Cidades

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Fachin marca para 14 de maio julgamento no STF sobre uso de dados do Coaf

A decisão do plenário valerá para todos os processos que discutem o tema no País

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, incluiu na pauta de 14 de maio o julgamento de um recurso que vai definir se o Ministério Público pode pedir relatórios financeiros ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização judicial e sem abrir antes uma investigação formal. A decisão do plenário valerá para todos os processos que discutem o tema no País.

Como publicado pelo Estadão, na última sexta-feira, 27, o relator, ministro Alexandre de Moraes, ampliou liminar anterior e fixou requisitos para que o Coaf forneça os chamados Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). A decisão determina que os relatórios só poderão ser solicitados no contexto de investigação criminal formalmente instaurada, pela Polícia ou pelo Ministério Público, ou de processo voltado a punir infrações administrativas, como os destinados a apurar lavagem de dinheiro ou ocultação patrimonial.

As requisições também deverão identificar expressamente o investigado e indicar de forma concreta por que o acesso ao relatório é necessário.

O RIF não pode ser a primeira ou única medida adotada na investigação. Caso contrário, a prática é caracterizada como "pesca probatória", a busca indiscriminada por provas sem indício concreto de crime, e as provas obtidas se tornam ilícitas. Os critérios valem também para pedidos feitos por juízes e por comissões parlamentares de inquérito (CPIs).

A decisão foi motivada, em parte, por informações trazidas aos autos pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), que relatou uma "epidemia" de uso indevido de RIFs por agentes estatais no âmbito da Operação Bazaar, investigação sobre corrupção policial ligada a esquemas de lavagem de dinheiro em São Paulo.

Segundo o IDDD, os relatórios teriam sido usados para identificar alvos e, em alguns casos, para pressão e extorsão.

Para Moraes, a ausência de regras claras tem permitido que instrumentos de inteligência financeira sejam usados de forma indiscriminada.

"A indefinição temporária da tese constitucional exige atuação cautelar reforçada desta Corte, justamente para evitar que a exceção investigativa se converta em prática rotineira", afirmou o ministro na decisão.

Ministros no relatório

A decisão de Moraes foi tomada em meio a um período de exposição pública de ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relatórios do próprio Coaf. Nos últimos meses, documentos enviados às CPIs do INSS e do Crime Organizado revelaram relações financeiras de integrantes das cortes e seus familiares.

Entre as informações divulgadas estão pagamentos da J&F e do Banco Master a uma empresa de consultoria que repassou R$ 281,6 mil ao filho do ministro Nunes Marques; uma transação de R$ 25,9 milhões da J&F a uma holding que adquiriu cotas do ministro Dias Toffoli em um resort no Paraná; e alertas do Coaf sobre o escritório de advocacia da mulher do ministro do STJ Marco Buzzi, apontado como reincidente em movimentações atípicas.

O Coaf, vinculado ao Ministério da Fazenda, pode atuar de duas formas: enviando informações espontaneamente a órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público, ou produzindo levantamentos específicos sobre alvos definidos por quem faz a solicitação, como as CPIs.

Nesses relatórios costumam constar não apenas as movimentações do investigado, mas também as de pessoas e empresas que se relacionam com ele, como fornecedores, sócios ou familiares.

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Discord

Jovem que levou Lívia à morte já havia sido apreendido em SP

Um dos adolescentes que participava do grupo extremista que atuou na morte da menina de Mato Grosso do Sul já havia sido investigado anteriormente

28/09/2026 08h05

Michele Prado, durante painel sobre o ECA Digital, no Congresso de Jornalismo de Educação

Michele Prado, durante painel sobre o ECA Digital, no Congresso de Jornalismo de Educação Foto: Daiany Albuquerque

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Um dos adolescentes que foi apreendido por participar da morte de Lívia, de apenas 13 anos, durante uma live em redes sociais, já havia sido preso tempos antes de a menina de Mato Grosso do Sul ter sido induzida à morte por um grupo extremista.

Segundo apurou reportagem do Correio do Estado, pelo menos um dos adolescentes que foram apreendidos por participar do crime já havia sido identificado pela delegada Lisandrea Salvariego, da Polícia Civil de São Paulo.

O jovem foi identificado em investigação por participar de grupos extremistas que realizavam violência contra animais e pessoas em eventos pela internet. Na época, a delegada, que é chefe do Núcleo de

Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, apreendeu o jovem, porém, ele foi solto após passado um período.

Depois de ser colocado em liberdade, ele retornou para os grupos e seria um dos que incentivou a adolescente de Naviraí a tirar a própria vida durante transmissão nas redes sociais.

