A praia de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, vive um processo acelerado de erosão que transforma a paisagem e ameaça trechos antes considerados estáveis. Um levantamento da Secretaria de Meio Ambiente do município analisou seis pontos da orla e mostrou que a linha da costa sofre recuo contínuo desde 1957.
A maior parte da faixa de areia apresenta perda significativa de sedimentos, afetando tanto áreas públicas quanto propriedades próximas ao mar. Os dados apontam que o trecho mais crítico é o Ponto 4, na Avenida dos Pioneiros.
Ali, a variação da faixa de areia chegou a 2,5 metros em poucos meses, deixando uma área estreita cercada por estruturas de contenção. Em Itapema do Norte, o cenário também preocupa: a oscilação próxima de 1 metro mostra que o local responde rapidamente às alterações do clima e da dinâmica costeira.

Impactos das estruturas de contenção e mudanças na orla
O uso de enrocamentos, barreiras de pedras ou concreto, já cobre cerca de 10 km da costa de Itapoá. Embora instalados para conter o avanço do mar, o estudo revelou que em aproximadamente 4,5 km eles provocam o “efeito promontório”.
Nesse caso, a energia das ondas se concentra nas extremidades das estruturas, intensificando a erosão nos trechos vizinhos. Assim, a solução adotada para proteger parte da orla acaba acelerando o desgaste em outras áreas.
Para enfrentar essa realidade, o município iniciou em 2025 o maior projeto de alargamento de praia do Brasil. A obra prevê reforçar 7,5 km da orla com 6 milhões de metros cúbicos de areia retirada da dragagem do canal da Baía Babitonga. Até agora, mais de 940 mil metros cúbicos foram depositados em um trecho superior a 1 km.





