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ANO PAPAL

Francisco faz 87 e termina 2023 mais 'livre' sem sombra de Bento 16

Funeral em janeiro, do seu antecessor, Bento 16, encerrou inusitado período em que dois papas conviveram dentro do Vaticano

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Em clima de aniversário, com 87 anos completados neste domingo (17), o papa Francisco chega ao fim de um intenso 2023, pelo ritmo de trabalho, apesar da saúde frágil e pelos embates que decidiu travar, com resultados que nem sempre lhe foram agradáveis.

O ano já começou com um grande acontecimento. O funeral, em janeiro, do seu antecessor, Bento 16, que encerrou o inusitado período em que dois papas conviveram dentro do Vaticano.

A partir disso, houve uma sucessão de marcos: a intensificação de seu ativismo diplomático pela paz; a nomeação do maior número de cardeais de seu pontificado e outras mudanças na Cúria Romana; a realização de um questionado Sínodo dos Bispos e um novo texto sobre emergência climática.

Tudo isso e mais cinco viagens internacionais e duas internações hospitalares, incluindo uma cirurgia com anestesia geral, além de outros mal-estares recorrentes.

Ainda houve ataques vindos do agora presidente Javier Milei durante a campanha na Argentina e nem da inteligência artificial Francisco escapou -sua imagem falsa vestindo um casaco branco da moda viralizou e acendeu alertas sobre o alcance de novas ferramentas. Ele inclusive pediu um tratado internacional para regular a tecnologia.

Ao mesmo tempo, 2023, no qual ele completou uma década de papado, foi o ano em que Jorge Bergoglio escancarou sua reação à feroz oposição que enfrenta de setores do clero, em especial da ala ultraconservadora que faz barulho nos Estados Unidos.

"É possível descrever 2023 como um ano em que o papa se mostrou pronto para lutar sem restrições", diz à Folha o vaticanista Christopher White, correspondente em Roma do jornal americano National Catholic Reporter. "Por dois motivos: a morte de Bento 16, que o deixou mais livre, e suas condições de saúde, que tornaram evidente, imagino inclusive para ele, que o relógio está andando."

A partir da metade do ano, Bergoglio colocou o pé no acelerador. No começo de julho, nomeou o compatriota Víctor Manuel Fernández, 61, como prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão com a função de salvaguardar os fundamentos do catolicismo e que teve Joseph Ratzinger, antes de se tornar Bento 16, como chefe por mais de 20 anos, sob João Paulo 2o.

Um dos conselheiros teológicos mais próximos do papa, Fernández compartilha das ideias de Francisco sobre a Igreja.

É alguém que leva em conta os temas contemporâneos e prefere o diálogo à condenação. Autor de um livro sobre os benefícios do beijo, é considerado por críticos condescendente demais com temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Menos de dez dias depois, o pontífice anunciou a nomeação de 21 cardeais, dos quais 18 com menos de 80 anos e, portanto, com direito a voto no próximo conclave.

Foi o maior número de nomeados dos nove consistórios do papa. Além de Fernández, foram escolhidos religiosos de países como Colômbia, Tanzânia e Sudão do Sul.

"Foi um sinal claro de que o papa, depois de dez anos, estava muito interessado em ter seu próprio governo no poder e em aproveitar todas as oportunidades para deixar sua marca no colégio de cardeais, selecionando aqueles que um dia vão escolher seu sucessor", afirma White.

O vaticanista destaca outro momento que, para ele, confirma a disposição de Bergoglio em não perder mais tempo.

Em outubro, pouco antes de começar o Sínodo dos Bispos, um dos movimentos mais ambiciosos do papa, Francisco respondeu, de forma pública, a questões de cinco cardeais conservadores, endereçadas a ele no formato chamado de "dubia" (dúvidas, em latim). Em um dos trechos, Francisco deixou aberta a possibilidade de padres darem bênçãos a casais do mesmo sexo.

"Tivemos vários exemplos no passado de cardeais propondo essas dubia ao papa. Mas daí a ele responder e publicar atingiu um outro nível. É como se ele estivesse dizendo 'eu também sei jogar esse jogo'", diz White.

Um dos autores das dubia é o cardeal americano Raymond Burke, 75, da ala tradicionalista da Igreja. Seu nome despertou outra reação de Francisco no fim de novembro.

Segundo revelou um jornal italiano, o Vaticano está praticamente despejando Burke de seu apartamento em Roma ao exigir que ele passe a pagar aluguel com valor de mercado ou libere o imóvel em 2024.

