira (12), Wallace relatou a satisfação por ter conseguido produzir um exemplar daquele tamanho. Ele recebeu US$ 3.500 pela vitória na disputa local. Valor bem menor do que outras competições chegaram a oferecer, com prêmios de até US$ 70 mil — mas optou por permanecer perto de sua comunidade no momento da conquista.

O papel da troca de técnicas entre produtores

Wallace credita parte do resultado ao fato de os cultivadores de abóboras gigantes compartilharem entre si aprendizados e estratégias de cultivo. Pela primeira vez neste ano, ele usou uma estufa para o plantio, mudança que, na avaliação dele, fez diferença considerável no resultado final.

Wallace informou ao G1 que produzir uma abóbora de mais de 1.360 kg só é possível quando há uma comunidade trabalhando em conjunto. O hobby começou depois que ele abriu uma loja virtual de produtos de jardinagem. Hoje, segundo Wallace, essas competições dão mais visibilidade aos produtores, que vêm sendo chamados com frequência crescente pelo setor agrícola para dar orientações sobre manejo do solo e outras práticas de cultivo.

Outras disputas acontecem pelo país

A corrida por Recordes se espalha por outros Estados americanos neste mês. Na Califórnia, uma abóbora de 1.083 kg apelidada de "Rocky" venceu, também na segunda-feira (12), um concurso tradicional em Half Moon Bay, perto de São Francisco — longe da marca mundial, mas suficiente para garantir a vitória na categoria.

O professor de horticultura Travis Gienger levou o exemplar numa viagem de 35 horas desde Minnesota até a Califórnia. Foi o quinto título dele na competição, com premiação de US$ 21.501. A premiação foi de cerca de US$ 19,84 por quilo de abóbora.

Da rachadura ao quinto título

No ano anterior, o professor ficou fora da disputa porque sua abóbora rachou ainda durante o crescimento. Por isso, batizou o exemplar deste ano de Rocky, em referência ao boxeador interpretado por Sylvester Stallone, como símbolo de retorno após a derrota.

A viagem de 35 horas pela estrada carregando um vegetal do tamanho de um carro pequeno marcou a trajetória até a vitória. Gienger cultiva as abóboras no próprio quintal, em Anoka, às margens do rio Mississippi, ao norte de Minneapolis, mesmo enfrentando temperaturas abaixo de zero nesta safra.

O organizador do evento, Ronan Fowler, destacou a dificuldade de produzir um exemplar daquele porte em condições climáticas adversas, com temperaturas de cerca de −1°C. Para o próximo ciclo, o professor já cogita adotar o cultivo em ambiente com temperatura controlada, técnica semelhante à usada pelo produtor de Rhode Island.

Centenas de pessoas compareceram à 53ª edição do Campeonato Mundial de Pesagem de Abóboras, que reuniu comida, música e brincadeiras sobre o tamanho dos vegetais. Enquanto isso, a confirmação do novo recorde mundial de 1.432 kg segue pendente de validação pelo Guinness.

Reflexão e Filosofia

Victoria Camps: "Desejos não são direitos"; Kant explica por que ser livre vai além dos impulsos

Confusão reflete uma crise profunda de valores.

14/10/2026 16h28

Angela Silva / Própria

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A filósofa Victoria Camps alerta para uma tendência perigosa nas sociedades contemporâneas: transformar desejos em direitos. Para a catedrática emérita de Filosofia Moral e Política da Universidade Autónoma de Barcelona, essa confusão reflete uma crise profunda de valores e transforma o individualismo em egocentrismo.

Camps critica a transformação da busca pelo bem-estar em um projeto egocêntrico, no qual cada pessoa persegue a satisfação imediata sem considerar a dimensão social ou o sentido de comunidade. Essa mentalidade distorce a liberdade: já não se trata de agir conforme a razão ou o dever moral, mas de ceder aos impulsos do momento.

A confusão entre liberdade e capricho

A raiz do problema está em uma compreensão equivocada da liberdade pessoal. O que deveria ser uma escolha racional e responsável transformou-se na mera satisfação de desejos instantâneos. Camps observa que o pensamento contemporâneo deixou de perguntar "o que devemos fazer" para se concentrar apenas em "o que nos agrada fazer".

Essa inversão de prioridades dissolveu os limites coletivos que historicamente estruturavam a convivência. Quando cada indivíduo assume que qualquer desejo legítimo é um direito, o espaço comum encolhe e a confiança nas instituições e nas pessoas desmorona — tema central de seu ensaio "A Sociedade da Desconfiança".

Kant e a verdadeira liberdade

O filósofo alemão Immanuel Kant oferece uma perspectiva fundamental para compreender essa distinção. Para Kant, a verdadeira liberdade não consiste em ceder aos impulsos ou desejos imediatos, mas em agir guiado pela razão e pelo dever moral. Isso pode contrariar nossa vontade biológica ou emocional. A liberdade kantiana é disciplinada e reflexiva, não impulsiva.

Essa concepção contrasta com o individualismo atual, criticado por Camps. Ser livre, na visão kantiana, exige renúncia e contenção — qualidades que a educação moderna raramente cultiva. A filósofa enfatiza a necessidade de recuperar a disciplina nas escolas, pois a formação moral e racional é essencial para uma sociedade funcional.

A urgência de redefinir direitos e deveres

Camps deixa claro: ter direito a buscar felicidade não significa que cada impulso mereça satisfação. O desafio contemporâneo é resgatar a compreensão de que direitos e liberdades existem dentro de um marco de responsabilidades compartilhadas. Sem essa costura social, a sociedade fragmenta-se em monadas de satisfação pessoal, incapazes de confiar umas nas outras.

A reflexão da filósofa aponta para a urgência de um reequilíbrio — reconhecer que a vida em comunidade exige tanto o direito à realização pessoal quanto a capacidade de abrir mão de caprichos em nome do bem coletivo. Nessa tensão criativa entre o indivíduo e a sociedade reside a possibilidade de uma liberdade autêntica e duradoura.

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