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Com PIB de US$ 22 trilhões, Mercosul-UE assinam acordo após quase 26 anos de negociação

Os chanceleres dos países sul-americanos e as autoridades europeias assinaram o acordo que cria a maior área de livre comércio do mundo

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Após quase 26 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado, 17, o acordo que cria a maior área de livre comércio do mundo. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e somam Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões.

Os chanceleres dos países sul-americanos e as autoridades europeias assinaram o acordo de associação entre Mercosul e UE e estados membros, assim como o acordo interno de comércio.

Participaram da cerimônia os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, da Bolívia, Rodrigo Paz, da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A assinatura ocorreu nesta tarde em evento realizado no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai - mesmo local onde o tratado fundador do Mercosul foi assinado em 1991. Em seguida, os chefes das delegações dos países membros do Mercosul e da União Europeia tiraram a foto oficial do evento.

O acordo deve atingir o máximo de liberalização prevista em 15 anos. Para entrar em vigor, precisa ser avalizado pelo Parlamento Europeu e pelo parlamento de um dos países do Mercosul. De acordo com o governo do Paraguai, o acordo final se tornará vinculativo assim que cada País "concluir os procedimentos jurídicos internos necessários" para sua entrada em vigor ou sua aplicação provisória.

As negociações ocorreram desde 1999 e foram concluídas no final de 2024. À época, Von der Leyen enfatizou três pontos principais do pacto: apoio entre as democracias, melhoria econômica para os países que participam dos dois blocos e o compartilhamento de valores. O acordo prevê a eliminação gradual das tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos.

A Comissão Europeia validou o acordo em setembro, mesmo com resistências de alguns países membros. Desde então, criou-se a expectativa para a assinatura do acordo. Durante a 67 ª Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu (PR), Lula chegou a pedir que os dirigentes do bloco europeu mostrassem "coragem" para a conclusão do acordo. Na semana passada, o Conselho da UE aprovou a assinatura do pacto.

Quando foi confirmada a cerimônia de assinatura do acordo, no início do mês, o governo brasileiro avaliou que o principal ponto do pacto é fortalecer o multilateralismo, especialmente após dias de conflitos e declarações que enfraqueceram a cooperação global entre os países. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, são citados como símbolos do ataque ao multilateralismo.

O presidente Lula, que não participa do evento desta tarde, publicou nesta sexta, 16, artigo em jornais de 27 países avaliando que o acordo Mercosul-UE é uma resposta do multilateralismo ao isolamento. "Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o chefe do Executivo no texto. Ele esteve ontem em ato no Rio de Janeiro com Von der Leyen.

Na cerimônia desta tarde, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o acordo estabelece uma "parceria com enorme potencial econômico" e "com profundo sentido geopolítico" Segundo o chanceler, o pacto "representa um baluarte, erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo abatido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção".

"Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo. Acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva. O comércio é uma das dimensões da parceria entre o Mercosul e a União Europeia, lastreada em valores comuns Democracia, Estado de direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente estão plenamente refletidos no acordo que assinamos hoje", destacou.

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Irã condena Nobel da Paz Narges Mohammadi a mais 7 anos de prisão

Narges Mohammadi foi condenada a mais de sete anos adicionais de prisão após ela iniciar uma greve de fome

08/02/2026 20h00

Nobel foi concedido à ativista em 2023

Nobel foi concedido à ativista em 2023 Behrouz MEHRI/AFP

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O Irã condenou a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, a mais de sete anos adicionais de prisão após ela iniciar uma greve de fome, informaram apoiadores neste domingo, citando o advogado dela.

As novas condenações contra Mohammadi ocorrem enquanto o Irã tenta negociar com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear para evitar um ataque militar ameaçado pelo presidente Donald Trump.

O principal diplomata do Irã insistiu no domingo que a força de Teerã vem de sua capacidade de "dizer não às grandes potências", assumindo uma posição maximalista logo após as negociações em Omã com os EUA.

O advogado de Mohammadi, Mostafa Nili, confirmou a sentença na rede X. "Ela foi condenada a seis anos de prisão por ‘reunião e conluio’, um ano e meio por propaganda e recebeu uma proibição de viagem de dois anos", escreveu.

Ela recebeu mais dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, a cerca de 740 quilômetros (460 milhas) a sudeste de Teerã, a capital, acrescentou o advogado.

O Irã não reconheceu imediatamente a sentença. Os apoiadores afirmam que Mohammadi está em greve de fome desde 2 de fevereiro

Ela havia sido presa em dezembro durante uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, um advogado iraniano de 46 anos e defensor dos direitos humanos que morava em Mashhad. Imagens da manifestação mostram ela gritando e exigindo justiça para Alikordi e outros.