O caso desse jovem não é isolado, já que 5 dos 11 adolescentes que foram apreendidos até hoje em operações relacionadas à morte de Lívia foram colocados em liberdade pela Justiça.

Os jovens que foram liberados são os cinco que haviam sido apreendidos na primeira operação relacionada à morte de Lívia, realizada no dia 4 de agosto deste ano. Na ocasião, além dos cinco adolescentes, um jovem de 18 anos foi preso por participação na morte da adolescente.

Lívia morreu no dia 22 de julho deste ano. No início, o caso chegou a ser tratado como suicídio, porém, foi descoberto que a morte dela foi transmitida em plataformas digitais, o que gerou uma investigação que descobriu que a adolescente foi, na verdade, vítima de um grupo e de violência extrema, que a levou à morte.

De acordo com a investigação, o “evento”, forma como os grupos extremistas chamam as lives, havia sido marcado pelo Discord, entretanto, a morte de Lívia foi transmitida pelo Telegram e pelo TikTok.

Desde o fato, duas operações foram feitas, coordenadas pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) de Campo Grande, que cumpriram mandados em nove estados: Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Pará, Mato Grosso do Sul, Bahia, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo.

EXTREMISTAS

Segundo a especialista em Extremismo e Terrorismo On-line e assessora especial do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Michele Prado, esse tipo de prática começou a ser mais frequente no Brasil a partir de 2021. De lá para cá, diversas operações foram realizadas e jovens de todo o País foram apreendidos, porém, os grupos são recriados após serem tirados do ar.

Conforme Michele Prado, o perfil desses jovens não está ligado à classe social, mas sim a aspectos muito além desse.

“A maioria tem algum tipo de vulnerabilidade, ou psicológica, ou social, algum tipo de sofrimento, alguma depressão, ou já tem ideação suicida, ou já estava inserido antes em subculturas on-line violentas, mas todos, sem exceção, têm excesso de telas”, avalia a especialista ouvida pelo Correio do Estado durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação 2026 (Jeduca).

O uso indiscriminado do celular ou do computador, inclusive, é tido como o principal problema e pode levar os jovens para esses grupos.

“Eles são hiperconectados, porém, extremamente solitários. Então, eles querem amigos, eles querem se sentir ‘o máximo’, eles querem ter status, notoriedade, influência ali dentro. É o capital social deles. A mobilização principal é essa, é o sadismo para ter o status. Quanto mais sádico você é, mais status você tem. E vira um ciclo vicioso”, explica Michele Prado, que atua, com o procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, na identificação desses grupos, não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o País.

Para Michele, a conversa e o monitoramento são os principais caminhos que os pais devem seguir para evitar que seus filhos entrem nesses grupos extremistas.

“Primeiro, é olhar para os filhos e conversar com eles. Verificar se existe algum tipo de sofrimento mental ou psíquico acontecendo. Se ele tem amigos. Os pais pararam de conversar com os filhos. Não é só as crianças que estão on-line, os pais também”, alerta.

* Saiba 

Até agora, 12 pessoas foram identificadas pela Polícia Civil por atuarem diretamente na morte da menina Lívia, de 13 anos, que ocorreu no dia 22 de julho deste ano, em Naviraí. No total, são 11 adolescentes entre 14 e 17 anos e um jovem de 18 anos.

ACIDENTE

Colisão frontal entre carretas deixa 2 caminhoneiros mortos na BR-158

Os veíuculos transportavam plumas de algodão e água sanitária

28/09/2026 07h30

Uma das carretas transportava algodão

Uma das carretas transportava algodão Reprodução / Cenário MS

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Aparecido Geraldo Aragão, de 31 anos, e Alax Pierre Rodrigues de Moura, de 58, morreram na colisão frontal entre duas carretas registrada, no domingo (27), na rodovia BR-158, próximo ao município de Aparecida do Taboado.

O acidente ocorreu no km 119 da rodovia, próximo à praça de pedágio, no sentido Aparecida do Taboado–Paranaíba. A carreta conduzida por Aparecido transportava algodão. O veículo conduzido por Alax carregava água sanitária. 

De acordo com o portal Cenário MS, Alax Pierre possuía uma empresa de transportes rodoviários registrada com sede no município de Rancharia, interior de São Paulo. 

As equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontraram os dois veículos envolvidos na colisão frontal. A corporação comunicou o caso à Polícia Civil, que acionou a Perícia Criminal para os levantamentos no trecho.

Os motoristas morreram ainda no local. Os corpos foram retirados depois da conclusão do trabalho pericial e encaminhados à unidade de perícia de Paranaíba para exames necroscópicos.

O acidente foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e acidente de trânsito com vítima fatal.

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