Cidades

CEG-ROTA

Após fracasso na 1ª viagem, Governo cria comitê para destravar Rota Bioceânica

Ações vão desde iniciativas sustentáveis para avanços regionais, até mapeamento e fomento de estudos que estimulem participação do setor privado para angariar investimentos

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Quase dois meses após o fracasso no teste de exportação pela Rota Bioceânica - que levaria 12 toneladas de carne bovina de MS para Iquique (Chile) - o Governo do Estado institui o CEG-Rota, um comitê que une entidades do Poder Público e representantes da sociedade civil para fomentar e desburocratizar o caminho. 

Conforme o texto, publicado na edição desta quarta-feira do Diário Oficial de Mato Grosso do Sul, o Executivo estadual fica representado por dois integrantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e um de cada uma das entidades a seguir: 

  • Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog);
  • Secretaria de Estado de Saúde (SES);
  • Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead);
  • Secretaria de Estado de Educação (SED);
  • Procuradoria-Geral do Estado (PGE);
  • Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp);
  • Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), indicado pelo Presidente, preferencialmente dentre os municípios diretamente envolvidos;
  • Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul, integrante da Frente Parlamentar para o Acompanhamento da Implantação da Rota Bioceânica;
  • Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems);
  • Escritório Estadual de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica;
  • Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc);

Além destes, o Comitê envolve o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística (Setlog MS) e entidades como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso do Sul (Sebrae/MS) e as federações da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul); do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Mato Grosso do Sul (Fecomércio) e das Associações Empresariais de Mato Grosso do Sul (Faems), assim como o Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul (OCB/MS). 

Por decreto, o CEG-Rota ficará encarregado de elaborar uma manifestação técnica, além de agir para integrar, planejar, coordenar e monitorar sejam as iniciativas em execução quanto aos estudos e pesquisas. 

Com foco em "desenvolvimento", as ações políticas do CEG-Rota vão desde iniciativas sustentáveis para avanços regionais nesses corredores bioceânicos, até mapeamento e fomento de estudos, alinhando as integrações e estimulando a participação do setor privado para angariar investimentos. 

Viagem frustrada

Em 24 de novembro de 2023 cerca de 107 pessoas partiram em 36 caminhonetes pelos 2,3 mil quilômetros da Rota Bioceânica rumo ao litoral chileno. Nessa terceira expedição, que foi um verdadeiro "test drive" a ideia era levar junto quase 13 toneladas de carne bovina. 

Cabe destacar que o caminhão saiu um dia antes, porém, enquanto as 36 caminhonetes chegaram até o Chile, o veículo frigorífico e, consequentemente, as cerca de 13 toneladas de carne bovina sequer saíram de Mato Grosso do Sul. 

Partindo pela Rota, a carga foi retida no dia seguinte (24) em Ponta Porã e a JBS acabou desistindo da viagem quatro dias depois sem conseguir entrar no Paraguai.  

Retido pela Receita Federal, conforme apurado à época com representantes aduaneiros em Ponta Porã, "o motorista chegou na aduana sem nenhuma documentação em mãos". 

Foi ressaltado também, tanto pela Receita Federal quanto pelo Setlog, o trecho em território paraguaio que acabou atolando algumas das caminhonetes que tem traçado 4x4. 

"O trânsito paraguaio é livre, e trabalhamos em conjunto com eles. O problema é que esse caminhão não passará no Chile, porque lá eles seguem outras normas sanitárias", destacou o representante da Receita em resposta ao Correio do Estado. 
**(Colaborou João Gabriel Vilalba)

 

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Meio Ambiente

COP15 arrecada R$ 36,6 milhões e Estado pleiteia fatia para investir no Pantanal

Evento da ONU sobre espécies migratórias, que reuniu representantes do mundo todo, terminou ontem em Campo Grande

30/03/2026 08h05

Evento que reuniu mais de 70 países na Capital para falar sobre animais migratórios terminou ontem

Evento que reuniu mais de 70 países na Capital para falar sobre animais migratórios terminou ontem Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em meio às discussões que ocorreram durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), um dos assuntos abordados de forma mais exclusiva foi a possibilidade de arrecadação de recursos para financiar projetos de conservação em áreas consideradas prioritárias, definidas pelos delegados de mais de uma centena de países. 

