Ciência

Terremoto avassalador com tsunami pode matar até 75% de toda a população no litoral dos EUA

Costa americana abriga a falha de Cascadia.

A costa americana abriga a falha de Cascadia, entre 48 e 96 quilômetros do litoral, e um eventual terremoto nessa região tem potencial para provocar um tsunami que mataria até três em cada quatro moradores das áreas atingidas pela inundação. 

Essa é a conclusão de um estudo sobre riscos sísmicos assinado em conjunto pelo Departamento de Gerenciamento de Emergências e pelo Departamento de Geologia e Indústrias Minerais, ambos do estado do Oregon.

Os pesquisadores basearam essa estimativa no curto espaço de tempo entre o tremor e o impacto das ondas na costa, de 10 a 20 minutos, período curto demais para que moradores consigam chegar a pé a um ponto mais alto e fora de perigo.

Em Seaside, no Oregon, cidade com população estimada em cerca de 7.000 habitantes, apenas 25% dos moradores conseguiriam sobreviver sem estruturas de proteção.

Magnitude dos danos projetados

Os cálculos indicam que o tsunami mataria entre 4.550 e 14.000 moradores do litoral oregoniano. Se os turistas que passam o verão na costa forem incluídos, o número subiria para entre 11.000 e 31.700 mortos. A onda destruiria de 70% a 90% das construções na zona de inundação.

Ao avançar sobre a costa, a água arrastaria consigo cerca de 4,4 milhões de toneladas em escombros, entre madeira e fragmentos de prédios, que se somariam à força da correnteza e derrubariam a probabilidade de sobrevivência para menos de 1%, segundo o documento. A velocidade e a força do fenômeno quase não deixariam margem de escape para quem estivesse na zona de inundação no momento do impacto.

Solução por meio de estruturas de Evacuação

Para reduzir a mortalidade, o estudo recomenda implantar Estruturas de Evacuação Vertical (VES) nas comunidades litorâneas. Essas edificações oferecem abrigo em cotas acima do nível máximo do tsunami, funcionando como refúgio quando o deslocamento horizontal até terrenos elevados exigiria mais tempo que a chegada das ondas.

As VES podem ser torres de aço, plataformas em coberturas de prédios ou montes de terra com acessos por rampas e escadas. A modelagem em Seaside demonstra que quatro estruturas desse tipo elevariam a taxa de sobreviventes de 25% para 85% da população de risco.

As estruturas devem resistir ao impacto do tremor, à força das correntes, à flutuação e ao choque de detritos. Cientistas sugerem que um novo abalo sísmico como este ocorre a cada 300 a 500 anos na falha de Cascadia.

Cascadia em foco: risco real para o próximo meio século

Cientistas americanos estimam entre 10 e 15% de probabilidade de um terremoto superior a 9 graus na escala Richter atingir a costa nos próximos 50 anos. O último grande evento sísmico naquela falha ocorreu em 1700, com magnitude entre 8,7 e 9,2, e devastou tribos indígenas do noroeste americano, gerando um tsunami que alcançou inclusive o litoral japonês.

Quando um novo abalo dessa magnitude ocorrer, os EUA projetam milhares de mortes, além de 1 milhão de desabrigados e da destruição de pontes, estradas, viadutos e túneis. Algumas áreas ficarão sem fornecimento de água e luz por meses.

Fim do mundo?

Em 1960, três matemáticos previram fim do mundo em 13 de novembro de 2026, saberemos a verdade

Estudo analisou estimativas demográficas desde aproximadamente a época de Cristo até 1958

01/10/2026 11h26

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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Em 1960, três matemáticos de Harvard projetaram que a população mundial atingiria uma singularidade matemática em 13 de novembro de 2026. O resultado extremo não poderia ser literal: era uma extrapolação do crescimento populacional.

Um artigo científico publicado em 1960 na revista Science, liderado pelo físico Heinz von Foerster, analisou estimativas demográficas desde aproximadamente a época de Cristo até 1958 e projetou a tendência futura em uma curva que revelava algo surpreendente. Os pesquisadores investigavam uma preocupação legítima para o período: uma população que crescia rapidamente em um planeta com recursos limitados.

Ao aplicarem um modelo matemático aos dados históricos, os pesquisadores observaram que a trajetória populacional seguia uma aceleração cada vez maior. Quando estenderam essa tendência para o futuro, a curva apontou para um ponto singular impossível.

A previsão que desafia a lógica

O comportamento extremo dos números levou a um resultado que chamou a atenção da comunidade científica: a população mundial atingiria um ponto de singularidade matemática em 13 de novembro de 2026. A escolha dessa data tinha um componente humorístico: era o aniversário de Heinz von Foerster. A previsão gerou debate sobre o crescimento populacional e seus limites.

