A capital brasileira com mais dias de calor extremo enfrenta um cenário cada vez mais difícil para seus moradores. As temperaturas elevadas têm afetado diretamente o descanso, o desempenho nas atividades diárias e a qualidade de vida.
Segundo levantamentos recentes, foram registrados mais de duzentos dias de extremos de calor em um único ano em Belém, capital do Pará, reflexo de um ambiente urbano que perdeu parte significativa de sua vegetação ao longo das últimas décadas. O fenômeno reforça desigualdades e evidencia como alguns bairros sofrem mais que outros.

Calor extremo e desigualdade climática
Em áreas menos arborizadas, principalmente na periferia, o desconforto atinge níveis insuportáveis já no fim da manhã. Moradores relatam dificuldades para dormir, descansar após o trabalho ou estudar durante a tarde, pois o calor se acumula dentro das casas. A ausência de árvores e a presença de ruas totalmente pavimentadas intensificam a sensação térmica, criando verdadeiras ilhas de calor.
Dados do Censo apontam que grande parte da população vive em vias sem qualquer cobertura vegetal, enquanto regiões centrais contam com sombra abundante, refletindo a desigualdade climática presente na capital.
A redução da cobertura vegetal, estimada em cerca de 20% desde os anos 1980, agrava o problema. Com menos áreas verdes, o equilíbrio natural que ajuda a amenizar a temperatura se perde, deixando a cidade mais vulnerável aos extremos climáticos.
As mudanças também têm afetado atividades econômicas locais, como a produção de alimentos tradicionais que dependem de ciclos naturais específicos, prejudicados por chuvas irregulares e períodos prolongados de calor.
Para muitos moradores, o impacto é direto: noites mal dormidas, cansaço frequente e queda no desempenho físico e mental. Especialistas alertam que ambientes quentes durante o período de descanso comprometem o sono profundo, essencial para o organismo.