Durante a COP15 da CMS, realizada em Campo Grande até ontem, relatório sobre mobilização de recursos apontou que foram recebidos 6.968.743 de euros (R$ 42 milhões na cotação atual) de fundos para uso em projetos de proteção de espécies migratórias.

Desse total, que começou a ser doado pelos governos da Austrália, Flanders (Bélgica), França, Alemanha, Mônaco, Nova Zelândia, Suíça, Reino Unido, Uzbequistão, União Europeia e Fundo da Kunming de Biodiversidade na COP14, perto de 905,9 mil euros foram usados para cobrir despesas de programa das Nações Unidas. 

O restante, que corresponde a cerca de R$ 36,6 milhões (ou 6 milhões de euros) estão disponíveis para serem revertidos em possíveis projetos, incluindo propostas que podem ser aprovadas futuramente em Mato Grosso do Sul.

O tema financiamento recebeu especial atenção na agenda da COP15, a primeira a ser realizada no Brasil. Além disso, o Pantanal recebeu um destaque que nunca tinha sido dado nesse tipo de reunião de deliberação global, envolvendo mais de uma centena de países.

Na terça-feira, que foi chamada na COP15 de Dia do Pantanal, autoridades deliberaram que a ciência, o uso de dados e o financiamento estratégico representam pilares para a conservação global.

O Pantanal, que se estende por Mato Grosso, Bolívia, Paraguai e Mato Grosso do Sul (onde fica sua maior parte), acabou reconhecido como um elo de integração para garantir corredores de biodiversidade e áreas que ajudam a conectar espécies que dependem da migração para sobreviver. 

Esse debate, que teve como tema “Pantanal em Movimento: ciência, governança e financiamento para a conservação de espécies migratórias”, reuniu representantes do governo brasileiro e de Mato Grosso do Sul, universidades, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil. 

Quem promoveu o painel foi o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e The Pew Charitable Trusts, que tem sede na Philadelphia (EUA) e escritórios em Washington (EUA) e Bruxelas (Bélgica).

“O Pantanal tem um reconhecimento extremamente relevante como habitat das espécies migratórias. Simbolicamente, o bioma é uma referência fundamental para esta convenção. A integração e a busca de financiamentos sustentáveis são fundamentais para que a gente garanta um resultado efetivo e permita que a conectividade continue possibilitando a migração das nossas espécies”, defendeu a secretária-executiva adjunta do MMA, Anna Flávia de Senna Franco.

Como estratégia brasileira, o que ficou destacado é que há um planejamento para fortalecer Unidades de Conservação (UCs), criando novas, ampliando as já existentes e também gerando mecanismos para a manutenção das UCs.

Para receber recursos arrecadados com a COP15 da CMS, ainda é necessário que mais trâmites burocráticos e diplomáticos avancem, em especial envolvendo o governo federal, para depois alcançarem a esfera estadual, em Mato Grosso do Sul. 

Oficialmente, ainda não existe projeto em andamento para garantir fatia dos R$ 36,6 milhões que a COP15 já arrecadou, por exemplo, para ser destinado ao Pantanal de MS. Entretanto, a realização do evento em Campo Grande representa um importante movimento estratégico para inserir o Estado no radar de financiamentos internacionais.

Para garantir que esses recursos ainda sejam aportados localmente, é preciso o desenvolvimento de pesquisas e dados que justifiquem o aporte. 

Nesse caso, os lançamentos de plataforma que traça a rota das aves migratórias nas Américas, feito durante a COP15, e a iniciativa global sobre a captura de espécies migratórias (GTI, na sigla em inglês) são instrumentos que podem gerar informações para sustentar a importância do Estado no âmbito global de conservação. A inserção de espécies na lista de prioridade, como é o caso da ariranha, presente no Pantanal, é outro contexto relevante.