Mohammadi, um símbolo para os ativistas iranianos

Os apoiadores vinham alertando há meses, antes de sua prisão em dezembro, que Mohammadi, 53, corria o risco de ser colocada de volta na prisão depois de receber uma licença em dezembro de 2024 por motivos médicos.

Embora devesse durar apenas três semanas, o tempo de Mohammadi fora da prisão se prolongou, possivelmente porque ativistas e potências ocidentais pressionaram o Irã a mantê-la em liberdade. Ela permaneceu fora mesmo durante a guerra de 12 dias em junho entre o Irã e Israel.

Mohammadi continuou seu ativismo com protestos públicos e aparições na mídia internacional, incluindo até mesmo uma manifestação em frente à famosa prisão de Evin, em Teerã, onde ela havia sido mantida.

Os apoiadores de Mohammadi citaram seu advogado, que conversou com ela. O advogado, Mostafa Nili, confirmou a sentença no dia X, dizendo que ela foi proferida no sábado por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad.

Mohammadi estava cumprindo 13 anos e nove meses de prisão por conspiração contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo do Irã. Ela também apoiou os protestos nacionais desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, nos quais mulheres desafiaram abertamente o governo ao não usar o hijab.

A ganhadora do Nobel sofreu vários ataques cardíacos enquanto estava presa, antes de ser submetida a uma cirurgia de emergência em 2022, segundo seus apoiadores. Seu advogado revelou no final de 2024 que os médicos haviam encontrado uma lesão óssea que temiam ser cancerosa, que mais tarde foi removida.

"Considerando suas doenças, espera-se que ela seja temporariamente libertada sob fiança para que possa receber tratamento", escreveu Nili.

No entanto, as autoridades iranianas têm sinalizado uma linha mais dura contra toda a dissidência desde as manifestações.

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Zelenski diz: acordo com EUA de garantias de segurança está '100% pronto'

Conversas, que começaram na sexta-feira (23), e continuaram no sábado, (24), foram as mais recentes visando encerrar a invasão em grande escala da Rússia que já dura quase quatro anos

25/01/2026 21h00

Zelenski reconheceu diferenças fundamentais entre posições de ucraniana e russa, reafirmando questões territoriais como um grande ponto de discórdia.

Zelenski reconheceu diferenças fundamentais entre posições de ucraniana e russa, reafirmando questões territoriais como um grande ponto de discórdia. Divulgação

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Presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, apontou neste domingo (25) que um documento de garantias de segurança dos Estados Unidos para Kiev está "100% pronto", após dois dias de conversas envolvendo representantes ucranianos, americanos e russos em Abu Dhabi.

Durante uma conversa com jornalistas em uma visita à Lituânia, Zelenski apontou que a Ucrânia está esperando que os EUA definam uma data para a assinatura. O documento precisa ser enviado ao Congresso dos EUA e ao Parlamento ucraniano para ratificação.

Zelenski também enfatizou o esforço da Ucrânia para uma adesão à União Europeia (UE) até 2027, chamando-a de "garantia de segurança econômica".

Reunião com Rússia

O líder ucraniano descreveu as conversas em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, como provavelmente o primeiro formato trilateral em "bastante tempo" que incluiu não apenas diplomatas, mas também representantes militares de todos os três lados.

As conversas, que começaram na sexta-feira (23), e continuaram no sábado, (24), foram as mais recentes visando encerrar a invasão em grande escala da Rússia que já dura quase quatro anos.

Zelenski reconheceu diferenças fundamentais entre as posições de ucraniana e russa, reafirmando questões territoriais como um grande ponto de discórdia.

"Nossa posição em relação ao nosso território - a integridade territorial da Ucrânia - deve ser respeitada", disse ele.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutiu um acordo para a guerra na Ucrânia com os enviados do presidente dos EUA, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner durante conversas em Moscou na última quinta-feira. O Kremlin insistiu que, para alcançar um acordo de paz, Kiev deve retirar suas tropas das áreas no leste que a Rússia anexou ilegalmente, mas não capturou completamente.

Zelenski apontou que os EUA estão tentando encontrar um compromisso, mas que "todos os lados devem estar prontos para um acordo".

Os negociadores retornarão aos Emirados Árabes Unidos no próximo domingo, 1, para a próxima rodada de conversas, segundo um oficial dos EUA que conversou com a Associated Press (AP).

As conversas recentes abrangeram uma ampla gama de questões militares e econômicas e incluíram a possibilidade de um cessar-fogo antes de um acordo, disse o oficial. Ainda não houve um acordo sobre um quadro final para supervisão e operação da Usina Nuclear de Zaporizhzhia da Ucrânia, que é ocupada pela Rússia e é a maior da Europa.

*Com informações da Associated Press.

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