Nos bastidores, comenta-se que Francisco o considera uma fonte de desunião entre os católicos. Burke vê o processo de consulta do Sínodo, ao lado de leigos e mulheres, como uma fábrica de slogans capaz de levar a Igreja a um cisma.

Evento eclesiástico mais importante do ano, o Sínodo da Sinodalidade, como é chamado, teve a primeira assembleia ao longo de outubro e terá a etapa final no ano que vem.

O documento da primeira reunião desanimou tanto conservadores quanto progressistas, ao indicar maior abertura às mulheres e ao mesmo tempo deixar de lado católicos LGBTQIA+ e outras questões.

Somente depois da próxima etapa do Sínodo é que o papa deverá publicar novas diretrizes aos católicos, o que poderia acontecer no primeiro semestre de 2025. O risco, dizem observadores, é que esse longo processo, iniciado em 2021, possa ser suspenso antes do fim, em caso de morte do pontífice.

Apesar das duas internações deste ano e do cancelamento da viagem que faria a Dubai, para a COP28, devido a uma inflamação pulmonar, Francisco afirmou na última semana que se sente bem, mas que sua saúde ainda precisa de orações.

"A velhice não chega sozinha e não se disfarça. É preciso saber aceitar os seus dons", disse a um canal de TV mexicano.

Certo é que o ano termina com ar de conclave rondando o Vaticano, e o papa demonstra lucidez sobre a própria finitude.

Na mesma entrevista, contou que deu orientações para seu funeral ter um cerimonial mais simples e revelou o desejo de ser sepultado fora do Vaticano, na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma.

Diante da idade avançada e da saúde enfraquecida, pairam dúvidas sobre quanto do dinamismo visto neste ano permanecerá em 2024. A agenda de viagens, que o levou para cinco destinos em 2023, um a mais que 2022, deverá ser a primeira a sofrer cortes.

Francisco afirmou que só a Bélgica está confirmada, por ora. Intenções de voar até a Polinésia e a Argentina estão pendentes.

A visita à sua terra natal, ainda inédita como papa, se anunciava como um grande momento de seu pontificado e ganhou novo significado depois de ele ter sido insultado por Milei e de certa forma o perdoado ao dizer que falas de campanha não devem ser tão levadas a sério. Resta saber se terá força física para tal.

 

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ESPERANÇA

Nepal: trabalhador chinês e uma mulher são resgatados 10 dias após enchentes

O homem foi resgatado de um túnel de uma hidrelétrica, elevando para três o número de trabalhadores retirados com vida do mesmo local

05/09/2026 07h26

No dia anterior os socorristas já haviam conseguido resgatar com vida dois trabalhadores de um tunel de uma usina hidrelétrica no Nepal

No dia anterior os socorristas já haviam conseguido resgatar com vida dois trabalhadores de um tunel de uma usina hidrelétrica no Nepal

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Dez dias após enchentes devastarem o país, equipes de resgate no Nepal resgataram com vida um cidadão chinês e uma mulher, informaram autoridades neste sábado, 5.

Segundo uma publicação nas redes sociais do gabinete do primeiro-ministro do País, o homem foi resgatado de um túnel de uma usina hidrelétrica, elevando para três o número de trabalhadores retirados com vida do projeto hidrelétrico de Trishuli. Dois trabalhadores nepaleses foram resgatados da usina na sexta-feira, 4.

O Exército do Nepal informou que uma equipe conjunta de resgate, formada por militares nepaleses e especialistas sul-coreanos em desastres, retirou o homem de um túnel de 225 metros. Imagens mostraram que o trabalhador foi resgatado de helicóptero, enquanto um médico do Exército verificava seu estado de saúde durante o voo.

Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projetos hidrelétricos em todo o Nepal, e acredita-se que aproximadamente 500 estejam presos em diferentes túneis, segundo as autoridades

Outro resgate foi feito na cidade de Nuwakot, onde uma mulher foi resgatada com vida de uma casa, informou neste sábado o porta-voz do Exército do Nepal. Conforme as autoridades, a mulher foi transportada de helicóptero para Katmandu.

Imagens divulgadas pelo Exército do Nepal mostram os socorristas encontrando a mulher coberta de lama. Eles lhe deram água engarrafada antes de retirá-la em segurança, enrolada em um cobertor.

