Diante da disseminação dos hotéis cinco estrelas espalhados por todo o mundo, o português João Vaz Guedes, cuja família fundou a construtora Somague, idealizou a construção de um empreendimento seis estrelas no Brasil. Nomeado de Warapuru Resort, o projeto, embutido no alto de um morro em Itacaré (BA), chegou a empregar 3 mil funcionários.
A ideia grandiosa tinha tudo para elevar o setor hoteleiro do país, mas acabou declinando antes mesmo de ser prestigiada por turistas de todo o planeta. Entre coqueirais e espécies nativas da Mata Atlântica, o luxuoso hotel garantia vista para a Praia da Engenhoca, dando um toque especial àqueles que priorizam o contato e a paz que a natureza permite.
Outrora creditado pela revista do The New York Times como “o refúgio mais exclusivo do Brasil”, o Warapuru teve suas obras paralisadas em 2008, quando 80% da edificação havia sido concluída. Estima-se que mais de R$ 180 milhões foram gastos nas instalações: recepção, beach club, 40 bangalôs, além de 17 casas particulares e uma cinematográfica estrada sobre a copa das árvores.
Por ter se tratado de um empreendimento jamais visto no Brasil, as 17 vilas previstas no projeto foram vendidas antecipadamente a partir de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,42 milhões na cotação atual). Contudo, problemas envolvendo a liberação de vistos ambientais estagnaram as obras do hotel. A questão foi ainda aflorada com a falência da incorporadora responsável pelo projeto, após dívida de R$ 1,09 milhão.
Como o “hotel seis estrelas” do Brasil está atualmente?
O que deveria ter sido um dos maiores atrativos hoteleiros do país tornou-se um lugar abandonado, tomado por árvores e edificações enferrujadas. Com mais de uma década de inatividade em função das obras, estima-se que a região não mais comportará o projeto inicial. Em um primeiro momento, especialistas cravaram a possibilidade de retomada e conclusão das obras com a injeção de R$ 100 milhões.
Confira as etapas do empreendimento:
- Início: a construção começou em 2004, com previsão de inauguração em 2007;
- Embargo: as obras foram interrompidas em 2007/2008 por problemas ambientais e de licenciamento;
- Abandono: o projeto nunca foi retomado e, desde 2010, o local está abandonado e em ruínas;
- Cenário: hoje, a estrutura, ainda que em diferentes estágios de acabamento, está coberta pela vegetação. As ruínas formam um cenário de desolação, contrastando com a beleza da Mata Atlântica ao redor.




