O presidente Lula confirmou a intenção de reconstruir a BR-319, rodovia de 885,9 quilômetros que liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia. A estrada é a única ligação terrestre do Amazonas com o restante do país e é crucial para o transporte de pessoas e mercadorias, atendendo cidades como Humaitá, Lábrea e Manicoré.
Lula ressaltou que a reconstrução será feita em comum acordo com ambientalistas e órgãos competentes, buscando equilíbrio entre infraestrutura e preservação ambiental. A meta é garantir que a estrada permita deslocamento seguro e eficiente sem incentivar desmatamento ou ocupações irregulares na floresta amazônica.

Avaliação ambiental e governança da região
A reconstrução da BR-319 envolve a criação de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), coordenada pela Casa Civil em parceria com os Ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes.
A iniciativa vai abranger toda a área de influência da rodovia e prevê a implementação de um modelo de governança para uma faixa de 100 quilômetros ao redor da estrada. O plano considera terras indígenas, unidades de conservação e áreas sem destinação definida, buscando minimizar impactos ambientais e manter a floresta preservada.
A Justiça Federal suspendeu a licença prévia do trecho central da BR-319 em julho, atendendo a recursos que apontam riscos como abertura de ramais ilegais e especulação imobiliária.
A Advocacia-Geral da União defende a manutenção da licença, destacando que 55% da área ao redor já possui unidades de conservação que funcionam como barreiras contra o desmatamento. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que não se opõe à obra, mas defende que seja realizada com planejamento adequado, considerando os efeitos sobre o ecossistema e as futuras gerações.