Von Foerster disse ao El Confidencial que chamaria aquele momento de dia do juízo final, já que seria a data em que o número de pessoas tenderia ao infinito e a população inteligente se aniquilaria a si mesma, e afirmou que os descendentes não morreriam de fome, mas esmagados. A própria formulação deixava evidente o absurdo físico de extrapolar indefinidamente a tendência e mostrava os limites de projetar dados históricos para o futuro sem considerar mudanças nas condições.

Como a realidade divergiu da previsão

A população mundial não seguiu a trajetória sugerida pelo modelo matemático de 1960. Diversos fatores interromperam a aceleração prevista: políticas de planejamento familiar em muitos países, mudanças socioeconômicas que reduziram as taxas de natalidade, maior acesso à educação e a contraceptivos e transformações culturais que alteraram os padrões reprodutivos.

Em 2026, a realidade demográfica se afasta da singularidade prevista. A população mundial continua crescendo, mas em ritmo desacelerado em muitas regiões. Alguns países enfrentam envelhecimento e declínio populacional, enquanto outros ainda crescem, sem a aceleração que os matemáticos de Harvard haviam identificado nos dados anteriores a 1958.

Lições de uma previsão impossível

O exercício matemático de Von Foerster e seus colegas ilustra uma verdade fundamental sobre previsões científicas: estender uma tendência histórica sem considerar mudanças de contexto leva a resultados absurdos.

A data de 13 de novembro de 2026 nunca representou uma data real para o fim do mundo. Mas sim um ponto onde a matemática pura encontra seus limites quando aplicada a sistemas humanos complexos. O artigo de 1960 permanece como um exemplo pedagógico poderoso de como números podem revelar tanto o poder quanto as armadilhas da modelagem.

A singularidade matemática não significava que algo catastrófico aconteceria naquela data — significava que o modelo usado para descrever o passado não era adequado para prever o futuro de um fenômeno sujeito a mudanças tecnológicas, sociais e políticas.

Alerta de um gênio

Stephen Hawking deixou um alerta: "O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância"

Frase atribuída ao físico teórico circula há anos em textos sobre ciência

01/10/2026 10h49

Imagem: elhombredenegro/Wikimedia Commons

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A frase atribuída ao físico teórico Stephen Hawking circula há anos em textos sobre ciência. E pensamento crítico: o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas sim a ilusão de conhecimento. Não há confirmação de que Stephen Hawking tenha dito a frase. Ela distingue duas situações que parecem semelhantes, mas funcionam de maneiras opostas.

Não saber algo abre espaço para buscar respostas por meio de perguntas, leitura ou investigação direta. Já acreditar que entende determinado assunto sem tê-lo compreendido de fato bloqueia esse movimento: a pessoa deixa de questionar o que pensa saber.

O engano do falso entendimento

A ideia não trata apenas da falta de informação, e ela aponta para uma armadilha mais sutil: supor que se domina um tema sem ter se aprofundado nele. Esse engano é arriscado porque elimina a autocrítica.

Uma pesquisa publicada na revista Cognitive Science em 2002, conduzida por Leonid Rozenblit e Frank Keil, mostrou que as pessoas tendem a inflar a própria capacidade de compreensão quando precisam explicar em detalhes mecanismos do cotidiano.

É comum lidar no dia a dia com um objeto ou uma ideia e, ao tentar explicar como aquilo realmente funciona, perceber que a compreensão nunca foi tão sólida quanto parecia.

Reconhecer a ignorância como ponto de partida

Há uma grande distância entre estar acostumado com algo e conseguir explicá-lo com clareza. É essa distância que explica por que a ilusão de conhecimento se instala tão facilmente. É possível conviver todos os dias com uma informação sem nunca se aprofundar nela.

Essa lógica muda o papel da ignorância: em vez de ser só uma barreira, ela vira uma ferramenta. Admitir o que ainda não se sabe é o primeiro movimento de qualquer aprendizado real, porque abre caminho para perguntas novas em vez de prender a pessoa a respostas que podem estar erradas.

Por que a certeza falsa trava o aprendizado

O risco surge quando alguém se convence de que já possui a resposta certa e abandona a curiosidade. Essa certeza mal fundamentada dificulta a assimilação de novas informações e a correção de erros, e afinal, quem acredita já entender dificilmente procura outra explicação.

A própria história dessa frase na internet ilustra a ideia que ela carrega: repetida à exaustão, ganhou peso de verdade estabelecida, mesmo sem nenhuma confirmação de que Stephen Hawking a tenha dito. Ela se espalhou como fato incontestável justamente porque quase ninguém parou para checar de onde vinha.

A associação repetida na internet, porém, não comprova que a frase seja autêntica.

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