Pelo menos 1.300 pessoas morreram nas enchentes de 26 de agosto, que provavelmente foram causadas pelo colapso de uma geleira, e mais de cinco mil continuam desaparecidas, de acordo com a agência de gestão de desastres do Nepal./AP

império

EUA afirmam que agora "ninguém rouba petróleo venezuelano"

Conforme as autoridades dos EUA, a China roubava o petróleo da Venezuela ao comprá-lo a baixo custo

03/09/2026 07h11

Declarações do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, foram dadas após anúncio de que os EUA se apropriaram de 20% das reservas

Declarações do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, foram dadas após anúncio de que os EUA se apropriaram de 20% das reservas

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O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que "pela primeira vez em duas décadas, ninguém está roubando petróleo venezuelano", ressaltando que antes a China fazia isso ao comprá-lo "a preços muito abaixo do mercado", enquanto Washington está "vendendo seu petróleo a preços de mercado" e levando "esse dinheiro de volta para a Venezuela", tudo isso depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aquisição do "controle majoritário" de um quinto das reservas de petróleo venezuelanas

"Pela primeira vez em duas décadas, ninguém rouba petróleo venezuelano", afirmou Wright em entrevista à emissora norte-americana NewsNation, na qual garantiu que, nos 20 anos anteriores, "a China comprava seu petróleo a preços muito abaixo do mercado", algo que deixava o país latino-americano "em colapso econômico porque todos roubam seu petróleo".

O secretário de Energia se expressou dessa forma ao elogiar a intervenção militar dos EUA, na qual as forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início do ano. Até então, afirmou ele, a Venezuela era "a sede do (partido-milícia xiita libanês) Hezbollah no hemisfério ocidental" e a Rússia estava "presente", enquanto "mercenários chineses" protegiam Maduro.

Naquela época, declarou ele, o petróleo venezuelano "era roubado por quadrilhas de narcotraficantes locais que o desviavam", bem como "pela corrupção interna na petrolífera estatal", em alusão à Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

"Agora, em colaboração com os Estados Unidos, vendemos o petróleo a preços de mercado, trazendo esse dinheiro de volta à Venezuela para o benefício da sociedade venezuelana, para que possam erradicar a criminalidade e as gangues criminosas, expulsar nossos adversários do país e iniciar um futuro de cooperação", afirmou, destacando o que considerou "uma vitória para o povo americano e para o povo venezuelano".

Questionado se os Estados Unidos deveriam intervir no comércio de petróleo entre o Irã e a China da mesma forma que, segundo o secretário, agiram diante do suposto roubo de petróleo venezuelano pela compra a preços baixos por parte de Pequim, Wright respondeu com um claro "não".

"Só digo que o povo do Irã, assim como o da Venezuela, foi prejudicado por um governo tirânico que provocou uma implosão econômica, em parte porque não consegue vender seu petróleo a preços de mercado", defendeu. "A China ganha, sem dúvida. Os criminosos e os contrabandistas ganham. Mas o povo do Irã não ganha. O povo da Venezuela não ganhou", alegou.

Em seguida, ele assegurou que o lado positivo da estratégia de Washington em relação a Caracas é que "é uma grande vitória". "Esse é o presidente Trump: usar o comércio, os negócios e a energia, não as armas nem o conflito", retrucou ele, ao que logo se seguiu a pergunta do entrevistador sobre a incursão das forças americanas, incluindo bombardeios, em 3 de janeiro de 2026 na Venezuela.

A isso, ele respondeu que, de fato, o governo Trump "prendeu o presidente Maduro" no que descreveu como "uma operação militar brilhante". "Mas foi só isso", argumentou ele, antes de acrescentar que, depois disso, Washington "colocou em quarentena" as exportações de petróleo venezuelanas.

"Agora temos influência e estamos lidando com as pessoas no poder que faziam parte do governo dele. Não se trata de príncipes democráticos, mas estamos lidando com eles para restaurar a estabilidade e a prosperidade do país e, em última instância, fazer a transição para um governo representativo, com uma intervenção militar na Venezuela que durou horas e na qual nenhum soldado americano morreu", destacou.

Suas declarações foram feitas depois que Trump se gabou, no último sábado, de ter conseguido que os Estados Unidos obtivessem o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano.

O fato de um acordo como esse - com o país que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, superando assim seu principal concorrente, Arábia Saudita- lhe conceda o controle majoritário sobre 65 bilhões desses barris, representaria mais do que o dobro das reservas certificadas atuais dos Estados Unidos, estimadas em cerca de 38 bilhões de barris.

Esses 300 bilhões de barris representam aproximadamente 17% do suprimento mundial, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos.

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