“Ao longo destes últimos dias, fizemos mais do que nos reunir. Reafirmamos algo essencial: a natureza não reconhece fronteiras e tampouco pode reconhecê-las o nosso compromisso de protegê-la. Agimos pelo que não pertence a ninguém e, portanto, pertence a todos. Protegemos espécies que talvez nunca permaneçam dentro de nossas fronteiras. Investimos em um patrimônio natural que não possuímos, mas pelo qual todos somos responsáveis. Do Pantanal ao Ártico, dos oceanos às savanas, as espécies migratórias conectam o nosso planeta de maneiras que nenhum mapa político jamais poderia”, defendeu o presidente da COP15 e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, em discurso de encerramento.

OUTROS ASSUNTOS

A concessão da hidrovia do Rio Paraguai foi um dos temas discutidos no último dia da COP15. Para o presidente do Instituto Brasileiro do Maio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Antonio de Agostinho Mendonça, a superintendência do órgão vem atuando na região com foco na proteção de espécies que possam ser impactadas com as iniciativas.

“Nós temos um plano de ação da incidência da mineração em Corumbá e Ladário. Temos a superintendência do Ibama atuando na região. O tramo norte já possui licença, o tramo sul, ainda não. A região já é duramente afetada. Na proteção dos peixes, pintado e dourado, temos como base o período de defeso, com equipes atuando sobre isso”, afirmou Rodrigo. 

Como adiantado pelo Correio do Estado, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) já considera praticamente certo que o leilão dos cerca de 600 quilômetros do tramo sul da hidrovia do Rio Paraguai só será realizado no fim do segundo semestre deste ano, o que representa um atraso de aproximadamente seis meses em relação à estimativa inicial.

No entanto, para o governo federal, essa concessão está condicionada ao fato de não haver derrocamento ou dragagem na região, apenas dragagem de manutenção. 

“A eventual concessão da PPP [parceria público-privada da hidrovia] perpassa o fato de que não haja derrocamento nem dragagem na região, exceto dragagem de manutenção. O derrocamento, principal problema ali, não seria permitido”, ressaltou o presidente da COP15, João Paulo Capobianco. 

O projeto da hidrovia é uma estratégia para o escoamento de cargas na Região Centro-Oeste. A concessão compreende o tramo sul do rio, abrangendo o trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, na fronteira com o Paraguai, e o Canal do Tamengo, em Corumbá. (Colaboraram Alison Silva e Karina Varjão)

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RELAÇÕES EXTERIORES

Israel é criticado pelo Brasil por proibir religiosos no Santo Sepulcro

Em nota, o Itamaraty considerou que ações contrariam liberdade de culto

29/03/2026 21h00

Reprodução/Agência Brasil/Fabio Rodrigues Pozzebom

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Em nota publicada pelo Itamaraty, o Brasil condenou a ação da polícia de Israel, que impediu o acesso de dois religiosos católicos à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental, neste Domingo (29) de Ramos. 

O Patriarca Latino de Jerusalém cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Custódio da Terra Santa, Monsenhor Francesco Ielpo, celebrariam a missa de hoje, mas foram barrados no trajeto enquanto seguiam de forma privada, sem caráter de procissão, ao local onde os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia.

O Santo Sepulcro é um dos lugares mais sagrados do cristianismo. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, quando Jesus voltou do deserto e entrou em Jerusalém, aclamado pelo povo com ramos de palmeira. 

Em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil lembrou que as restrições da polícia israelense vem ocorrendo ao longo das últimas semanas e afetam também a Esplanada das Mesquitas, que recebe fiéis muçulmanos, durante o mês sagrado do Ramadã, marcado por jejum, orações e caridade.

O governo brasileiro recordou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024 que concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita.

“Aquele país [Israel] não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, frisa a nota do Ministério das Relações Exteriores.

O Itamaraty classificou as ações recentes como de "extrema gravidade" e contrárias ao status quo histórico dos locais sagrados em Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto. Você confere a nota na íntegra no portal do Ministério das Relações Exteriores (CLICANDO AQUI).

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